segunda-feira, 2 de março de 2026

SEXAGÉSIMO PRIMEIRO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã.

CHUVA - Ontem na entrada da noite, ela não deu as caras, mas botou o nariz: quase chove por aqui. A lua estava encoberta, o que parecia, pelo tempo bom, uma chuva ainda no começo da noite.

LINGUAGEM - Beneficente

É comum a confusão da palavra beneficente com beneficiente, que não existe.


PROVÉRBIO

As coisas fingidas não duram muito e por si descobrem.

domingo, 1 de março de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

SEXAGÉSIMO DIA 

TEMPO - Nublado e frio pela manhã.

HUMOR

A professora fala pra Joãozinho:

- Diga três partes do corpo com a letra "z".

Ele respondeu:

- Zóio, zoreia e zovido.

Aí a professora fala:

- Adivinhe a sua nota! Também começa com "z".

- Ah, deve ser um zoito. 

(Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - Fevereiro/2026)

HISTÓRIA ANTIGA

Pedro Malasarte em "Malasarte pão e vinho"

Uma vez, caminhava Pedro Malasarte pela estrada, rumo à cidade, onde ia procurar emprego. Lá pelas tantas, encontrou o barbeiro Bonifácio e o alfaiate Jeroboão, que também iam na mesma direção. Eram dois espertalhões, o barbeiro e o alfaiate, sempre prontos a passar a perna nos outros. E não seria Pedro Malasarte quem iria escapar da lábia deles.

Imaginem que nenhum dos dois levava farnel, embora a viagem fosse longa. Tratava-se de uma senhora caminhada! Já estava escurecendo e daí a pouco teriam de parar para passar a noite em algum lugar.

Acontece que a noite caiu antes que encontrassem casa ou hospedaria onde pudessem pedir pousada. O jeito foi se acomodarem da melhor maneira à beira da estrada. Aí o barbeiro disse:

- Ai, que meu estômago já está colado nas costas! Tem alguma coisa na sacola que traz no ombro, amigo Malasarte?

- Só um pãozinho que minha mãe me deu antes de eu sair de casa - respondeu nosso herói. - E um pouco de vinho.

- Pão e vinho? - intrometeu-se o alfaiate. - É o quanto basta para nossa missa. Vamos repartir isso!

Malasarte, porém, sabia que ainda teriam, na manhã seguinte, muito que andar - só chegariam à cidade por volta do meio-dia - e por isso respondeu:

- Meus bons amigos, tenho uma ideia melhor. Dizem que o sono é o melhor alimento. Estamos cansados, não estamos? Então vamos aproveitar e ferrar no sono agora mesmo. Amanhã de manhã, assim que acordarmos, repartimos o meu farnel e logo nos sentiremos bem dispostos para prosseguir a viagem. 

Meio a contragosto, seu companheiros de viagem tiveram de concordar, mas cada um já pensando em como haveria de se apoderar do farnel de Malasarte enquanto este dormia.

Dito e feito. Trocaram boas noites, cada um virou para seu lado e, mal ouviram nosso herói ressonar, barbeiro e alfaiate trataram de espichar a mão para a sacola.

Só que, como não haviam combinado entre si, ficou um puxando de cada lado, com todas a força, e a sacola não se mexia. No escuro, começaram a ficar com medo: estaria aquela sacola encantada? Não saía do lugar, por mais que puxassem! E não era Pedro Malasarte quem a estava segurando, pois ele nem havia acordado com aquilo tudo.

Finalmente, no meio de um sonho, o dono da sacola passou o braço por cima dela e os dois malandros ficaram a noite inteira esperando que ele tirasse o braço para tentar novamente.

Já quase amanhecendo, com os olhos muito vermelhos, o barbeiro olhou para a cara do alfaiate:

- Amigo Jeroboão, estamos fritos se daqui a pouco tivermos de repartir por três o farnel deste pateta que está roncando aí no chão. Precisamos dar um jeito de ficar com a refeição só para nós.

- Bonifácio, meu caro - retrucou o alfaiate - pode deixar comigo. Tenho uma ideia. Tratemos de dormir um pouco. De manhã, vamos propor ao Malasarte o seguinte: quem contar o melhor sonho, fica com tudo, o pão e o vinho. É claro que se for um de nós, repartirá com o outro.

O barbeiro concordou e ambos trataram de dormir, pois, até então, com o estômago roncando, não haviam pregado olho. E como dormiram!

Ao acordar, com o sol nascendo, Pedro Malasarte deu com os dois ressonando alto, profundamente adormecidos. E disse para si mesmo:

- O sono é o melhor alimento. O negócio é deixá-los dormir. Quanto a mim, que estou acordado, vou tratar de comer, que a fome é grande.

E com muita satisfação devorou o seu pãozinho e o regou, depois, com o vinho que trazia.

Em seguida, como ainda era cedo, deitou-se novamente e acabou cochilando.

Naquela modorra, viu quando Bonifácio e Jeroboão despertaram e tiveram esta conversa:

- Como é, amigo Bonifácio? Sonhou alguma coisa que se aproveitasse? - perguntou o alfaiate.

- Puxa, se sonhei! - respondeu o barbeiro. - Imagine que eu estava no céu, fazendo a barba de todos os santos! Que felicidade. E você, Jeroboão?

- E eu, então? - retrucou o alfaiate. - Pois mal fechei os olhos me vi direitinho, mas no inferno, cara a cara com o Diabo. E quer saber do que mais? Ele queria uma roupa nova, bem vermelha! Estava tirando as medidas, quando acordei. Que cheiro de enxofre.

- Duvido que o pateta do Malasarte tenha sonhado alguma coisa que preste - disse o barbeiro. - Vamos tratar de acordá-lo e fazer a ele a nossa proposta!

E mais do que depressa deram duas ou três sacudidelas no companheiro, que continuava abraçado com sua sacola.

Fingindo que acordava de um sono profundo, Pedro Malasarte esfregou os olhos e com cara de tolo ouviu a proposta dos dois espertalhões. Quem contasse o melhor sonho comeria o farnel todo. Mas Malasarte perguntou, soltando um enorme bocejo:

- Farnel? Que farnel?

- Ora, esse aí que você carrega na sacola! - exclamaram Bonifácio e Jeroboão.

- Meus amigos, o farnel já era - disse Malasarte. - Acabei de comê-lo indagora! E chorando!

