domingo, 17 de outubro de 2021

ENTRETENDO - EDIÇÃO DE DOMINGO

As jabuticabeiras (Vivaldo Coaracy)

À hora do café matinal, a moça entrou, vindo do jardim, fingindo uma indignação que não era lá muito sincera e acusou em tom de promotor público:
- Os seus passarinhos...
Já sei. Quando os bichos - cachorros, passarinhos ou seja lá o que for - fazem alguma coisa errada, são meus. Quando está em paz, são nossos. Ou não vêm precedidos de possessivos. Fiquei logo sabendo que alguma coisa estava torta e perguntei como se impunha:
- Que fizeram os passarinhos?
- Depenaram as jabuticabeiras! Não ficou uma fruta para remédio. E a minha geleia?!...
- Paciência! Ficaremos este ano sem geleia de jabuticabas. Venha tomar o café antes que as torradas esfriem. 
Sorri. Para dentro, bem entendido. Sorri porque então compreendi aquela alegria exuberante dos sanhaços esta madrugada. Entre o alguidar que lhes serve de banheira e a ramalhada das árvores, dançaram um bailado vertiginoso, no trançado de curvas cinza-azuladas que traçaram no voo, cruzando os primeiros raios do sol, num delírio jovial e tumultuoso. Compreendi. Era a festa das jabuticabas. 
Está bem. Posso privar-me da gulodice apreciada, a troco da alegria dos passarinhos. Como que para recompensar a minha conformação, a corruíra do costume entrou pela sala adentro, acenou um bom  dia alegre e, familiar e descuidada, pôs-se a caçar mosquitos e outros bichinhos ao longo da vidraça. É a visita de todas as manhãs e já está confiada que nem mais se assusta com os arreganhos da Zita que finge querer pegá-la. O Rex, já experiente e desiludido, limita-se a acompanhar com o olhar sonolento, o saltitar da avezinha ao longo do peitoril. Contemplado a vivacidade da corruíra, a moça, com uma torrada a caminho dos dentes, esqueceu os sanhaços e as jabuticabas. Ainda bem. Mas eu continuei a pensar numas e noutros.
No fundo do jardim desta casa, existem duas jabuticabeiras vetustas, talvez centenárias. São tão velhas, que já estão de miolo mole. Fazem-me pensar no Rocha Alazão.
Rocha Alazão foi um boêmio que viveu neste Rio de Janeiro nos tempos de minha juventude. Não sejam indiscretos; não perguntem quando foi isso. Era mentiroso como ele só. A propósito fosse lá o que fosse, tinha sempre um caso mais extraordinário a contar. Uma vez em que, na sua presença, se falava em árvores venerandas pela antiguidade, o Alazão acudiu com a história de certa mangueira velhíssima que existira na fazenda de sua avó. Era tão velha, tão velha que já estava caduca.
- Caduca como, ó Rocha?!
- Ora! caduca, senil, de miolo mole. Já não sabia mais o que fazia. Dava manga misturada com goiaba., com caju, com sapoti, abacate, pitanga... Tudo ao mesmo tempo.
Bem; se eu disser que as jabuticabeiras aqui de casa já estão como a mangueira da avó de Rocha Alazão, os meus leitores não vão acreditar. Também não é tanto assim. Só dão jabuticabas. Mas que não regulam mais, não regulam mesmo. Perderam a noção do tempo. Deixaram de obedecer ao figurino imposto pela natureza para que cada coisa tenha a sua época própria. Às vezes frutificam em maio, às vezes em dezembro. Já as vi cobertas de flores, tronco e galharia, em pleno inverno. E como é linda uma jabuticabeira toda vestida, de cima abaixo, com a escumilha branca de suas flores docemente perfumadas! Não me venham dizer que flor de jabuticaba não tem perfume. Tem, sim senhores. Um perfume discreto e suave que acorda saudades nem a gente sabe de quê. Só não o sente quem não tem olfato e não tem alma.
