ENTRETENDO E SINFORMANDO
Divulga a cultura e a linguagem da cidade, além de produção textual como contos, crônicas, poesias. Comento os fatos, conto histórias. Vez por outra posto notícias.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
QUADRAGÉSIMO DIA
domingo, 8 de fevereiro de 2026
REGISTOS DE DOMINGO
TRIGÉSIMO NONO DIA
TEMPO - Frio. Nublado pela manhã e tarde. Pela tarde, neblina.
CHUVA DE ONTEM À NOITE: 9mm.
HISTÓRIAS ANTIGAS
Pedro Malasarte em "A moeda do rei"
Um dia chegou um à cidade. Sim, senhor, naquele tempo já havia circos. Não como os de hoje, é claro, com elefantes, tigres e leões. Os circos de antigamente consistiam em um pequeno grupo de artistas, chamados saltimbancos, que faziam toda sorte de proezas, viajando de cidade em cidade nas suas pobres carroças.
Porém, quando eles chegavam, era uma sensação. Imaginem que naquele tempo não havia cinema, rádio ou televisão. As pessoas se distraíam contando histórias junto da lareira, à noite. Por isso o circo era uma grande novidade.
Todo mundo ia ver o circo. Ricos e pobres, nobres e plebeus. Isso mesmo! Eu não lhes disse? O mundo naquele tempo era dividido em reinos grandes e pequenos, governados por grandes e pequenos reis. Havia príncipes e princesas, condes e barões.
Foram todos ver o circo, armado na praça principal da cidade. Todos, menos uma pessoa: o próprio rei, que tinha ido visitar um primo seu, rei também, em uma terra distante, e que não voltara ainda.
Como era natural, Nicolau e Serafina pegaram o filho pela mão e lá se foram ver o circo. Pedro Malasarte já tinha os seus sete aninhos e era levado como quê.
O circo, para ele, foi uma verdadeira escola de traquinagem. Apreciando as trapalhadas dos saltimbancos, que andavam na corda bamba, engoliam espadas, faziam mágicas e davam saltos mortais, o garoto prometia a si mesmo que tinha de aprender a fazer aquilo tudo.
De volta para casa, Pedro Malasarte não dormiu naquela noite. Pensando, pensando...
No dia seguinte, bem cedo, pulou da cama e correu para o fundo do quintal. Ali armou um verdadeiro picadeiro, com o que achou à mão. E toca a brincar de circo.
Começou com a corda bamba. Amarrou uma corda entre duas árvores, arranjou uma vara para se equilibrar e lá se foi... direitinho para o chão, num tombo que não tinha mais tamanho. Mas o garoto era teimoso e tanto fez que acabou conseguindo andar um bom pedaço na corda até que esta rebentou e ele tornou a se esborrachar no chão.
Mal sabia ele que alguém estava rindo a valer das suas travessuras.
Depois foi a vez das mágicas. Atrapalhou-se um pouco no princípio, mas daí a algum tempo sabia fazer duas ou três coisinhas. Só que as coisas sumiam de vez, quando ele as enfiava para dentro da roupa, ou os pombos saíam voando quando ele queria que entrassem no velho chapéu que lhe servia de cartola.
Desistindo das mágicas, Pedro Malasarte pensou em engolir espadas ou comer fogo. Mas espadas e fogo deviam ter um gosto horrível.
Quer saber de uma coisa? Era melhor dar algumas cambalhotas e saltos mortais.
E foi o que ele fez, sempre sem saber que alguém por trás da sua cerca, meio escondido entre os galhos de uma árvore apreciando aquilo tudo.
Pula daqui, cai ali, escorrega mais adiante, quase torce o pescoço, afinal Pedro Malasarte, suando em bicas, se deu por satisfeito, quando viu que sabia dar dois ou três saltos muito bem dados. E ao dar o último salto, já se imaginando no picadeiro de um circo de verdade, pensava no povo batendo palmas, entusiasmado.
Era só imaginação? Ou ouvia palmas, mesmo?
Por cima da cerca, um homem alto e de ar bondoso, olhando para ele, sorria e batia palmas.
Encabulado, Pedro Malasarte quis correr, mas o estranho lhe falou:
- Meu filho, você me proporcionou duas horas do mais puro divertimento. Nunca ri tanto em minha vida. Mas não fique encabulado. Para dizer a verdade, nunca vi ninguém tão teimoso em minha vida e com tanta vontade de aprender. Olhe, pode ser que eu me engane, mas o mundo ainda vai ouvir falar muito de você.