- Chorando? - repetiram os dois malandros, entre perplexos e desapontados.

- E como não haveria de chorar? - continuou Malasarte. - Pois sonhei que havia perdido meus pobres companheiros! Imaginem só que vocês dois haviam morrido. O meu bom amigo aqui, o barbeiro Bonifácio, uma alma pura, tinha sido levado para o céu, por um anjo, para fazer a barba de todos os santos. Como estava feliz! Já o meu ainda melhor amigo aqui, o alfaiate Jeroboão, que deve estar devendo alguma coisa a São Pedro, estava com dois olhos assim arregalados porque foi parar direitinho no inferno - e  com a incumbência de fazer imediatamente uma roupa nova para o Diabo!

Bonifácio e Jeroboão se entreolharam, boquiabertos.

- Bem, meus amigos - prosseguiu Malasarte. - Eu nunca soube que alguém tivesse ido parar no céu ou no inferno e depois voltado para este mundo. Por isso, muito tranquilamente, ainda com lágrimas nos olhos, abri minha sacola e tratei de comer o meu pãozinho, regando-o depois com minha meia garrafa de vinho. Foi o jeito que achei de me consolar.

E notando a cara desapontada dos dois, concluiu:

- Mas que caras são essas? Então vocês escapam de ir desta para a melhor e não ficam alegres? Vamos cantar e dançar, minha gente!

Começou a cantar e a bater palmas, enquanto Bonifácio e Jeroboão, muito sem jeito, mas para disfarçar, ensaiavam dois ou três passos.

Depois, com a barriga roncando, prosseguiram a viagem. Malasarte ia lépido, na frente. Seus companheiros, trocando as pernas, nal podiam acompanhá-lo. Mas afinal chegaram, mais mortos do que vivos, à cidade.

(Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte", de Sérgio Augusto Teixeira).

LINGUAGEM - Arguir

Além do sentido de fazer perguntas a aluno, o verbo tem muitos outros, encontráveis em qualquer dicionário. Precisamente a acepção tão corrente na linguagem escolar é que falta na memória dos léxicos. Só Francisco Fernandes a consignou, abonando-se com o seguinte exemplo de Rui Barbosa, tomado à sua tradução das "Lições de Coisas".

"Nesta fase do ensino, argua o mestre os alunos, com perguntas deste gênero". 

Arguir também quer dizer acusar, no sentido de censurar. Constrói-se com "de".

No período de D. Silvério, anotado pelo consulente, significa, por igual, acusar, mas na acepção de revelar, denotar, inculcar. Diz assim:

"Minha presença nesta respeitável assembleia das letras pátrias argui em mim uma temeridade pouco explicável em meus anos..." (Aires da Mata Machado Filho)

Arguir é uma entre muitas palavras desconhecidas desta geração.

PROVÉRBIO DE LÚLIO - A justiça reluz no o príncipe e a lealdade do povo.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

QUE PALAVRA!

Blandicioso

Carinhoso, caricioso. (Silveira Bueno)

Carinhoso; terno; meigo. "Vamos, sente-se aqui, disse a mãe, blandiciosa". (Dicionário UNESP)

"Quando sabia que um lavrador ou criador estava em dificuldades financeiras, procurava-o, blandicioso, e oferecia-lhe um empréstimo, pedindo como garantia terras ou gado num valor que em geral correspondia ao dobro ou ao triplo do capital emprestado". (Aguinaldo Silva, personagem de  "O tempo e o vento", de Érico Veríssimo, que aportou em Santa Fé)


QUINQUAGÉSIMO NONO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã.

DESAFIO

Assinale a alternativa correta que está na ordem direta: "Serviu Jacó os primeiros sete anos a Labão". 

a) Serviu os primeiros sete anos Jacó a Labão

b) A Labão serviu os primeiros sete anos Jacó

c) Os primeiros sete anos serviu Jacó a Labão

d) Jacó serviu a Labão os primeiros sete anos

e) Os primeiros sete anos Jacó serviu a Labão

SAÚDE - O cuidado com as moscas nesse período deve ser dobrado.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

QUINQUASÉSIMO OITAVO DIA

TEMPO - Nublado e frio.

CHUVA - De ontem pelo fim da noite para a manhã de hoje tivemos uma neblina de 3 mm. Pouco, mas o necessário para esfriar o tempo e animar todo mundo.

LINGUAGEM - Conglomerado verbal

Apanhar mosca: vadiar

PROVÉRBIO

As coisas feitas com ordem chegam-se à perfeição.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO SÉTIMO DIA

TEMPO - Pela manhã, nuvens formadas por uma bela barra a leste.

HOJE - Dia do comediante

LINGUAGEM - Bahia, baía e baia: três palavras parecidas, mas com significados idferentes.

Bahia: todo mundo sabe - um Estado do Brasil.

Baía: pequeno golfo.

Baia: Compartimento ou espaço de um estábulo onde se guardam animais.

PROVÉRBIO

As coisas duras quebrantam-se com ferro e as moles desfazem-se com os dedos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMMO SEXTO DIA

TEMPO - Céu limpo, sol forte, temperatura amena pela manhã.

LINGUAGEM- Barbarismo 

Não é embigo como muitos dizem. Umbigo é o correto.

Barbarismo, segundo Luiz A. P. Vitória em seu livro "Tira-dúvidas de Português", é qualquer palavra estranha ao vernáculo, qualquer erro de grafia, de prosódia, etc. Ocorre, portanto, em embigo-umbigo um barbarismo gráfico.

PROVÉRBIO

As coisas dos amigos não enfadam.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO QUINTO DIA

TEMPO - Céu limpo. Calor pela tarde.

LINGUAGEM - "Frente a"

Embora muito utilizada no "economês", sobretudo quando se fala do mercado de câmbio ("O dólar frente ao real"), a expressão "frente a" não é acolhida no padrão culto da língua. Nesse registro e nesse contexto, a expressão corrente é "em relação a":

O dólar se desvalorizou em relação ao real. (Dicas de Pasquale)

TRÂNSITO - Colho de "Smalville - As aventuras do Superboy" a seguinte lição: Lex Luthor sofre um grave acidente e o herói o salva. Lex pergunta ao pai do herói a maneira de retribuir pelo o que ele fez. O pai responde: "Dirija mais devagar". 