No ano passado, as jabuticabeiras deste jardim floresceram e frutificaram durante o ano inteiro, uma carga após outra. Diante daquela exuberância pródiga, cheguei a supor que estivessem a se despedir da vida. Lá no fundo do seu instinto vegetal (por que não haverá um instinto vegetal? Que sabemos nós?) teria despertado a percepção de que o destino estava cumprido, de que a sua existência de árvores generosas chegava ao termo. E num derradeiro esforço na ânsia de se dar, despediam-se  da vida naquele desatavio de flores e de frutos e de folhas novas a sorrir no verde luminoso. Despediam-se da vida e dos seus amigos, os sanhaços, os tiés, as mariquitas, as aves alvissareiras que as envolviam numa grinalda viva de voos trançados em desenhos caprichosos.
Despiram-se depois das folhas. Em torno delas, junto ao pé do tronco, formou-se um tapete circular de folhas amareladas que vinham caindo, silenciosamente, como os flocos de uma neve dourada, a pousar de manso, uma após outra, sobre a aridez da terra dura. Era a seca. Ficaram nuas, com os galhos finos a desenhar uma filigrana parda de encontro ao azul do céu. Pareciam dois esqueletos irmãos a acenar o supremo adeus. Pensei cá de mim mesmo: "Morreram as jabuticabas!" E a alma chegou a vestir luto pelas árvores amigas.
Engano. Ilusão. Aparência. Vieram as chuvas e as jabuticabeiras reverdeceram. Duas vezes vestiram-se de flores. As primeiras um vento frio veio do sul, fora de tempo, crestou e matou. Persistentes, tenazes, na decisão de cumprir a tarefa que o destino lhes dera, as árvores brotaram nova florada, mais densa, como um vestido de noiva, que as envolveu, espraiando-se pelos ramos e pelo tronco abaixo até junto às raízes. 
E as flores se converteram em pequeninos botões verdes, esferas minúsculas agarradas ao lenho, que foram crescendo dia a dia, transformar-se em fruta. O sol das manhãs, ao voltar do seu passeio do inverno, foi lhes dando cor. Uma pincelada aqui, e uns riscos arroxeados foram surgindo sobre a epiderme verde das bolinhas já polpudas e gorduchas. Os frutos foram crescendo e tornando-se roxos, cada vez mais, quase pretos, antes de desprender-se da árvore.
A moça já via, por antecipação, na prateleiras da geladeira, fiadas de vidros cheios de uma geleia saborosa, cor de ametista translúcida. Mas os sanhaços acordaram cedo. E fizeram a festa das jabuticabas. 
Paciência! Não teremos geleias de jabuticaba para adoçar o amargo pão de cada dia. Sirva-nos de compensação a alegria desta passarada que povoa o velho jardim, que enche de cantos a manhã primaveril, que tece os ninhos na galharia das mangueiras frondosas. E valha-nos o exemplo consolador destas jabuticabeiras que, vetustas, quase ao fim da vida, ainda encontram na própria seiva a energia de dar, dar de si, dar para os outros. (Do livro "Portugês - Terceira série Ginasial" - Gilio Giacomozzi)