- Quem... quem é o senhor? - perguntou o garoto, já sem medo, pois simpatizara com seu primeiro admirador.
- Sou o rei Gustavo, meu filho. Cheguei hoje, disfarçado em camponês, para ver como vive o meu povo. Perdi o circo, que passou ontem pela cidade, mas foi o mesmo que vê-lo: você deu um espetáculo completo. E quer saber do que mais? Tome esta linda moeda de cobre pelo seu trabalho.
E atirou ao garoto uma moedinha.
- Agora os camponeses querem se fazer passar pelo rei - disse Pedro Malasarte, olhando para a pequena moeda.
- Como? - indagou o estranho que se dizia rei.
- É mesmo - reafirmou o garoto. - Um rei de verdade nunca daria a um artista só uma moeda de cobre.
O rei disfarçado em camponês coçou a cabeça.
- Tem razão, meu filho. Tome esta moeda de prata.
Pedro Malasarte apanhou a moeda que o rei lhe atirara e foi devolvê-la a ele.
- Perdão, senhor, mas não posso aceitar.
- Não pode aceitar?
- Meus pais não são nada bobos. Se eu lhes disser que apareceu um desconhecido por cima da cerca, dizendo que era o rei, e que me deu uma moeda de pra, vou levar é uma bruta surra de vara de marmelo. Não vão acreditar. Vão pensar é que roubei a moeda.
Vendo que estava lidando com um garoto mais esperto do que uma raposa, o Rei Gustavo meteu a mão em sua bolsa e tirou de dentro dela a mais reluzente moeda de ouro.
- Muito bem, meu menino, você venceu. Ao verem esta linda moeda de ouro, seus pais não poderão deixar de acreditar que o rei esteve aqui em pessoa e aplaudiu um pequeno artista. E mais: esta moeda tem o meu retrato, se é que você ainda duvida que eu sou eu.
Pedro Malasarte agarrou a moeda, olhou o retrato nela gravado e viu que estava falando com o rei em pessoa. Abriu a boca para agradecer, mas pondo um dedo sobre os lábios para lhe pedir silêncio, o soberano afastou-se dizendo:
- Fique com a moeda de cobre pelo seu esforço, com a de prata pela sua honestidade e com a de ouro pela sua esperteza. E, quando quiser me ver no palácio, basta dizer o seu nome ao guarda da entrada. Por falar nisso, como é o seu nome?
- Pedro Malasarte, Majestade.
Pedro Malasarte?...Acho que seremos bons amigos, meu filho - disse o rei, já de longe, acenando.
O garoto ficou olhando por cima da cerca, boquiaberto, até aquele personagem, usando as roupas modestas de um lavrador, desaparecer ao longe, em direção ao palácio real. (Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte" - organizado por Sérgio Augusto Teixeira)
INTERNET DE ANTIGAMENTE
Abacaxis - Rio do Estado do Amazonas, nasce perto do limite dos Estados do Pará e Mato Grosso e deságua no Paraná-Mirim; comprimento: 300km. (Da Grande Enciclopédia Larousse Cultural)
sábado, 7 de fevereiro de 2026
TRIGÉSIMO OITAVO DIA
QUE PALAVRA!
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
TRIGÉSIMO SÉTIMO DIA
TEMPO - Frio. Manhã chuvosa. Chove desde cedo. Copiosamente.
MILÍMETROS - A chuva da madrugada até as 7:30 da manhã foi de 95mm, uma das maiores que registrei.
BARRAGEM - A Barragem "Jessé Pinto Freire", de Umari, está com um volume de 50,86%.
LINGUAGEM - O que é metalinguagem?
Um bom exemplo de metalinguagem está na canção "Samba de uma nota só" de Tom Jobim:
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
TRIGÉSIMO SEXTO DIA
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
TRIGÉSIMO QUINTO DIA
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
TRIGÉSIMO QUARTO DIA
TEMPO - Dia quente como os outros.
EXPERIÊNCIA DE CHUVA - Nada como a das formigas: quando elas mudarem de lugar, principalmente às margens de açudes, chuva na certa.
LINGUAGEM - Conglomerado verbal: "Apanhar com a boca na botija": Pegar em flagrante.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
TRIGÉSIMO TERCEIRO DIA
domingo, 1 de fevereiro de 2026
REGISTOS DE DOMINGO
TRIGÉSIMO SEGUNDO DIA
HUMOR
- Joãozinho, por que seu pai não veio à reunião?
