domingo, 7 de junho de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

CENTÉSIMO QUINQUAGÉSIMO OITAVO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã.

CHUVA - Leve na noite passada.

APRENDENDO A VIVER - "Precisas encontrar algo que não se desvalorize com o passar dos dias, que não tenha obstáculos. O que é isso? O espírito, mas que seja reto, bom, nobre". (Aprendendo a viver - Sêneca)

SAÚDE - Guaco

Erva-de-cobra; Cipó-caatinga

Nome científico: Mikania glomerata Apr.; Compositae

Características: Os guacos , segundo tradição indígena, são trepadeiras usadas como antídoto de veneno de cobra. Fazem-se cortes nas regiões feridas das pessoas atacadas e colocam-se sobre elas o suco das folhas do vegetal. Evidentemente, o melhor tratamento, no caso de pessoas mordidas por cobras venenosas, é o uso do soro antiofídico, sob orientação médica em um hospital.

As folhas do guaco são oval-lanceoladas, agudas, de 10 a 15 cm de comprimento, de margens sinuosas, glabras e luzidias; suas flores são brancas ou amareladas.

Constituintes principais: Heterosídeos, resinas e taninos.

Usos medicinais: As folhas são empregadas como febrífugo, nas inflamações da garganta, tosses e externamente em eczemas.

Posologias: Infuso ou decocto a 2% - dose máxima diária: 200 ml.

Extrato fluido - dose máxima diária: 4 ml.

Tintura - dose máxima diária: 40 ml. (A saúde Pelas Plantas e Ervas do Mundo Inteiro - Ricardo Lainetti e Nei R. S. de Brito)

HISTÓRIA ANTIGA

Pedro Malasarte em "Cheiro também se paga"?

Sempre correndo mundo, Pedro Malasarte passou pela porta de uma hospedaria, donde vinha o cheiro delicioso de um assado. O nome da hospedaria era "Ao Bom Cabrito". 

Como seu estômago estava dando horas, nosso herói entrou pela porta dos fundos e foi direto para a cozinha. 

No espeto, dourando ao fogo, estava um lindo cabrito recheado, que seria servido daí a pouco ao Conde Carrasco e sua comitiva.

Percebendo que o petisco estava fora do seu alcance, Pedro Malasarte pediu licença e sentou-se ao lado do fogo, onde, além de se aquecer, podia sentir o delicioso cheiro do assado.

Além disso, como trazia na sacola um belo pão que comprara no caminho, sempre podia comê-lo. E foi o que tratou de fazer, molhando os pedacinhos no molho do assado.

Com aquele calorzinho e o cheiro gostoso que lhe entrava pelas narinas, era só fechar os olhos que até parecia estar comendo o próprio cabrito do Conde Carrasco.

E ali ficou, quietinho, até pegar no sono.

Sonhou com banquetes magníficos. Estava sentado à cabeceira de uma grande mesa e trinchava um belo cabrito assado. Depois comeu-o inteirinho, com a maior satisfação.

Enquanto isso, o hospedeiro levava o assado para a mesa, e todos - o Conde Carrasco e sua comitiva - comiam e bebiam à vontade.

Quando ficaram satisfeitos e voltaram os restos para a cozinha, o hospedeiro sacudiu Pedro Malasarte.

- Como é que é? Você fica aí dormindo e não come?

- Muito obrigado, enchi só com o cheiro daquele maravilhoso assado.

- Só com o cheiro? - repetiu o hospedeiro, intrigado.

E saiu da cozinha para acertar suas contas com o Conde Carrasco. Este, porém, na hora de pagar, não foi muito generoso e entregou ao dono da hospedaria menos moedas do que ele esperava. E ai dele se desse um pio para reclamar! O conde, que era muito mau, o deixaria pendurado em uma viga pelo pescoço.

Por isso, engolindo sua decepção, o hospedeiro tratou o conde com muita distinção e acomodou todos da melhor maneira para tirarem a sesta.

Mas de volta à cozinha, achou de descarregar sua raiva contra o pobre Pedro Malasarte.

- Você aí - foi logo dizendo. - Com que então fica nesse calorzinho, enche a barriga com o cheiro do meu assado e pensa que não vai pagar nada com isso?

Pedro Malasarte ficou surpreendido.

- Ora veja - respondeu. - Nunca pensei que se pagasse pelo cheiro da comida. Sempre paguei pela comida, mas pelo cheiro é a primeira vez!

- E o tempero que gastei para fazer o assado chirar tão bem? - redarguiu o hospedeiro, carrancudo.

- Está bem, está bem - concordou Pedro Malasarte, abrindo a sacola.

Tirou uma moeda e perguntou ao hospedeiro se o valor dela era suficiente para pagar pelo cheiro do assado.

- É o bastante - respondeu este.

Então Pedro Malasarte bateu com a moeda sobre a mesa, fazendo-a retinir.

- Ouviu bem que lindo ruído faz esta moeda? - indagou ao hospedeiro.

- Claro que ouvi! - replicou este. - Mas vamos logo com isso. Que é do meu pagamento?

- Não acha que já está muito bem pago? - respondeu Pedro Malasarte, guardando a moeda de novo na sacola.

- Pago? Como é que estou pago se você tornou a guardar a moeda? Está ficando maluco?

- Não é nada disso - retrucou nosso herói. - É que, para pagar pelo cheiro da sua comida, basta o barulho que faz a minha moeda. Estamos quites?

O hospedeiro abriu a boca para dizer alguma coisa, mas não encontrou nada para dizer, teve de rir.

Naquele dia, Pedro Malasarte comeu e bebeu de graça, pois o dono da hospedaria ficou seu amigo.

(Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte", de Sérgio Augusto Teixeira).

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CENTÉSIMO SEPTUAGÉSIMO OITAVO DIA

TEMPO - Bom, pela manhã. Sol. CHUVA - Ontem, na entrada da noite, quinze milímetros. LINGUAGEM - Dica de redação O primeiro passo da redação...