ALGUMAS PALAVRAS DO TEXTO
Sanhaço: espécie de ave também chamada sanhaçu ou assanhaço. 
Alguidar: vaso. 
Corruíra: Espécie de ave também chamada, no nordeste, de rouxinol. 
Vetusto: velho; decrépito.
Escumilha: tecido fino de seda ou lã.

HUMOR - Meu pai é tão grande
Dois garotinhos contando vantagem:
- Meu pai é muito grande! Tão grande que nem consegue passar embaixo da porta!
- O meu é maior! - rebateu o outro - Ele é tão grande, mas tão grande que pra fazer cesta no basquete, ele tem que se abaixar!
- Ah! Mas o meu é maior! Ele é tão grande, mas tão grande, mas tão grande que não pode comer iogurte!
- Não pode comer iogurte? - perguntou o amigo. - Como assim?
- É que um dia ele comeu e, quando chegou no estômago, já tinha passado o prazo de validade! (Seleção de Luzia Campos Lapa - Santos/ São Paulo - Da Folhinha do Sagrado coração de Jesus)

sábado, 16 de outubro de 2021

QUE PALAVRA!

Cavaco - Lasca de madeira(Aurélio). Estilha ou lasca de madeira (Dicionário Etimológico Nova Fronteira). São pequenos pedaços de madeira. Alguns são estilhaços quando a madeira é rachada. 

Daí a expressão "Dar o cavaco".  A expressão significa irritar-se, por ter sido motivo de brincadeira.

Cavaco também é alcunha de pessoas, por terem características semelhantes.


PROVÉRBIO

O sol é o poncho do mendigo (Gaúcho)

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

MUNDO INVISÍVEL

O visível e o invisível vivem paralelamente, quase se beijando, quase se tocando. O que ocorre no segundo, somente privilegiados sabem e desfrutam. Diferença se faz naquele mundo. Os eternos, do lado do bem... a estes mundos vale a pena participar.

Já os passageiros, é engano total. Aquele mundo passa tão veloz que os seus participantes nem sequer percebem. Quando chega um tempo determinado, a areia desaparece debaixo dos pés. E já era. O que ocorre lá, por ser escuso, nem precisa do esforço de ninguém para sua destruição. Como se um sopro invisível fosse atirado contra eles, eles saem de linha como marcas de produtos de grande sucesso e venda.

PROVÉRBIO

O sertão nunca dá notícia.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

terça-feira, 12 de outubro de 2021

BONS VENTOS

A sabedoria popular, especialmente quando se trata de previsões de inverno para o ano seguinte, explica à sua maneira de forma que, se observada posteriormente, chegaremos a dizer: "Pois não é mesmo"?

Os ventos soltos desses dias falam pela boca do homem do campo atento aos fenômenos da natureza. Eles se manifestam de maneira mansa ou brava.

"Se não venta, já viu, não haverá chuva". Foi o que captei recentemente de um dos observadores da sábia natureza.

POEMA ÉPICO

Podemos dizer que o "ciclo" das epopeias já se encerrou: aquele poema antigo, longo, narrando a história de um povo, como Os Lusíadas, de Camões, modelo das epopeias de Homero, Odisseia e Ilíada, que parecem ter inaugurado tal forma de poesia narrativa. Dos poemas homéricos também saiu a Eneida, de Virgílio. A Divina Comédia, de Dante, é também considerado um poema épico, mas aqui com uma visão global do homem, não necessariamente histórica. Não há referências a epopeias modernas, podendo o termo, ocasionalmente, designar um vasto poema, onde se pretende contar a "história" do homem ou de alguns de seus feitos. Mas o poeta épico tem trânsito em todos os tempos, é o poeta que atingiu os grandes espaços, transcendência, , livrou-se daquela poesia pessoal, confessional, marcadamente lírica.

Clássico, medieval, simbolista ou romântico, todo poeta superior tende para o épico. Dispondo em partes o pensamento, diríamos que o poeta épico se caracteriza pela dilatação do "eu" ao infinito de suas possibilidades, a ponto de romper suas próprias barreiras e invadir o plano do "não-eu". Ele ultrapassa, desse modo, a contemplação exclusivista de sua imagem sempre refletida em espelho côncavo, postura característica do poeta lírico, e cria uma poesia a-confessional e a-emocional ou melhor, supra-confessional e supra-emocional. (Do Vocabulário Técnico de Literatura, de Assis Brasil)

Um poema épico é, via de regra, ficção. Não deixa de haver alguns traços de história. Uma epopeia é sempre uma grande viagem. Quem não gosta de viajar, certamente não gosta de epopeias.


PROVÉRBIO

O seguro morreu de velho e o desconfiado ainda vive.

domingo, 10 de outubro de 2021

ENTRETENDO - EDIÇÃO DE DOMINGO

Lenda da mandioca (Nair Starling)

Mani nasceu diferente das outras índias.