- Porque ele está com a canela quebrada, professora!
- Não é canela que s e fala, Joãozinho, é perna! E sua mãe, por que não veio?
- É que ela fez arroz-doce e foi comprar perna em pó pra colocar nele. (Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - Janeiro/2026)
FITOTERAPIA
O livro "Medicina rústica", de Alceu Maynard Araújo traz o que as pessoas de Piaçabuçu, Alagoas, usam para curar algumas doenças.
Abacateiro: Nome científico: Persea gratissima, Gaertn. A folha do abacateiro para soltar a urina e curar as doenças dos ris e bexiga. Faz-se chá, toma-se frio todas as vezes que tiver sede, substituindo a água pura.
LINGUAGEM - O que se diz, o que se entende
Quer deixar uma pessoa assustada, diga que o mercado público da cidade está no chão ou que deseja que caia uma chuva que a água passe na torre da igreja!
Quem não sabe da pegadinha, logo vai imaginar que o mercado público caiu e que a pessoa deseja que a água acumule um volume que chegue até o topo da torre da igreja.
AGRICULTURA
Calendário agrícola: Plantam-se abobrinha, acelga, amendoim, batatinha, banana, cebola, cenoura, espinafre, feijão. (Da Folhinha/2026)
Obviamente, os legumes acima, poucos há que se plantam por aqui. Destaco a banana e o feijão. O feijão é plantado quando aparecem as primeiras chuvas. Há quem plante no seco, num ato de grande fé.
sábado, 31 de janeiro de 2026
TRIGÉSIMO PRIMEIRO DIA
QUE PALAVRA!
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
TRIGÉSIMO DIA
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
VIGÉSIMO NONO DIA
TEMPO - Nublado.
ESCOLA - Escola, lugar do saber.
LINGUAGEM - Como pronunciar certas palavras.
Acerbo - Deve ser pronunciada como se tivesse um acento agudo na letra e: acérbo.
Acerbo é de sabor amargo, azedo: fruta acerba. Duro, severo: tomar atitudes acerbas contra a impunidade; ser um crítico acerbo do governo. (Dicas de Luiz Antonio Sacconi)
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
VIGÉSIMO OITAVO DIA
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
VIGÉSIMO SÉTIMO DIA
ECONOMIA - Nem todo mundo necessita ser economista, mas todo mundo precisa saber alguma coisa. Pelo menos economizar nas compras, como na pechincha.
CHUVA - Um pequeno registro pluviométrico ontem pela tarde: 3mm. O primeiro do ano. Tarde nublada e leves pingos.
TIPOS DE PESSOAS - Adulador
Adular é do latim adulor, que significa "acariciar". Mas a "carícia" do adulador é venenosa: ele explora sistematicamente a vaidade alheia, supervaloriza os atos e qualidades da sua vítima, com o fim único de obter favores e benefícios. Mas é raro o adulador sistemático, calculista, de todo consciente de seus atos. A adulação desenvolve-se, quase sempre, no indivíduo malformado psicologicamente, fruto de uma educação defeituosa. Ou foi obrigado à subserviência por excessiva autoridade paterna, sempre "dobrado" à custa de pancadas irracionais, ou se desenvolveu carente de compreensão e afeto, ao abandono moral, donde a insegurança interior. No primeiro caso, ele projeta nos seus superiores hierárquicos, e, por extensão, naqueles que pretende explorar, a imagem do pai autocrático, a cujos pés tinha de se lançar para obter favores. No segundo caso, a adulação é a manha, a manobra de que sempre precisou usar para o mesmo fim. Em qualquer caso, o adulador acaba por se transformar num ser repelente, que todos evitam. Conhecer-se bem a si mesmo é tarefa que se impõe ao jovem, e ao adulto também. A adulação, em última análise, é um hábito pernicioso que pode e deve ser erradicado da personalidade. (Professor Ubiratan Rosa, em Moderna Enciclopédia Brasileira de Direitos Humanos, Educação, Sociologia, Moral e Civismo)
UPANEMÊS
Chuva de matar sapo afogado: uma chuva bem grande de cem milímetros para cima. Uma expressão hiperbólica.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
VIGÉSIMO SEXTO DIA
domingo, 25 de janeiro de 2026
REGISTOS DE DOMINGO
sábado, 24 de janeiro de 2026
QUE PALAVRA!
