CENTÉSIMO QUADRAGÉSIMO QUARTO DIA
CORRIDA - É agora de manhã a primeira corrida do Uparunning. Mais tarde, detalhes.
HISTÓRIA ANTIGA
Pedro Malasarte em "Amor com amor se paga"
Foi suado e coberto de poeira que Pedro Malasarte chegou à próxima cidade. Achando que estava cheirando muito mal, tratou de procurar uma hospedaria para tomar um banho.
Qual não foi a sua decepção, entretanto, ao notar que a banheira não passava de uma lata velha e a toalha tinha tantos furos que parecia uma peneira.
Como, porém, estava muito cansado para procurar outra hospedaria, tomou seu banho da melhor maneira que pôde.
Na hora de sair, em vez de dar ao hospedeiro uma moedinha de cobre que ele cobrava pelo banho, colocou-lhe na mão uma bela moeda de prata.
Foi um deus-nos-acuda. O hospedeiro não queria aceitar uma quantia tão grande, envergonhado dos seus serviços. A notícia correu de boca em boca. Mas Pedro Malasarte insistiu e o hospedeiro afinal meteu a moeda de prata no bolso.
Dias depois, nosso herói voltou para tomar outro banho.
Mal o viu, o hospedeiro mandou todos os empregados pararem o que estavam fazendo e servi-lo nas mínimas vontades. Arranjaram-lhe uma linda banheira, digna de um príncipe, e uma toalha que fora usada pelo rei, ao passar pela cidade.
A própria filha do hospedeiro foi encarregada de ensaboá-lo e deitar perfumes em sua cabeça.
Jamais Pedro Malasarte tomara um banho como aquele! Ficou na banheira mais de duas horas, feliz da vida.
Na hora de ir embora, entretanto, colocou na mão do hospedeiro uma moedinha de cobre de pequeno valor.
Este arregalou dois grandes olhos e exclamou:
- Senhor, não compreendo! Há dias nós o tratamos muito mal, é verdade, mas pagou-nos regiamente. Agora, que lhe dedicamos duas horas do nosso esforço e a minha própria filha lhe ensaboou as costas, tudo que paga é esta moedinha que não vale nada?
- Meu bom hospedeiro - explicou Pedro Malasarte, que não pregava prego sem estopa - o que acontece é que a moedinha de cobre que tem na mão é o pagamento do péssimo banho que tomei da outra vez. E a bela moeda de prata pode muito bem pagar o maravilhoso tratamento que me deram hoje!
E sem mais, saiu muito lampeiro e cheiroso, deixando o hospedeiro a a coçar a cabeça, muito ressabiado. (Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte", de Sérgio Augusto Teixeira).
LINGUAGEM - Assibilação
É um vício de linguagem que consiste no emprego frequente de "s" ou "z".
Exemplos:
"Se se soubessem cedo, sairiam salvo o Sebastião".
"O Zenóbio zelou pela zebra treze vezes."
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