Era branca como lírio. Era, também, a índia mais bonita que já existiu na terra.

Os índios todos gostavam dela, como de um ser sobrenatural,  porque um espírito branco apareceu, em sonhos, ao chefe da tribo e lhe contou que Mani era um presente de Tupã.

Um dia, porém, sem se saber como, Mani adoeceu e morreu.

A tristeza na tribo foi geral e profunda. Os índios choraram muito e enterraram Mani no jardim. 

Todos os dias iam ver-lhe a sepultura. E choravam, choravam tanto que as lágrimas molhavam a terra.

O tempo passou... Veio a primavera. Na cova de Mani nasceu uma planta desconhecida.

A planta cresceu. Um dia, os índios cavaram a terra e encontraram um tubérculo. Notaram que parecia com o corpo de Mani e, acreditando no milagre, comeram-no, certo de adquirirem, assim, mais vigor para as lutas. Fizeram dele, também, uma bebida e embriagaram-se. 

Mani existia ainda transformada em planta. Mani era um presente sagrado de Tupã...

E os índios cultivaram com carinho o corpo imortal de Mani, transformado em alimento e chamaram-lhe: mandioca.

Mandioca é, pois, nome alterado de manioca e significa: pão da terra ou carne de Mani. (Livro Infância Brasileira)

HUMOR - O menino ganhou uma bicicleta. A mãe, então, levou-o para brincar na praça. Enquanto ela lia, sentada ao banco da praça, o menino dava as voltas.

- Mãe, mãe, sem os pés. Mãe, mãe, sem as mãos.

- Muito bem, meu filho.

Na próxima vez, vem o filho chorando e empurrando a bicicleta:

- Mãe, mãe, sem os dentes... (Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus)


sexta-feira, 8 de outubro de 2021

PROVÉRBIO

O risco que corre o pau, corre o machado.

PALAVRAS

Palavras pesam
Quando colocadas
De supetão
Jogadas ao vento
Sem forma
Sem prumo
Sem objetivo
Sem razão.

Palavras podem curar
Podem também 
Se atravessadas
Podem criar
Muitas feridas
Que ao longo do tempo
Não tem mais jeito
De consertar.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

CHUVA

Começou a cair pingos leves, pequenos e com pouca intensidade. Ficava no ar, um grande ponto de interrogação: Será que vai aumentar ou parar de vez? 

O que, por enquanto, parava era as engrenagens da sociedade. Tudo o que movia, ou parava de vez ou parcialmente. Não havia protocolos, pois estes estavam em estudos. Reuniões e mais reuniões eram necessárias para o entendimento do que estava ocorrendo. As forças-tarefas começaram a surgir, aos poucos. 

O que fazer se os pingos engrossarem e aumentarem? "A coisa vai engrossar". Era o que diziam. Foi o tempo que delineou tudo, como em todos os momentos que ficamos fazendo interrogações sobre o futuro. O tempo começou mais ou menos a dizer o que ia ocorrer. E ele disse muita coisa. Só não disse como seria o fim desse ciclo.

PROVÉRBIO

O remédio quando não mata, cura.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

PALAVRA DA LÍNGUA

Apotegma - Máxima, sentença curta que contenha uma lição moral.

UMA VOLTA TARDIA

Pelos protocolos sanitários convencionados, a volta total dos alunos nas aulas presenciais deveria ocorrer neste dia quatro, ontem, segunda-feira. E foi o que ocorreu, pelo menos no meio dessas bandas daqui.

A volta foi tardia - de acordo com o nosso humilde pitacar - tendo em vista os riscos da doença estarem bem distantes. 

Bom seria que não tivesse havido essa parada quando tudo começou. Naquele tempo, todo mundo ficou apavorado e não pensou que o protocolo poderia funcionar, assim como agora. 