SAÚDE - Estudiosos alertam para algo relacionado ao nosso coração: levantar bruscamente não é saudável e até perigoso. Tomar café logo depois de acordar também não é bom.

E qual o correto? É levantar-se devagar, tomar um copo d'água e caminhar ou correr, se for o caso.

Como um motor de carro ou moto - No nosso corpo tem um motor muito importante e até indispensável à vida. Um motor, sendo acionado a ponto de fazer o automóvel correr sem aquecer, pode parar de vez. Eis a similaridade.



PROVÉRBIO

As coisas dos amigos hão de ser comuns.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO QUARTO DIA

TEMPO - Céu sem nuvens. Nuvens pela tarde. Nenhuma previsão para chuva.

ESCOLA - É hoje

Início das aulas na rede estadual de ensino.

Em Upanema, as escolas Calazans Freire e Alfredo Simonetti iniciam as aulas. O Calazans, do Ensino Médio; o Alfredo, Ensino Fundamental.

LINGUAGEM

Cacofonia - É o encontro de de fonemas de diferentes vocábulos, dando origem a uma terceira palavra, às vezes obscena: Boca dela.

Eufonia - É o oposto de cacofonia.

SAÚDE - Tem que se mexer, é o slogan dos profissionais da saúde e educação física.

PROVÉRBIO

As coisas contrárias postas a par melhor aparecem.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

QUINQUAGÉSIMO TERCEIRO DIA

TEMPO - Nuvens esparsas. Amenidades no clima.

FRASE - "Serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente". (Sêneca, em conselhos a Lucílio)

HUMOR  - Dois amigos:

- Mas você não se cansa de ficar sempre deitado, sem fazer nada?

- Não. Quando estou cansado, durmo um belo sono e descanso. (Seleção de Irmão José Rovani, FSC/ Toledo/PR - Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - Fevereiro/2026)

HISTÓRIA ANTIGA 

Pedro Malasarte, em "De quem é a terra que a gente pisa"?

Acontece que naquele tempo era proibido caçar nas terras do Barão Mâo-de-Ferro, onde viviam centenas dos mais gordos coelhos do reino, saltando de um lado para o outro à vontade. O barão era um fidalgo muito mal-humorado e tratava a todos com desprezo e arrogância.

Pois não é que Pedro Malasarte resolveu caçar justamente nas terras do barão?

Um belo dia, bem cedo, de espingarda ao ombro, lá se foi ele, disposto a trazer pelo menos uma dúzia dos melhores coelhos do barão.  Afinal, na panela de Serafina, a mãe de Pedro Malasarte, havia muitos dias que não entrava nem um osso para fazer uma sopinha.

Nosso herói ia assobiando pelo caminho, certo de que seria fácil tapear o barão. Mas não contava com os guardas que o fidalgo espalhara pela floresta e que, tão logo o viram, foram logo contar ao barão que havia nada mais, nada menos do que um caçador nas suas terras.

Mas estavam lidando com um grande espertalhão. Logo que apanhou os dois primeiros coelhos, Pedro Malasarte saiu das terras do barão e chamou um lavrador que ia passando na estrada com sua velha carroça cheia de terra, propondo-lhe trocar os coelhos pela carroça e pela terra - e ainda dava a espingarda de lambujem. Não estava mesmo precisando dela, tantos coelhos havia pulando ao seu redor. Bastava apanhá-los pelas orelhas e metê-los no saco que trazia. O lavrador aceitou a troca e foi-se embora, muito feliz da vida com sua nova espingarda e seus dois coelhos.

Pedro Malasarte, mais que depressa, colocou um bonito molho de cenouras, tiradas de uma horta próxima, no alto da carroça e tornou a entrar com ela nas terras do impiedoso fidalgo.

Os coelhos têm um faro especial para cenouras. Logo que viram aquelas que estavam na carroça, tão lindas, começaram a pular para cima desta, às dúzias. Pedro Malasarte, encarapitado em cima da terra que estava na carroça, ia cantando:

- Um... dois... três... cinco... nove...

Quando chegou a quarenta e oito, ouviu-se um tropel de cavalos e o Barão Mão-de-Ferro apareceu, espumando de raiva:

- Com que então, miserável camponês, não sabes que é terminantemente proibido pôr os pés nas minhas terras? Serás enforcado por isso!

- Perdão, senhor, mas está havendo um engano - disse Malasarte sem se alterar.

- Como? Ousas me contradizer? Então não estou te vendo pisar nas minhas terras, cercado dos meus coelhos?

- Não - replicou Malasarte - O senhor está me vendo pisando nas minhas terras, cercado dos meus coelhos!

- Este camponês é um louco! - berrou o barão. - Peguem-no e enforquem-no!

Os soldados iam obedecer quando se ouviu uma trombeta.

- É o rei! É o Rei Gustavo que está chegando! - gritaram todos.

Era mesmo o rei, aquele mesmo rei que ficara muito amigo de Pedro Malasarte quando este era um meninote de sete anos. O rei já estava velhinho, mas continuava bondoso e bem-humorado. Aproximando-se com sua comitiva, perguntou o que estava acontecendo.

- Senhor - respondeu o barão, respeitosamente. - Surpreendi este camponês pisando nas minhas terras e cercado dos meus coelhos, quando todos sabem que isso é terminantemente proibido, sob pena de enforcamento!

- É verdade, Pedro Malasarte? - indagou o rei.

- Bem, Majestade - respondeu nosso herói. - No meu entender, estou pisando nas minhas terras e cercado dos meus coelhos.

- Como assim? - quis saber o rei, curioso de como aquilo iria acabar.

Gostaria de salvar seu amigo Malasarte das mãos do perverso barão, mas não sabia como.

- Acontece, Majestade, que troquei esta carroça cheia de terra pela minha espingarda ainda esta manhã. Quer dizer que estou pisando na minha terra. 

Todos caíram na gargalhada, inclusive o bom Rei Gustavo, que deu razão a Pedro Malasarte:

Meu amigo barão, como podes querer enforcar um pobre camponês por estar pisando na sua própria terra? - perguntou ao furioso fidalgo, que foi o único a não achar aquilo nada engraçado.

Está bem, eu concordo - retrucou o Barão Mão-de-Ferro, mordendo os lábios. - Mas também é proibido caçar por aqui e a carroça do camponês está cheia de coelhos!

