CENTÉSIMO SEPTUAGÉSIMO NONO DIA
COMPORTAMENTO - Não se faz necessário ser o melhor em tudo, mas, se fizermos algo, que façamos bem. Sejamos bom professor, bom aluno, etc.
Se fomos "escolhidos" entre milhões para estarmos aqui e ainda por cima, temos a oportunidade de fazermos o melhor, que façamos.
Por que sermos péssimos naquilo que militamos se temos as melhores ferramentas para sermos brilhantes?
Ao indagar sobre o pensamento anterior, faço menção às mais variadas ocupações, funções e profissões. Lembro de mim, como profissional. O que faço para ser, não o melhor, mas alguém que contribui com o ensino-aprendizagem das pessoas?
Do outro lado do birô estão os alunos. É para eles que o ensino é voltado. Eles devem dar o melhor de si para tornarem-se alunos de qualidade, produtores de conhecimento. Antes de tudo, necessitam assimilá-lo. Se têm as ferramentas necessárias, devem utilizá-las da forma mais correta possível.
Não podemos nem pensar num engenheiro civil que executa mal uma obra. Prédios caem na primeira balançada.
O mesmo pensamento pode ser aplicado a toda as profissões: que façamos o melhor, de acordo com as ferramentas que estão ao nosso dispor.
FUTEBOL - As regras
Quando vejo as mudanças de regras no futebol, lembro-me dos tempos de menino quando jogávamos bola no meio da rua. Uma das regras que inventamos foi a que dois jogadores não deveriam ir "em cima" de outro. Se assim procedesse, seria marcado falta.
Outra regra - esta das duplas - se, ao chutar a bola, fosse gol, valeriam dois e não um.
Coisas de meninos!
HISTÓRIA ANTIGA - Pedro Malasarte em "Um almoço de príncipe"
Acontece que bem defronte à hospedaria "Ao Bom Cabrito", cujo dono se chamava Pantaleão, havia outra, chamada "Nem Tudo Que reluz É Ouro". Seu dono tinha o nome de Tertuliano.
Pantaleão e Tertuliano viviam às turras, um acusando o outro de estar roubando sua freguesia.
Por isso, sempre que podiam, davam um jeito de pregar uma boa peça um no outro.
Era nisso que Pantaleão estava pensando quando resolvera ficar amigo de Pedro Malasarte.
No dia seguinte, mal nosso herói acordou, Pantaleão foi falar com ele:
- Amigo Malasarte, tenho uma proposta para lhe fazer.
- A que horas se come? - perguntou logo Pedro Malasarte, que passara a noite toda sonhando com comida.
- Só ao meio-dia, e ainda são sete horas da manhã. Mas não se preocupe: vai comer e beber de graça durante uma semana se conseguir tapear Tertuliano.
- Tertuliano? Quem é Tertuliano?
- É o dono da hospedaria aí defronte, a "Nem Tudo Que Reluz É Ouro". Imagine que ele vive se gabando que nunca deixou ninguém comer de graça.
- Quer dizer que...
- Isso mesmo. Se você for hoje lá, na hora do almoço, e conseguir que ele lhe sirva uma farta refeição sem cobrar um centavo, poderá almoçar e jantar aqui uma semana de graça.
Pedro Malasarte ficou muito satisfeito com aquilo. A disputa de Pantaleão e Tertuliano, no fim das contas, ia beneficiar o seu estômago.
Por volta do meio-dia, arranjou com o seu hospedeiro uma roupa de fidalgo, cheia de botões dourados, reluzentes, e lá se foi para a hospedaria de Tertuliano.
Este, a o vê-lo chegar com aquela imponência, todo reluzente, pensou logo consigo que devia se tratar de um personagem muito rico e escolheu para ele a melhor mesa.
Pedro Malasarte, com ares de grande senhor, bateu palmas e exclamou:
- Quero que me sirva um almoço à altura do meu dinheiro!
Tertuliano não perdeu tempo: deixando todos os outros hóspedes a ver navios, tratou de trazer para Pedro Malasarte as melhores iguarias que havia na cozinha, tudo isto regado com o melhor vizinho.
Pedro Malasarte comeu e bebeu como não fazia há muito tempo, mas sempre com a pose de fidalgo.
Tertuliano muito, honrado com a presença daquele personagem coberto de botões reluzentes em sua hospedaria, mal dava atenção aos demais hóspedes, que olhavam emburrados Pedro Malasarte esvaziar travessas e travessas da melhor comida.
Finalmente, de barriga bem cheia, nosso herói levantou-se e, colocando sobre a mesa uma moedinha deste tamanhinho, virou as costas para ir embora.
Tertuliano abriu a boca e seu queixo quase caiu ao ver o pagamento que recebia por toda aquela bela refeição. E tratou de agarrar Pedro Malasarte antes que ele saísse.
- Meu senhor, deve haver um engano! - exclamou. - Aquela moedinha que deixou sobre a mesa não dá para pagar nem a mais barata das iguarias que comeu!
- Se há algum engano, deve ser da sua parte - retrucou Pedro Malasarte. - Ao me ver entrar, olhando para meus botões reluzentes, deve ter pensado: "Tantos botões reluzentes na roupa, muito mais moedas de ouro reluzentes na bolsa!" Não é verdade?
- Sim, é verdade - concordou Tertuliano. - Afinal, julga-se um homem pela sua aparência!
- Acontece que você se esqueceu do próprio nome de sua hospedaria, caro amigo: "Nem Tudo Que Reluz É Ouro." E não tenho comigo, ou melhor, não tinha, senão aquela pequena moeda que deixei sobre a mesa.
- Mas então vou obrigá-lo a trabalhar para mim durante um ano! - berrou Tertuliano.
- Alto lá - replicou Pedro Malasarte. - Que foi que eu lhe disse ao sentar-me na mesa?
- Que lhe servisse uma refeição à altura do seu dinheiro! À altura do seu dinheiro... Aquela moeda!
- Aquela moeda, amigo Tertuliano. Portanto, estamos quites!
E, assobiando, Pedro Malasarte atravessou a rua e foi dormir a sesta na hospedaria de Pantaleão, onde tinha garantido uma semana com almoço e jantar de graça.
Tertuliano, debaixo das gargalhadas de sua freguesia, foi para a cozinha e meteu a cabeça debaixo da água fria, para passar a raiva.
(Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte", de Sérgio Augusto Teixeira).
PROVÉRBIO DE LÚLIO - A verdade do príncipe e a lealdade do povo são primas.
"INTERNET" DE ANTIGAMENTE -
No passado, lá para os anos 90, se quiséssemos obter o significado mais apurado de um verbete, recorríamos à enciclopédia.
Piche
Quim. Resíduo da destilação fracionada dos diversos alcatrões, especialmente do da hulha ou de resinas. Massa preta viscosa ou sólida que se usa para impermeabilização de papelões e outros materiais semelhantes, e na construção de estradas; também serve na fabricação de materiais isolantes. (Enciclopédia Brasileira Globo, volume 9)
O piche é usado pelos canoeiras para tapar aberturas no casco das canoas. Lembro-me, ainda menino, das vezes em que o canoeiro Agripino usava um produto - diziam ser piche - para consertar as canoas que transportavam passageiros que iam ou vinham das bandas do outro lado do rio da cidade.
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