O que passou, passou. Agora é bola pra frente. O prejuízo está posto e não adianta chorar o suco derramado.

E mais. O que foi posto acima não é nada, nadinha, científico. É apenas, only, uma modesta opinião.

PROVÉRBIO

O que você queria? Ser dama da companhia? 

BEM-AVENTURANÇAS

"Bem-aventurados" os que sobem
Quando muitos não podem subir
Impedidos pelas circunstâncias
Engendradas em oficinas embutidas
Que constroem o porvir.

Bem-aventurados são
Os que são porque merecem
Trabalham com afinco
Atuam e defendem
Todos os que padecem.

São bem-aventurados
Quem vive do pensar
Sem em um minuto 
A vida dos outros
Tentar atrapalhar.




terça-feira, 5 de outubro de 2021

HOJE É DIA DO PROFESSOR

Soube há pouco, num clique, que hoje é dia do professor. Não aqui, mas é dia do professor em alguns países. Dia mundial do professor. 

No Brasil ainda faltam dez dias.

PROMULGAÇÃO DA LEI MAIOR

Nós que vivemos o ano de 1988, nem precisa de livros de história ou cliques na grande rede para lembrar que nesse dia 5 de outubro daquele ano a Constituição Federal brasileira passou a valer oficialmente. Não significa que ela começou a ser cumprida integralmente. Significa que ela começava a ser observada e que as leis nela contidas iriam aos poucos sendo observadas. 

Houve solenidade, com direito a transmissão de rádio e TV. 

COISA DA LÍNGUA

Ambiguidade - Também chamada anfibologia. É o sentido duplo, duvidoso.
Exemplo: Ele prendeu o ladrão em sua casa.

Onde está a ambiguidade? É que não está claro se o fato se deu na casa do ladrão ou na casa dele mesmo.
Outro exemplo: Venceu o Fluminense o Flamengo.

Aqui não se sabe quem venceu.

PROVÉRBIO

O que um faz, outro aproveita. 

SEDE AO POTE

Quando a sede estiver muito grande, não se deve sorver de forma intensa. Este é o espírito do adágio popular "Não se deve ir com muita sede ao pote". 

Mas o que fazer, se o pote tinha água fria e boa? Fica difícil aconselhar a um sedento a não beber avidamente uma água naquelas condições. E foi o que fez: sua sede foi amenizada com muitos goles rápidos e desesperados, pois as energias tinham sido exauridas depois da grande caçada de meses. Naquele período, só tinha gasto em abundância sem a devida reposição. Havia um descontrole entre a entrada e saída. O "esfomeamento" era natural. A reposição também. O adágio era esquecido. O pote estava ali, com água fria. Podia esperar. Mas não. A preferência foi pelo caminho mais fácil, que é o da pressa.

Sorvida em pequenos goles, dava para ser saciada a sede. No final, ocorreu o óbvio. Dores físicas sem fim.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

BOM TEMPO

Para aliviar o sofrimento, clamam os da banda do oeste, nos confins da cidade, por água que venha de baixo.

Embaixo não tem, se de cima não cair ou ponte não for edificada para levar o precioso, principalmente para os brutos.

De cima está mais perto de voltar. Esperemos e oremos com força, que ela virá. No final da semana passada já houve um bom sinal.

PROVÉRBIO

O que tem de ser, não precisa empurrar.

domingo, 3 de outubro de 2021

ENTRETENDO - EDIÇÃO DE DOMINGO

O sabiá e o urubu (Monteiro Lobato)