- Quando um coelho teu foge pela cerca e vai parar no terreno do vizinho, pertence a ele, não é verdade? - indagou o rei, sempre bem humorado.

Infelizmente, Majestade, quando meus coelhos fogem para terra alheia, são caçados sem que eu possa dar um pio! - concordou o barão.

- Pois então, do que estás te queixando? - concluiu o rei. - Teus coelhos pularam para dentro da carroça de Malasarte... Ou a terra que está na carroça também é tua?

Compreendendo que havia sido derrotado, o barão esporeou seu cavalo e partiu com os soldados de volta a seu castelo, soltando fumaça pelas orelhas, tamanha era sua raiva.

Pedro Malasarte, tranquilamente, pegou as rédeas do burrico que puxava a carroça e, depois de colocar seus quarenta e oito coelhos no saco, saiu das terras do barão.

O Rei Gustavo sorria para ele, como quem diz: "Desta vez te safaste de boa, meu bom amigo Malasarte..." (Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte", de Sérgio Augusto Teixeira).

"INTERNET" DE ANTIGAMENTE

Abélia - Botânica - Gênero de arbustos da família das caprifoliáceas, com 18 espécies oriundas da China e 2 do México. Atingem 1 - 2 metros de altura e apresentam folhas opostas, sem estípulas. Muito apreciadas pela beleza e pelo perfume de suas grandes flores brancas, róseas ou avermelhadas, agrupadas em cimeiras, são cultivadas, inclusive no Brasil. Entre elas sobressai a espécie Abelia chinensis, pela folhagem escura e luzente. (Enciclopédia Brasileira Globo, volume 1)



sábado, 21 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO SEGUNDO DIA

TEMPO - Nuvens esparsas. Sol forte pela manhã.

LINGUAGEM - Os sons da fala

Os sons de nossa fala resultam quase todos da ação de certos órgãos sobre a corrente de ar vinda dos pulmões.

Para a sua produção, três condições se fazem necessárias:

a) a corrente de ar;

b) um obstáculo encontrado por essa corrente de ar;

c) uma caixa de ressonância.

Estas condições são criadas pelos órgãos da fala, denominadas, em seu conjunto, aparelho fonador.

De que é constituído o aparelho fonador?

Em outra postagem, compartilharei com os leitores essa informação. (Contribuição de Celso Cunha)

SAÚDE - Ela voltou a nos perturbar. Em cada canto da cidade ela está presente. Falo da gripe de todos os anos. Até parece que o mesmo vírus fica à espreita esperando chegar o tempo de atacar. 

Canetas - As ditas canetas emagrecedoras estão fazendo mais mal do que bem.

Há outras formas de se perder peso, como as dietas e exercícios físicos.

Entretanto, muitos preferem as canetas.


QUE PALAVRA!

Féria

Importância das  vendas realizadas por uma casa comercial num dia, numa semana, num mês, num ano. (Antenor Nascentes)

Dia semanal. Salário de trabalhador. Soma dos salários da semana. Em casa comercial, a quantia  apurada mediante vendas. (Aurélio)

Encontramos a palavra "féria", desconhecidíssima de muitas pessoas, em Fernando Sabino, em seu livro "A cidade Vazia":

Bandidos armados deram ultimamente para assaltar os motoristas de ônibus nos fins de linha, roubando-lhes a féria do dia.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO PRIMEIRO DIA

TEMPO - Céu azul e ligeira nublagem. Risco no ar. Céu aberto, com sol, pela tarde.

QUEM SABE O SIGNIFICADO?

Quem sabe o que significa "féria"?

SAÚDE - Senhoras moscas

Nem precisamos gastar o verbo para expressarmos acerca dos males das moscas. Diremos apenas que o período de seu senhorio é este. Em todo canto que estamos, lá estão elas. Por mais que as afugentemos, elas não nos largam. Morrem em curto período, mas não faltam ao nosso redor. A reprodução é rápida talvez igual à extinção.

LINGUAGEM - Locução adjetiva

Em geral, a locução adjetiva é formada por uma preposição e por um substantivo:

líquido sem cheiro: líquido inodoro
paixão sem freio: paixão desenfreada
material de escola: material escolar.

Outra são formadas com preposição e advérbio:

notícia de hoje
casa de antigamente
conversa de sempre.

SAÚDE - Dicas para um bem-estar saudável

Para um melhor bem-estar, primeiramente você deve:

Começar bem o dia: Levante, se espreguice, pois espreguiçar ajudar a alongar toda a musculatura corporal. Sempre procure tomar líquidos pela manhã para manter o seu organismo hidratado. 

Cuidar da alimentação: Uma boa alimentação é essencial para se ter bem-estar, pois ajuda na prevenção de doenças nutricionais que impedem uma boa saúde física e mental. 

Movimente-se: Fazer exercício físico regularmente colabora para atingir e manter o peso saudável, além de ser um dos segredos da longevidade. 

Controle seu estresse: Saber administrar o estresse é algo muito importante para manter o auto-c0ntrole. Um grau elevado de estresse pode causar, em muitos casos, acidentes, além de variados problemas em sua saúde. (Dicas de Ricardo Bulat - Caçador/SC - Folhinha Sagrado Coração de Jesus/2026)

Todas as dicas a cima são conhecidas do leitor e até de quem não sabe ler. O problema está no fato que nós humanos somos indisciplinados e não observamos o que se deve.



PROVÉRBIO

As coisas contrárias com as contrárias se curam.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO DIA

TEMPO - Nublado e frio pela manhã. Trovões pela tarde.

CHUVAS - Estão escassas e já desperta nos agricultores uma suspeita de que não teremos um bom inverno. 

LINGUAGEM - Origem da nossa língua portuguesa

A língua portuguesa provém do latim, que se entronca, por sua vez, na grande família das línguas indo-europeias, representada hoje em todos os continentes.

De início, simples falar de um povo de cultura rústica, que vivia no centro da Península Itálica, a língua latina veio, com o tempo, a desempenhar um extraordinário papel na história da civilização ocidental, "menos por suas virtudes do que pelo êxito político do povo que dela se servia". Edouard Bourciez. (Comentário de Celso Cunha, em "Gramática da Língua Portuguesa")

A língua - Como mãe da nossa língua, deveria acompanhá-la no currículo das nossas escolas. Caberia e cabe no lugar de muitas outras que em nada ajudam na formação intelectual dos nossos alunos.

