sábado, 14 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO QUINTO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã. Pela, pingos de chuva. Trovões.

LINGUAGEM - Acrografia - O que é?

Walmírio de Macedo responde:

É a representação de um conjunto de palavras, de uma locução por meio de suas letras iniciais. Exemplos:

Serviço Social da Indústria: SESI.

Departamento Administrativo do Serviço Público: DASP.

Os nomes de partido são exemplos de acrografia: PSD, MDB.

EDUCAÇÃO - Educação libertadora é aquela que ensina tão bem que liberta os alunos da ignorância e deixa-os preparados para concursos de toda qualidade.

CARNAVAL 

O carnaval dos animais - Os leões

Moacyr Scliar

Hoje não, mas há anos os leões foram perigo. Milhares, milhões deles corriam pela África, fazendo estremecer a selva com seus rugidos.  Houve receio de que eles chegassem a invadir a Europa e a América. Wright, Friedman, Mason e outros lançaram sérias advertências a respeito. Foi decidido então exterminar os temíveis felinos. O que foi feito da maneira que se segue. 

A grande massa deles, concentrada perto do Lago Tchad, foi destruída com uma única bomba atômica de média potência, lançada de um bombardeiro, num dia de verão. Quando o característico cogumelo se dissipou, constatou-se, por fotografias, que o núcleo da massa leonina tinha simplesmente se desintegrado. Rodeava-o um setor de cerca de dois quilômetros, composto de postas de carne, pedaços de osso e jubas sanguinolentas. Na periferia, leões agonizantes.

A operação foi classificada de “satisfatória” pelas autoridades encarregadas. No entanto, como sempre acontece em empreendimentos desta envergadura, os problemas residuais constituíram-se, por sua vez, em fonte de preocupação. Tal foi o caso dos leões radioativos, que, tendo escapado à explosão, vagueavam pela selva. É verdade que cerca de vinte por cento deles foram mortos pelos zulus nas duas semanas que se seguiram à explosão. Mas a proporção de baixas entre os nativos (dois para cada leão) desencorajou mesmo os peritos mais otimistas. 

Tornou-se necessário recorrer a métodos mais elaborados. Para tal criou-se um laboratório de treinamento de gazelas, cujo objetivo primário era liberar os animais do instinto de conservação. Seria fastidioso entrar nos detalhes deste trabalho, aliás muito elegante; é suficiente dizer que o método utilizado foi o de Walsh e colaboradores, uma espécie de brainwash adaptado a animais. Conseguido um número apreciável de gazelas automatizadas, foi ministrada às mesmas uma forte dose de um tóxico de ação lenta. As gazelas procuraram os leões, deixaram-se matar e comer; as feras, ingerindo a carne envenenada, vieram a ter morte suave em poucos dias. 

A solução parecia ideal; mas havia uma raça de leões (poucos, felizmente) resistente a este e a outros poderosos venenos. A tarefa de matá-los foi entregue a caçadores equipados com armamento sofisticado e ultrassecreto. Desta vez, sobrou apenas um exemplar, uma fêmea que foi capturada e esquartejada perto de Brazzaville. Descobriu-se no útero 24da leoa um feto viável; pouco radioativo, o animalzinho foi criado em estufa. Visava-se, com isto, a preservação da fauna exótica. 

Mais tarde o leãozinho foi levado para o Zoo de Londres onde, apesar de toda a vigilância, foi assassinado por um fanático. A morte da pequena fera foi saudada com entusiasmo por amplas camadas da população. “Os leões estão mortos!” – gritava um soldado embriagado. – “Agora seremos felizes!” 

No dia seguinte começou a Guerra da Coreia.


QUE PALAVRA!

