QUADRAGÉSIMO SEXTO DIA
TEMPO - Nublado pela manhã. Perspectivas para chuva hoje.
CHUVA - Ontem choveu 4 mm.
Até agora, as chuvas batem com as previsões dos estudiosos e profetas das chuvas: poucas por aqui.
ROUPA - As árvores vestem-se verde nesse período. Basta uma chuva para que a paisagem mude de modo extraordinário.
GRAMÁTICA - Fonemas
Comparemos as palavras abaixo:
Nossa, roça, longe, laje, nós, voz, cedo, seu, exprimia, escutava, chegou, frouxo.
Cada conjunto de palavras acima têm sons iguais e letras diferentes: "nossa" e "roça" têm o "ss" com som igual ao da "roça", "ç". É o que chamamos de fonemas. Os nossos ouvidos captam os sons das letras ao passo que ouvimos e ouvimos as palavras.
FRASE - "Certos momentos nos são tomados, outros nos são furtados e outros ainda se perdem no vento". (Sêneca)
TROVÕES - Tarde marcada por chuva e trovões. Um grande trovão abalou a cidade. Falta de energia por um instante.
HUMOR
Alberto liga para um amigo:
- Aderbal, vem correndo me ajudar! Estou preso aqui na delegacia.
- Eu não fiz nada!
- Ah! Então eu não vou, não!
- Não vem, por quê?
- Ué! Se estão prendendo quem não faz nada, irão me prender também. (Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - Janeiro/2026)
HISTÓRIA ANTIGA
Pedro Malasarte em "No fundo do lago":
Na cidade onde morava Pedro Malasarte havia um bonito lago, no meio de um grande parque onde as pessoas iam passear no domingo.
Quando já estava com seus quinze anos, Pedro Malasarte, um dia, amarrou uma corda entre duas árvores que ficavam nas margens do lago e anunciou que iria dançar em cima da corda. Era justamente no domingo, e o parque estava cheio.
Logo se juntou uma verdadeira multidão em torno do lago e Pedro Malasarte, que, como vimos, desde bem pequeno já levava jeito para malabarista e saltimbanco, andou pela corda de um lado para o outro, plantou bananeira, pulou e dançou como ninguém. E ao descer, passando um chapéu entre os presentes, este logo se encheu de moedas. Todo mundo aplaudiu a proeza de Malasarte, que aliás era muito querido.
Chegando em casa, despejou as moedas no colo da mãe, pois as coisas não iam muito bem para o padeiro Nicolau, seu pai, e a família atravessava dificuldades. Ficou só com uma moedinha para ele.
No domingo seguinte, Pedro Malasarte resolveu repetir a façanha. Amarrou a corda entre as duas árvores, anunciou o seu número e preparou-se para executá-lo.
Acontece que um grupo de jovens ricos, invejosos da popularidade daquele filho de padeiro que entrava e saía da casa de todo mundo à vontade - e até do palácio do rei, que continuou seu amigo desde aquele dia em que o vira bancar o artista de circo - resolveram pregar-lhe uma peça.
Cortaram a corda até a metade, de forma que Pedro Malasarte chegou a caminhar até o meio do lago, fazendo piruetas que deixavam o povo arrepiado.
No terceiro salto mortal, porém, a corda meio cortada arrebentou e o malabarista veio lá de cima bater na água. Foi até o fundo e voltou para ouvir a gargalhada geral do público, que apontava para ele e ria - principalmente um grupinho de filhos de nobres que ele conhecia muito bem.
Naquele domingo não pôde recolher nem uma só moeda para ajudar em casa.
Pedro Malasarte passou a semana toda esperando que chegasse um novo domingo. E, mal este amanheceu, já estava no parque, amarrando sua corda entre as duas árvores da beira do lago. Ia fazer coisas incríveis - dizia.
Quando se viu cercado de espectadores, dirigiu-se ao grupo de jovens que maldosamente havia cortado a corda no domingo anterior e anunciou:
- Se cada um de vocês me emprestar um pé de cada sapato, eu dançarei com todos eles na corda bamba!
Os jovens se entreolharam, desconfiados.
- E se eu não conseguir, podem me dar uma boa surra.
É claro que Pedro Malasarte não conseguiria dançar na corda com tantos sapatos. E diante da perspectiva de lhe dar uma boa surra, os maldosos jovens não hesitaram: tirou cada um deles um pé de sapato e lhe entregaram.
Malasarte subiu na corda com dificuldade e começou a caminhar por ela. Chegando bem no meio, por cima do lago, pôs-se a dançar alegremente. E a cada pirueta, jogava um pé de sapato para o alto. Eles iam cair no lago e afundavam imediatamente.
- Você nos enganou! - protestavam os jovens. - Vai apanhar mais que burro teimoso!
- Não enganei ninguém - respondeu Pedro Malasarte. - Prometi dançar com os sapatos e dancei com eles. Mas estão muito fedorentos e não há nada melhor que água para lavar coisas sujas.
E toca a jogar sapatos lá de cima... Quando acabou, correu pela corda, pulou para um galho, desceu pelo outro e sumiu por entre a multidão, considerando-se bem pago pelo vexame do outro dia.
Não é preciso dizer que os filhos dos nobres, sob uma vaia geral, tiveram de tirar as belas roupas e mergulhar no lago à procura de seus sapatos. Afinal, seria uma vergonha para eles voltarem para casa com um pé descalço. (Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte" - organizado por Sérgio Augusto Teixeira)
"INTERNET" DE ANTIGAMENTE
ABC - Países do ABC - Os três maiores Estados da América do Sul: Argentina, Brasil e Chile. Tendo exercido com êxito o papel de mediadores entre os Estados Unidos e o México em 1914, firmaram um tratado, em 1915, pelo qual os três países se dispunham a prover a resolução de conflitos, constituindo para tanto uma comissão permanente de arbitragem. Ainda em 1915 o Tratado do ABC funcionou na arbitragem duma disputa entre Colômbia e Peru, e em 1935 entre Bolívia e Paraguai. Nesta ocasião o tratado foi anulado pelos seus membros; e, quando em 1942 se tentou revivê-lo, o Brasil não aceitou, alegando que os tratados entre dois ou três países, como era o do ABC, deviam dar lugar a tratados internacionais. De fato, em 6 de março de 1945 veio a firmar-se a Ata de Chapultepee - declaração da Conferência Interamericana reunida no México; nela se regulava a solução de conflitos, se advogava a consulta mútua, e se apresentavam princípios para resolver as contendas por motivo de fronteiras e agressão armada. (Da Enciclopédia Brasileira Globo, volume 1)