PROVÉRBIO

As coisas bem cuidadas, se não sucedem, não perecem.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO NONO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã. O calor grassa.

CHUVAS - Sumiram. 

LINGUAGEM  - Onde está o amor? (The Fevers)

Uma bela prosopopeia

Onde está o amor?
Eu preciso encontrar
Onde está o amor?
Ninguém sabe explicar.

O amor é ternura e carinho
É o motivo da gente viver
Em seus olhos eu vejo a verdade
O amor só existe em você.

Onde está o amor?
Ninguém sabe responder
Onde está o amor?
Alguém tem que me dizer.

Perguntei às estrelas e à lua
E até ao mar perguntei
Mas a brisa que passa me avisa
Que o amor eu ainda acharei.

Onde está o amor?
Onde está o amor?
Uô-uô-uô, uh-uh-uh, hmm.

Onde está o amor?
Não consigo descobrir
Onde está o amor?
Já lutei, não consegui.

Dizem que só o amor vale a vida
Mesmo que seja ilusão
Hoje eu sei que eu vivo sonhando
Com o amor junto ao meu coração.

Onde está a prosopopeia?

Está na estrofe:

Perguntei às estrelas e à lua
E até ao mar perguntei
Mas a brisa que passa me avisa
Que o amor eu ainda acharei

As estrelas, a lua e o mar não responderam onde estaria o amor. A brisa é que avisou que o eu lírico ainda acharia o amor.

Seres inanimados falam, pensam e sugerem.




PROVÉRBIO

As coisas bem concertadas, às pedras parecem bem.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

PROVÉRBIO

As coisas árduas e lustrosas se alcançam com trabalho e fadiga.

QUADRAGÉSIMO OITAVO DIA

TEMPO - Sol forte pela manhã.

O carnaval dos animais - Pausa

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se.

Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:

- Vais sair de novo, Samuel?

Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fonte calca; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.

- Todos os domingos tu sais cedo  - observou a mulher com azedume.

- Temos muito trabalho no escritório.

Ela olhou os sanduíches:

- Por que não vens almoçar?

- Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.

A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga, Samuel pegou o chapéu:

- Volto de noite.

As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes imóveis, as barcaças atracadas. 

Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotelzinho velho e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:

- Ah! seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...

- Estou com pressa, seu Raul - atalhou Samuel.

- Está bem, não vou atrapalhar - Estendeu a chave. - É o de sempre.

Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. 

Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:

- Aqui, meu bem! - uma gritou, a outra riu.

Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha-de-cabeceira.

Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fecho os olhos.

Dormir.

Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.

Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.

Samuel dormia. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas,, corriam, perseguidor e perseguido.

Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhado de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois fez-se silêncio.

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. 

Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista. 

- Já vai, seu Isidoro?

- Já - disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu  troco em silêncio. 

- Até domingo que vem, seu Isidoro - disse o gerente.

- Não sei se virei - respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.

- O senhor diz isto, mas volta sempre - observou o homem, rindo.

Samuel saiu. 

Guiou lentamente ao longo do cais. Parou um instante para olhar os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois seguiu para casa.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO SÉTIMO DIA

TEMPO - Nublado.

CARNAVAL

O carnaval dos animais - As ursas

O profeta Eliseu está a caminho de Betel. O dia é quente. 

Insetos zumbem no mato. O profeta marcha em passo acelerado. Tem missão importante, em Betel. 

De repente, muitos rapazinhos correm-lhe no encalço, gritando:

– Sobe, sobe, calvo! Sobe, calvo! 

Volta-se Eliseu e amaldiçoa-os em nome do Senhor; pouco depois, saem da mata duas grandes ursas e devoram 42 meninos: doze a menor, trinta a maior. 

A ursa menor tem digestão ativa; os meninos que caem em seu estômago são atacados por fortes ácidos, solubilizados, reduzidos a partículas menores. Somem-se. 

O mesmo não acontece aos trinta meninos restantes. Descendo pelo esôfago da grande ursa, caem no enorme estômago. Ali ficam. A princípio, transidos de medo, abraçados uns aos outros, mal conseguem respirar; depois, os menores 27começam a chorar e a se lamentar, e seus gritos ecoam lugubremente no amplo recinto. “Ai de nós! Ai de nós!” 

Finalmente, o mais velho acende uma luz e eles se veem num lugar semelhante a uma caverna, de cujas paredes anfractuosas escorrem gotas de um suco viscoso. O chão está juncado de resíduos semiapodrecidos de antigas presas: crânios de bebês, pernas de meninas. “Ai de nós!” – gemem. – “Vamos morrer!” 

Passa o tempo e, como não morrem, se animam. Conversam, riem: fazem brincadeira, pulam, correm, jogam-se detritos e restos de alimentos. 

Quando cansam, sentam e falam sério. Organizam-se, traçam planos. 

O tempo passa. Crescem, mas não muito; o espaço confinado não permite. Tornam-se curiosa raça de anões, de membros curtos e grandes cabeças, onde brilham olhos semelhantes a faróis, sempre a perscrutar a escuridão das entranhas. E ali fazem a sua cidadezinha, com casinhas muito bonitinhas, pintadas de branco. A escolinha. 

A prefeiturazinha. O hospitalzinho. E são felizes. 

Esquecem do passado. Restam vagas lembranças, que com o tempo adquirem contornos místicos.

Rezam: “Grandes Ursas, que estais no firmamento...”. Escolhem um sacerdote – o Grande Profeta, homem de cabeça raspada e olhar terrível; uma vez por ano flagela os habitantes com o Chicote Sagrado. Fé e trabalho, exige. O povo, laborioso, corresponde. Os celeirinhos transbordam de comidinhas, as fabricazinhas produzem milhares de belas coisinhas.

Passa o tempo. Surge uma nova geração. Depois de anos de felicidade, os habitantes se inquietam: por um estranho atavismo, as crianças nascem com longos braços e pernas, cabeça bem proporcionada e meigos olhos castanhos. A cada parto, intranquilidade. Murmura-se: “Se eles crescerem demais, não haverá lugar para nós”. Cogita-se de planificar os nascimentos. O Governinho pensa em consultar o Grande Profeta sobre a conveniência de executar os bebês tão logo nasçam. Discussões infinitas se sucedem. 