Grifo

Enigma; questão embaraçada; elocução ambígua; animal fabuloso com cabeça de águia e garras de leão; sublinhado, frisado, traço que se passa debaixo de uma palavra ou expressão, cujo valor se quer remeter. Negrito, caráter mais preto, em tipografia, que faz as vezes do grifo. (Silveira Bueno)

A palavra acima é conhecida, cuido, pela maioria das pessoas, no sentido de palavra sublinhada ou aquele destaque que damos nas palavras, seja um negrito ou itálico. 

Há, entretanto, outro sentido, aquele em que encontramos em "Ortodoxia", obra do escritor russo G. K. Chesterton:

Se o ser humano concebe e gera um filho humano em vez de gerar um peixe, ou um morcego, ou um grifo, a razão pode não ser que tenhamos sido fixados em um destino animal sem vida ou propósito.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO QUARTO DIA

QUE PALAVRA!

O que significa "grifo"? 

TEMPO - Nublado pela manhã.

HOJE - Dia mundial do rádio.

LINGUAGEM - Simples assim: 

O substantivo é a palavra que dá nome aos seres em geral O que é um ser? Tudo o que tem nome é substantivo, seja animado ou inanimado: robô, Paraguai, definição.

SAÚDE - Afta ou sapinho

São inflamações da pele interna da boca, formando pequenas úlceras muito doloridas.

O que fazer?

Responde o estudioso das plantas Jaime Bruning:

- Cuide de ter boas digestões e boas eliminações pelo intestino.

- Faça bochechas com: amora-preta, amora-vermelha, tansagem, alfavaca, araticum.

- Passe suco de limão. Arde, mas elimina rápido.

- Tome uma colherada de óleo comestível junto após as refeições.

EDUCAÇÃO - Papel do professor é ensinar. Educação libertadora, com consciência crítica tem sido o entrave para que estudantes aprendam aquilo que precisam numa escola: conteúdos.

O papel difícil de educar é da família. A escola, mais que educar, precisa assumir o papel de ensinar, mais que educar.


PROVÉRBIO

 Muito riso, sinal de pouco siso.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO TERCEIRO DIA

TEMPO - Sol forte.

LINGUAGEM - Linguagem formal e não formal

A língua natural, básica, é a falada, que se diferencia de  duas formas: geograficamente (falares regionais) e culturalmente (níveis sociais).

A vulgar incorpora termos de gírias (e mesmo grosseiros), e nela não existe a mínima preocupação com a norma gramatical: é a língua dos analfabetos e semi e pessoas sem instrução. (Apontamentos de Adriano da Gama Cury e Ayla Pereira de Melo em "Meu livro de Português")

SAÚDE - O jeito correto de escovar

Apesar de muitos anos escovando os dentes - não só os dentes, mas a língua e aboca inteira - a gente não consegue fazê-la de maneira adequada. As gengivas precisam ser escovadas também. 

TRÂNSITO - Os sinais de "Pare", "Siga" e "Atenção" nos locais onde há sinalização nada dizem para quem nada ligam para as regrinhas mais básicas do trânsito. Até mesmo as setas não são acionadas por pessoas de muitos anos ao volante ou pilotando motos pequenas e grandes. Num período como este - os dias que se avizinham - a coisa se torna mais crítica.

Deveres básicos do condutor: 

Ter pleno domínio de seu veículo a todo momento, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito;

Verificar a existência e as boas condições de funcionamento dos equipamentos de uso obrigatório;
Certificar-se de que há combustível suficiente para a cobertura do percurso desejado. (Do "manual básico de segurança no trânsito)

O "dirigir com atenção" é uma prática obrigatória que nem precisava haver uma recomendação. Hoje isso tem sido um problema para muitos que não conseguem largar o celular mesmo ao volante.

FRASE: "Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em manicômios". (Chesterton em "Ortodoxia")

NATUREZA - O coaxar dos sapos é uma música - boa música aos ouvidos, vinda da natureza. Muitos acham um canto choco, mas eu não.


PROVÉRBIO

O homem robusto é o que dá o susto.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO SEGUNDO DIA

TEMPO - Céu sem nuvens pela manhã. Trovões pela tarde, belas nuvens e vento.