Era à tardinha. Morria o sol no horizonte enquanto as sombras se alongavam na terra.
Um sabiá cantava e tão lindo cantava, que até as laranjeiras pareciam absortas a escutar.
Estorce-se de inveja o urubu, e queixa-se:
- Mal abre o bico este passarinho e o mundo se enleva. Eu, entretanto, sou um espantalho de que todos fogem com repugnância... Se ele chega, tudo se alegra. Se me aproximo, recuam... Ele, dizem, traz felicidades; eu, mau agouro... A natureza foi injusta e cruel comigo. Mas está em mim corrigir a natureza; mato-o, e desse modo me livro da raiva que seus gorjeios me provocam.
Pensando assim, aproximou-se o urubu do cantor que, ao vê-lo, armou as asas para a fuga.
- Não tenhas medo, amigo! Vem para mais perto afim de melhor gozar as delícias do teu canto. Julgas acaso que por ser urubu não vou dar valor às obras primas da arte? Vamos lá, canta! Canta ao pé de mim aquela formosa melodia com que há pouco extasiavas a natureza.
O ingênuo sabiá deu crédito àqueles mentirosos grasnos e permitiu que lhe pousasse ao lado o traiçoeiro urubu. Mas este, logo que pilha o cantor ao alcance, ferra-lhe tamanha bicada que o derriba, moribundo. 
Arquejante, com os olhos já envidrados, geme o passarinho:
- Que mal te fiz para merecer tanta ferocidade?
- Que mal me fizeste? É boa! Cantaste!... Cantaste divinamente bem, como nunca urubu nenhum há de cantar. Ter talento: eis o crime.
A inveja não admite o mérito.

VIDA - Água é vida. Água é tudo.

HUMOR - A patroa dá explicações para a empregada:
- Marinete, nós tomamos café às 6h30min todos os dias.
- Tudo bem. Não precisa me chamar. Eu só tomo café mais tarde.


sábado, 2 de outubro de 2021

QUE PALAVRA!

Catálogo - Relação ou lista metódica, e em geral alfabética, de pessoas ou coisas (Aurélio)

Era comum o catálogo telefônico dos nomes e endereços das pessoas e empresas. Era através deles que achávamos números de telefones nos momentos de necessidade. Hoje achamos os números com um clique.

Os catálogos de pedidos de produtos, seja de perfumes ou do lar, ainda está em franco uso.

PROVÉRBIO

O que se leva desta vida, é a vida que a gente leva (Barão de Itararé)

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

POEIRA

Um poema sombrio

De longe veio a poeira e poucos a notavam. Ela aparecia e se alojava entre as narinas dos que dela se aproximavam constantemente. Ela foi chegando, chegando aos poucos. Depois desaparecia para voltar com alguns dias. Primeiro, como que aos íntimos, ela estava presente em momentos de festa.

Resolveu frequentar mais os círculos sociais. Aparecia com mais frequência onde tinha mais pessoas. E foi se espalhando, contactando com mais e mais, até aumentar o número dos que a conheciam. O curioso é que ela era inofensiva. Estranho, né? 

Quais os desdobramentos dessa história? Veremos.


PROVÉRBIO

 O que os olhos não veem, o coração não sente.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

ALÉM DO MORMAÇO E CALOR

Além, muito além do bafo e calor, tivemos uma pequena chuva há pouco. É algo como uma nova temporada de chuvas. Como, mas não é. Por enquanto, é para recordar a temporada de 2021.

PROVÉRBIO

 O que o tempo dá, o tempo tira.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

UM MONSTRO

Um monstro aparece
Solto das cadeias
E se agiganta
E passeia pelo mundo
Viaja continentes
Pausadamente, imundo.

Não tem vida própria
É vegetativo convicto
Suga e destrói vidas 
Desassossega onde passa
Um perturbar constante
Deixando a todos sem saída.

Há tempos que fica fraco
De tantas bordoadas
Segue firme em seu furor
Por todos combatido
Mas apesar de tudo
Ainda não foi vencido.

A luta é constante
Contra esse ser cruel
De cabeça erguida
Transpõe céu e mar
Percorre sorrateiro
Mas seu fim vai chegar.



PROVÉRBIO

O que não é casório, é falatório.

ENTRETENDO - EDIÇÃO DE DOMINGO

As jabuticabeiras (Vivaldo Coaracy) À hora do café matinal, a moça entrou, vindo do jardim, fingindo uma indignação que não era lá muito si...