Passa o tempo. As crianças crescem e se tornam um bando de poderosos rapazes. Muito maiores que os pais, ninguém os contém. Invadem os cineminhas, as igrejinhas, os clubinhos. Não respeitam a polícia. Vagueiam pelas estradinhas. 

Um dia, o Grande Profeta está a caminho de sua mansãozinha, quando os rapazes o avistam. Imediatamente, correm atrás dele, gritando:

– Sobe, calvo! Sobe, calvo! 

Volta-se o Profeta e os amaldiçoa em nome do Senhor. Pouco depois, surgem duas ursas e devoram os meninos: quarenta e dois. 

Doze são engolidos pela ursa menor e destruídos. Mas trinta descem pelo esôfago da ursa maior e chegam ao estômago – grande cavidade, onde reina a mais negra escuridão. E ali ficam chorando e se lamentando: “Ai de nós! Ai de nós!” 

Finalmente, acendem uma luz. 

LINGUAGEM  

Despercebido e desapercebido

Despercebido: não notado.

Desapercebido: desprovido, despreparado.

PROVÉRBIO

Paciência é bom para a vista.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

QUADRAGÉSIMO SEXTO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã. Perspectivas para chuva hoje. 

CHUVA - Ontem choveu 4 mm.

Até agora, as chuvas batem com as previsões dos estudiosos e profetas das chuvas: poucas por aqui.

ROUPA - As árvores vestem-se verde nesse período. Basta uma chuva para que a paisagem mude de modo extraordinário.

GRAMÁTICA - Fonemas

Comparemos as palavras abaixo:

Nossa, roça, longe, laje, nós, voz, cedo, seu, exprimia, escutava, chegou, frouxo.

Cada conjunto de palavras acima têm sons iguais e letras diferentes: "nossa" e "roça" têm o "ss" com som igual ao da "roça", "ç". É o que chamamos de fonemas. Os nossos ouvidos captam os sons das letras ao passo que ouvimos e ouvimos as palavras.

FRASE - "Certos momentos nos são tomados, outros nos são furtados e outros ainda se perdem no vento". (Sêneca)

TROVÕES - Tarde marcada por chuva e trovões. Um grande trovão abalou a cidade. Falta de energia por um instante.

HUMOR

Alberto liga para um amigo:

- Aderbal, vem correndo me ajudar! Estou preso aqui na delegacia.

- Eu não fiz nada!

- Ah! Então eu não vou, não!

- Não vem, por quê?

- Ué! Se estão prendendo quem não faz nada, irão me prender  também. (Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - Janeiro/2026)

HISTÓRIA ANTIGA

Pedro Malasarte em "No fundo do lago":

Na cidade onde morava Pedro Malasarte havia um bonito lago, no meio de um grande parque onde as pessoas iam passear no domingo.

Quando já estava com seus quinze anos, Pedro Malasarte, um dia, amarrou uma corda entre duas árvores que ficavam nas margens do lago e anunciou que iria dançar em cima da corda. Era justamente no domingo, e o parque estava cheio.

Logo se juntou uma verdadeira multidão em torno do lago e Pedro Malasarte, que, como vimos, desde bem pequeno já levava jeito para malabarista e saltimbanco, andou pela corda de um lado para o outro, plantou bananeira, pulou e dançou como ninguém. E ao descer, passando um chapéu entre os presentes, este logo se encheu de moedas. Todo mundo aplaudiu a proeza de Malasarte, que aliás era muito querido.

Chegando em casa, despejou as moedas no colo da mãe, pois as coisas não iam muito bem para o padeiro Nicolau, seu pai, e a família atravessava dificuldades. Ficou só com uma moedinha para ele.

No domingo seguinte, Pedro Malasarte resolveu repetir  a façanha. Amarrou a corda entre as duas árvores, anunciou o seu número e preparou-se para executá-lo.

Acontece que um grupo de jovens ricos, invejosos da popularidade daquele filho de padeiro que entrava e saía da casa de todo mundo à vontade - e até do palácio do rei, que continuou seu amigo desde aquele dia em que o vira bancar o artista de circo - resolveram pregar-lhe uma peça. 

Cortaram a corda até a metade, de forma que Pedro Malasarte chegou a caminhar até o meio do lago, fazendo piruetas que deixavam o povo arrepiado.

No terceiro salto mortal, porém, a corda meio cortada arrebentou e o malabarista veio lá de cima bater na água. Foi até o fundo e voltou para ouvir a gargalhada geral do público, que apontava para ele e ria - principalmente um grupinho de filhos de nobres que ele conhecia muito bem. 

Naquele domingo não pôde recolher nem uma só moeda para ajudar em casa.

Pedro Malasarte passou a semana toda esperando que chegasse um novo domingo. E, mal este amanheceu, já estava no parque, amarrando sua corda entre as duas árvores da beira do lago. Ia fazer coisas incríveis - dizia.

Quando se viu cercado de espectadores, dirigiu-se ao grupo de jovens que maldosamente havia cortado a corda no domingo anterior e anunciou:

- Se cada um de vocês me emprestar um pé de cada sapato, eu dançarei com todos eles na corda bamba!

Os jovens se entreolharam, desconfiados.

- E se eu não conseguir, podem me dar uma boa surra.

É claro que Pedro Malasarte não conseguiria dançar na corda com tantos sapatos. E diante da perspectiva de lhe dar uma boa surra, os maldosos jovens não hesitaram: tirou cada um deles um pé de sapato e lhe entregaram.

Malasarte subiu na corda com dificuldade e começou a caminhar por ela. Chegando bem no meio, por cima do lago, pôs-se a dançar alegremente. E a cada pirueta, jogava um pé de sapato para o alto. Eles iam cair no lago e afundavam imediatamente.

- Você nos enganou! - protestavam os jovens. - Vai apanhar mais que burro teimoso!

- Não enganei ninguém - respondeu Pedro Malasarte. - Prometi dançar com os sapatos e dancei com eles. Mas estão muito fedorentos e não há nada melhor que água para lavar coisas sujas.

E toca a jogar sapatos lá de cima... Quando acabou, correu pela corda, pulou para um galho, desceu pelo outro e sumiu por entre a multidão, considerando-se bem pago pelo vexame do outro dia.