Cravo
Os dicionários trazem vários significados para a palavra cravo:
Flor. Ponto escuro na pele. Tipo de pregos para prender ferradura. Prego com que se fixavam as mãos e os pés dos condenados à morte na cruz. Calo profundo e doloroso localizado na planta do pé.
Instrumento com cordas e teclado, que precedeu o piano e um tanto similar a este, mas cujas cordas emitem som ao serem pinçadas, quando se premem as teclas correspondentes. (Aulete)
O terceiro tocava uma valsa vienense no cravo, enquanto outro, debruçado no instrumento, acompanhava-o cantando.
(Trecho de "Guerra e paz," de Tolstoi)
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
VIGÉSIMO TERCEIRO DIA
TEMPO - Nuvens esparsas. Brancas. Céu azul.
LINGUAGEM - A gente vai ou a gente vamos?
Muito fácil:
A gente vai à escola. Nós vamos à escola.
Só é prestar atenção.
A expressão a gente substitui o pronome nós e pede o verbo no singular.
O pronome nós pede o verbo no plural.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
VIGÉSIMO SEGUNDO DIA
TEMPO - Sol firme, céu limpo e azuzinho, azuzinho.
HISTÓRIA - Seja como disciplina escolar, seja como registro do tempo, tem uma serventia enorme na sociedade. Ela documenta o passado e torna-se uma espécie de senhora. Ensina aos presentes o que deu e o que não deu certo no passado. Erra quem quiser ou for muito teimoso.
LINGUAGEM - Superlativos absolutos sintéticos e superlativos absolutos analíticos
Os superlativos dos adjetivos estão quase no esquecimento a não ser aqueles que circulam nas colunas sociais como os paupérrimos, lindérrimos, etc.
Fora disso, pouco é explorado na escola, tendo em vista que os atuais livros didáticos pouco ou nunca trazem o assunto.
O absoluto analítico é o que obedece a uma soma da palavra "muito" com o adjetivo: muito civilizados. Se transpormos para o absoluto sintético, fica: civilizadíssimos.
Numa espécie de exercício escolar, mude do analítico para o sintético:
Os canivetes são muito perigosos -
O irmão da portaria é muito bravo -
Vivemos num país muito curioso -
O passeio à chácara foi muito interessante -
Há, dentro dos sintético, os eruditos, ligados às formas latinas:
acre - acérrimo
amargo - amaríssimo
amigo - amicíssimo
antigo - antiquíssimo
áspero - aspérrimo
benéfico - beneficentíssimo
benévolo - benevolentíssimo
célebre - celebérrimo
célere - celérrimo
cristão - cristianíssimo
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
VIGÉSIMO PRIMEIRO DIA
TEMPO - Nublado pela manhã.
CHUVAS - A salvação vem de cima. Segundo uma pessoa que cria ou compra gado e criação em geral, se não chover logo, o gado vai perder o valor. E acrescentou: ninguém mais vai querer nem de graça.
Agora pela tarde, um leve neblina.
LINGUAGEM - Conglomerado verbal:
Bater asa: fugir.
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
VIGÉSIMO DIA
TEMPO - Nublado.
LINGUAGEM - Trás ou traz?
Ambas as formas são corretas.
Para trás com essas conversas fiadas.
Trás é preposição. Ser preposição talvez não interessa ao leitor. Basta diferenciar de traz, do verbo trazer.
Ele sempre traz presentes para os filhos.
Definir as palavras - dar conceitos a elas, como dizíamos, é uma maneira prática e fácil de entendermos as coisas.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
DÉCIMO NONO DIA
QUADRAGÉSIMO DIA
TEMPO - Nublado pela manhã. Sol um pouco escondido. Agradável. NEBLINA DE ONTEM PELA TARDE: 3 mm. ESCOLA - Início das matrículas para novato...
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A expressão acima serve para ilustrar momentos em que as coisas vão arrochar, complicar-se, chegou a hora da onça beber água e outras expre...
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Ainda na cidade Jaime Americano. Faz visitas às pessoas que o conheciam quando este morava aqui na virada da década de 60. Já visitou também...
-
Seguimos sem chuva no mês. Mês chovedor, maio ainda não brindou por aqui com uma chuva. Aguardemos, pois, com muita calma. O que vem de cima...