ESTILO DE VIDA  - Manual de sobrevivência

Não existe um jeito específico de sobreviver por mais anos, mas há alguns "rebolados" que podemos fazer ao longo da vida. Há estilos de vida que ajudam a vida a ser mais bem vivida.

Uma forma não tão recente é caminhada. A vida sedentária abreviou os dias de muitas pessoas que pensavam que seu conforto era tudo.

Mais recente por aqui - por que em outros países já é rotina - a corrida tornou-se quase uma obrigação para muitos.

Antes disso, a academia já era adotada como uma forma de fugir de algumas mazelas da vida.

O tipo de comida é uma das responsáveis pela vida saudável ou não.

LINGUAGEM - Vocábulos com radicais gregos

Caótica: Os vocábulos portugueses caos e caótica são de origem grega. O grego cháos já significava "abismo"; confusão de elementos em massa informe". Daí o emprego mais generalizado da palavra no sentido de "grande confusão". (Com informações de Adriano da Gama Cury e Ayla Pereira de Melo, em "Meu livro de Português")

SAÚDE - Prato colorido

Um prato saudável deve estar colorido. É a dica dos mais sabidos do que eu.

ESCOLA - O que é um alfabetizado?

Há uma discussão sobre o que é um alguém alfabetizado. É saber, além de decodificar as letras, entender o que lê. 

Um passo adiante é a produção de frases e depois pequenos ou textos maiores, dependendo do nível escolar. O que não se admite é alguém chegar no Ensino Médio e não conseguir entender um simples enunciado como "sublinhe o sujeito da frase" ou "encontre o x da questão".

Imagine um enunciado mais complexo de química ou física!




PROVÉRBIO

 Loucura é mal sem cura.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO DIA

TEMPO - Sol forte pela manhã.

LINGUAGEM

Textos como o que segue, causa estranheza aos alunos de hoje por causa de seu linguajar diferente. O fato não impede e até instiga os professores a levarem textos assim para a sala de aula, pois proporciona a eles a chance de conhecer palavras novas para seu vocabulário.

"[...] Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado. (Trecho de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis)

BARRAGEM - A nossa barragem, "Senador Jessé Pinto Freire", ou "Umari", como é mais conhecida, está em situação privilegiada em relação às outras do Estado. Já estávamos confortáveis antes das chuvas, muito mais agora. Estamos na faixa de 50% de sua capacidade total.

PROVÉRBIO

Já dizia minha avó: os erros do médico a terra os cobre.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã. Sol um pouco escondido. Agradável.

NEBLINA DE ONTEM PELA TARDE: 3 mm.

ESCOLA - Início das matrículas para novatos na rede estadual. Início das aulas na rede municipal.

LINGUAGEM - Palavra certa: Polda ou poda?

É comum, não correto, as pessoas dizerem que fazem polda em plantas.

A consulta a qualquer dicionário tirará a dúvida. Poda é "ato ou efeito de podar as plantas; podadura. Época de podar as plantas".

Podar: cortar galhos de plantas. (Dicionário Escolar da Academia Brasileira de Letras).

Há, segundo Silveira Bueno, a palavra poldra: uma égua nova.

Além do sentido usual do podador, o que poda as plantas, há outro podador: Espécie de besouro da família dos curculionídeos, com 3,6 mm de comprimento e de cor preta com reflexos dourados. É praga de algodoeiro, podando as pontas dos galhos para aí desovar. (Enciclopédia Brasileira Globo, volume 9).

PROVÉRBIO

O bom alimento dá entendimento.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

TRIGÉSIMO NONO DIA

TEMPO - Frio. Nublado pela manhã e tarde. Pela tarde, neblina.

CHUVA DE ONTEM À NOITE: 9mm.