Não é preciso dizer que os filhos dos nobres, sob uma vaia geral, tiveram de tirar as belas roupas e mergulhar no lago à procura de seus sapatos. Afinal, seria uma vergonha para eles voltarem para casa com um pé descalço. (Do livro "As  aventuras de Pedro Malasarte" - organizado por Sérgio Augusto Teixeira)

"INTERNET" DE ANTIGAMENTE

ABC - Países do ABC - Os três maiores Estados da América do Sul: Argentina, Brasil e Chile. Tendo exercido com êxito o papel de mediadores entre os Estados Unidos e o México em 1914, firmaram um tratado, em 1915, pelo qual os três países se dispunham a prover a resolução de conflitos, constituindo para tanto uma comissão permanente de arbitragem. Ainda em 1915 o Tratado do ABC funcionou na arbitragem duma disputa entre Colômbia e Peru, e em 1935 entre Bolívia e Paraguai. Nesta ocasião o tratado foi anulado pelos seus membros; e, quando em 1942 se tentou revivê-lo, o Brasil não aceitou, alegando que os tratados entre dois ou três países, como era o do ABC, deviam dar lugar a tratados internacionais. De fato, em 6 de março de 1945 veio a firmar-se a Ata de Chapultepee - declaração da Conferência Interamericana reunida no México; nela se regulava a solução  de conflitos, se advogava a consulta mútua, e se apresentavam princípios  para resolver as contendas por motivo de fronteiras e agressão armada. (Da Enciclopédia Brasileira Globo, volume 1)

sábado, 14 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO QUINTO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã. Pela tarde, pingos de chuva. Trovões.

LINGUAGEM - Acrografia - O que é?

Walmírio de Macedo responde:

É a representação de um conjunto de palavras, de uma locução por meio de suas letras iniciais. Exemplos:

Serviço Social da Indústria: SESI.

Departamento Administrativo do Serviço Público: DASP.

Os nomes de partido são exemplos de acrografia: PSD, MDB.

EDUCAÇÃO - Educação libertadora é aquela que ensina tão bem que liberta os alunos da ignorância e deixa-os preparados para concursos de toda qualidade.

CARNAVAL 

O carnaval dos animais - Os leões

Moacyr Scliar

Hoje não, mas há anos os leões foram perigo. Milhares, milhões deles corriam pela África, fazendo estremecer a selva com seus rugidos.  Houve receio de que eles chegassem a invadir a Europa e a América. Wright, Friedman, Mason e outros lançaram sérias advertências a respeito. Foi decidido então exterminar os temíveis felinos. O que foi feito da maneira que se segue. 

A grande massa deles, concentrada perto do Lago Tchad, foi destruída com uma única bomba atômica de média potência, lançada de um bombardeiro, num dia de verão. Quando o característico cogumelo se dissipou, constatou-se, por fotografias, que o núcleo da massa leonina tinha simplesmente se desintegrado. Rodeava-o um setor de cerca de dois quilômetros, composto de postas de carne, pedaços de osso e jubas sanguinolentas. Na periferia, leões agonizantes.

A operação foi classificada de “satisfatória” pelas autoridades encarregadas. No entanto, como sempre acontece em empreendimentos desta envergadura, os problemas residuais constituíram-se, por sua vez, em fonte de preocupação. Tal foi o caso dos leões radioativos, que, tendo escapado à explosão, vagueavam pela selva. É verdade que cerca de vinte por cento deles foram mortos pelos zulus nas duas semanas que se seguiram à explosão. Mas a proporção de baixas entre os nativos (dois para cada leão) desencorajou mesmo os peritos mais otimistas. 

Tornou-se necessário recorrer a métodos mais elaborados. Para tal criou-se um laboratório de treinamento de gazelas, cujo objetivo primário era liberar os animais do instinto de conservação. Seria fastidioso entrar nos detalhes deste trabalho, aliás muito elegante; é suficiente dizer que o método utilizado foi o de Walsh e colaboradores, uma espécie de brainwash adaptado a animais. Conseguido um número apreciável de gazelas automatizadas, foi ministrada às mesmas uma forte dose de um tóxico de ação lenta. As gazelas procuraram os leões, deixaram-se matar e comer; as feras, ingerindo a carne envenenada, vieram a ter morte suave em poucos dias. 

A solução parecia ideal; mas havia uma raça de leões (poucos, felizmente) resistente a este e a outros poderosos venenos. A tarefa de matá-los foi entregue a caçadores equipados com armamento sofisticado e ultrassecreto. Desta vez, sobrou apenas um exemplar, uma fêmea que foi capturada e esquartejada perto de Brazzaville. Descobriu-se no útero 24da leoa um feto viável; pouco radioativo, o animalzinho foi criado em estufa. Visava-se, com isto, a preservação da fauna exótica. 

Mais tarde o leãozinho foi levado para o Zoo de Londres onde, apesar de toda a vigilância, foi assassinado por um fanático. A morte da pequena fera foi saudada com entusiasmo por amplas camadas da população. “Os leões estão mortos!” – gritava um soldado embriagado. – “Agora seremos felizes!” 

No dia seguinte começou a Guerra da Coreia.


QUE PALAVRA!

Grifo

Enigma; questão embaraçada; elocução ambígua; animal fabuloso com cabeça de águia e garras de leão; sublinhado, frisado, traço que se passa debaixo de uma palavra ou expressão, cujo valor se quer remeter. Negrito, caráter mais preto, em tipografia, que faz as vezes do grifo. (Silveira Bueno)

A palavra acima é conhecida, cuido, pela maioria das pessoas, no sentido de palavra sublinhada ou aquele destaque que damos nas palavras, seja um negrito ou itálico. 

Há, entretanto, outro sentido, aquele em que encontramos em "Ortodoxia", obra do escritor russo G. K. Chesterton:

Se o ser humano concebe e gera um filho humano em vez de gerar um peixe, ou um morcego, ou um grifo, a razão pode não ser que tenhamos sido fixados em um destino animal sem vida ou propósito.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO QUARTO DIA

QUE PALAVRA!

O que significa "grifo"? 

TEMPO - Nublado pela manhã.

HOJE - Dia mundial do rádio.

LINGUAGEM - Simples assim: 

O substantivo é a palavra que dá nome aos seres em geral O que é um ser? Tudo o que tem nome é substantivo, seja animado ou inanimado: robô, Paraguai, definição.

SAÚDE - Afta ou sapinho

São inflamações da pele interna da boca, formando pequenas úlceras muito doloridas.

O que fazer?

Responde o estudioso das plantas Jaime Bruning:

- Cuide de ter boas digestões e boas eliminações pelo intestino.

- Faça bochechas com: amora-preta, amora-vermelha, tansagem, alfavaca, araticum.

- Passe suco de limão. Arde, mas elimina rápido.

- Tome uma colherada de óleo comestível junto após as refeições.

EDUCAÇÃO - Papel do professor é ensinar. Educação libertadora, com consciência crítica tem sido o entrave para que estudantes aprendam aquilo que precisam numa escola: conteúdos.

O papel difícil de educar é da família. A escola, mais que educar, precisa assumir o papel de ensinar, mais que educar.


PROVÉRBIO

 Muito riso, sinal de pouco siso.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO TERCEIRO DIA

TEMPO - Sol forte.

LINGUAGEM - Linguagem formal e não formal

A língua natural, básica, é a falada, que se diferencia de  duas formas: geograficamente (falares regionais) e culturalmente (níveis sociais).

A vulgar incorpora termos de gírias (e mesmo grosseiros), e nela não existe a mínima preocupação com a norma gramatical: é a língua dos analfabetos e semi e pessoas sem instrução. (Apontamentos de Adriano da Gama Cury e Ayla Pereira de Melo em "Meu livro de Português")

SAÚDE - O jeito correto de escovar

Apesar de muitos anos escovando os dentes - não só os dentes, mas a língua e aboca inteira - a gente não consegue fazê-la de maneira adequada. As gengivas precisam ser escovadas também. 

TRÂNSITO - Os sinais de "Pare", "Siga" e "Atenção" nos locais onde há sinalização nada dizem para quem nada ligam para as regrinhas mais básicas do trânsito. Até mesmo as setas não são acionadas por pessoas de muitos anos ao volante ou pilotando motos pequenas e grandes. Num período como este - os dias que se avizinham - a coisa se torna mais crítica.

Deveres básicos do condutor: 

Ter pleno domínio de seu veículo a todo momento, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito;

Verificar a existência e as boas condições de funcionamento dos equipamentos de uso obrigatório;
Certificar-se de que há combustível suficiente para a cobertura do percurso desejado. (Do "manual básico de segurança no trânsito)

O "dirigir com atenção" é uma prática obrigatória que nem precisava haver uma recomendação. Hoje isso tem sido um problema para muitos que não conseguem largar o celular mesmo ao volante.

FRASE: "Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em manicômios". (Chesterton em "Ortodoxia")

NATUREZA - O coaxar dos sapos é uma música - boa música aos ouvidos, vinda da natureza. Muitos acham um canto choco, mas eu não.


PROVÉRBIO

O homem robusto é o que dá o susto.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO SEGUNDO DIA

TEMPO - Céu sem nuvens pela manhã. Trovões pela tarde, belas nuvens e vento.

ESTILO DE VIDA  - Manual de sobrevivência

Não existe um jeito específico de sobreviver por mais anos, mas há alguns "rebolados" que podemos fazer ao longo da vida. Há estilos de vida que ajudam a vida a ser mais bem vivida.

Uma forma não tão recente é caminhada. A vida sedentária abreviou os dias de muitas pessoas que pensavam que seu conforto era tudo.

Mais recente por aqui - por que em outros países já é rotina - a corrida tornou-se quase uma obrigação para muitos.

Antes disso, a academia já era adotada como uma forma de fugir de algumas mazelas da vida.

O tipo de comida é uma das responsáveis pela vida saudável ou não.

LINGUAGEM - Vocábulos com radicais gregos

Caótica: Os vocábulos portugueses caos e caótica são de origem grega. O grego cháos já significava "abismo"; confusão de elementos em massa informe". Daí o emprego mais generalizado da palavra no sentido de "grande confusão". (Com informações de Adriano da Gama Cury e Ayla Pereira de Melo, em "Meu livro de Português")

SAÚDE - Prato colorido

Um prato saudável deve estar colorido. É a dica dos mais sabidos do que eu.

ESCOLA - O que é um alfabetizado?

Há uma discussão sobre o que é um alguém alfabetizado. É saber, além de decodificar as letras, entender o que lê. 

Um passo adiante é a produção de frases e depois pequenos ou textos maiores, dependendo do nível escolar. O que não se admite é alguém chegar no Ensino Médio e não conseguir entender um simples enunciado como "sublinhe o sujeito da frase" ou "encontre o x da questão".

Imagine um enunciado mais complexo de química ou física!




PROVÉRBIO

 Loucura é mal sem cura.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO DIA

TEMPO - Sol forte pela manhã.

LINGUAGEM

Textos como o que segue, causa estranheza aos alunos de hoje por causa de seu linguajar diferente. O fato não impede e até instiga os professores a levarem textos assim para a sala de aula, pois proporciona a eles a chance de conhecer palavras novas para seu vocabulário.

"[...] Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado. (Trecho de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis)

BARRAGEM - A nossa barragem, "Senador Jessé Pinto Freire", ou "Umari", como é mais conhecida, está em situação privilegiada em relação às outras do Estado. Já estávamos confortáveis antes das chuvas, muito mais agora. Estamos na faixa de 50% de sua capacidade total.

PROVÉRBIO

Já dizia minha avó: os erros do médico a terra os cobre.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã. Sol um pouco escondido. Agradável.

NEBLINA DE ONTEM PELA TARDE: 3 mm.

ESCOLA - Início das matrículas para novatos na rede estadual. Início das aulas na rede municipal.

LINGUAGEM - Palavra certa: Polda ou poda?

É comum, não correto, as pessoas dizerem que fazem polda em plantas.

A consulta a qualquer dicionário tirará a dúvida. Poda é "ato ou efeito de podar as plantas; podadura. Época de podar as plantas".

Podar: cortar galhos de plantas. (Dicionário Escolar da Academia Brasileira de Letras).

Há, segundo Silveira Bueno, a palavra poldra: uma égua nova.

Além do sentido usual do podador, o que poda as plantas, há outro podador: Espécie de besouro da família dos curculionídeos, com 3,6 mm de comprimento e de cor preta com reflexos dourados. É praga de algodoeiro, podando as pontas dos galhos para aí desovar. (Enciclopédia Brasileira Globo, volume 9).

SEXAGÉSIMO PRIMEIRO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã. CHUVA - Ontem na entrada da noite, ela não deu as caras, mas botou o nariz: quase chove por aqui. A lua estava e...