HISTÓRIAS ANTIGAS

Pedro Malasarte em "A moeda do rei"

Um dia chegou um à cidade. Sim, senhor, naquele tempo já havia circos. Não como os de hoje, é claro, com elefantes, tigres e leões. Os circos de antigamente consistiam em um pequeno grupo de artistas, chamados saltimbancos, que faziam toda sorte de proezas, viajando de cidade em cidade nas suas pobres carroças.

Porém, quando eles chegavam, era uma sensação. Imaginem que naquele tempo não havia cinema, rádio ou televisão. As pessoas se distraíam contando histórias junto da lareira, à noite. Por isso o circo era uma grande novidade.

Todo mundo ia ver o circo. Ricos e pobres, nobres e plebeus. Isso mesmo! Eu não lhes disse? O mundo naquele tempo era dividido em reinos grandes e pequenos, governados por grandes e pequenos reis. Havia príncipes e princesas, condes e barões.

Foram todos ver o circo, armado na praça principal da cidade. Todos, menos uma pessoa: o próprio rei, que tinha ido visitar um primo seu, rei também, em uma terra distante, e que não voltara ainda.

Como era natural, Nicolau e Serafina pegaram o filho pela mão e lá se foram ver o circo. Pedro Malasarte já tinha os seus sete aninhos e era levado como quê.

O circo, para ele, foi uma verdadeira escola de traquinagem. Apreciando as trapalhadas dos saltimbancos, que andavam na corda bamba, engoliam espadas, faziam mágicas e davam saltos mortais, o garoto prometia a si mesmo que tinha de aprender a fazer aquilo tudo.

De volta para casa, Pedro Malasarte não dormiu naquela noite. Pensando, pensando...

No dia seguinte, bem cedo, pulou da cama e correu para o fundo do quintal. Ali armou um verdadeiro picadeiro,  com o que achou à mão. E toca a brincar de circo.

Começou com a corda bamba. Amarrou uma corda entre duas árvores, arranjou uma vara para se equilibrar e lá se foi... direitinho para o chão, num tombo que não tinha mais tamanho. Mas o garoto era teimoso e tanto fez que acabou conseguindo andar um bom pedaço na corda até que esta rebentou e ele tornou a se esborrachar no chão.

Mal sabia ele que alguém estava rindo a valer das suas travessuras.

Depois foi a vez das mágicas. Atrapalhou-se um pouco no princípio, mas daí a algum tempo sabia fazer duas ou três coisinhas. Só que as coisas sumiam de vez, quando ele as enfiava para dentro da roupa, ou os pombos saíam voando quando ele queria que entrassem no velho chapéu que lhe servia de cartola. 

Desistindo das mágicas, Pedro Malasarte pensou em engolir espadas ou comer fogo. Mas espadas e fogo deviam ter um gosto horrível. 

Quer saber de uma coisa? Era melhor dar algumas cambalhotas e saltos mortais. 

E foi o que ele fez, sempre sem saber que alguém por trás da sua cerca, meio escondido entre os galhos de uma árvore apreciando aquilo tudo.

Pula daqui, cai ali, escorrega mais adiante, quase torce o pescoço, afinal Pedro Malasarte, suando em bicas, se deu por satisfeito, quando viu que sabia dar dois ou três saltos muito bem dados. E ao dar o último salto, já se imaginando no picadeiro de um circo de verdade, pensava no povo batendo palmas, entusiasmado.

Era só imaginação? Ou ouvia palmas, mesmo?

Por cima da cerca, um homem alto e de ar bondoso, olhando para ele, sorria e batia palmas.

Encabulado, Pedro Malasarte quis correr, mas o estranho lhe falou:

- Meu filho, você me proporcionou duas horas do mais puro divertimento. Nunca ri tanto em minha vida. Mas não fique encabulado. Para dizer a verdade, nunca vi ninguém tão teimoso em minha vida e com tanta vontade de aprender. Olhe, pode ser que eu me engane, mas o mundo ainda vai ouvir falar muito de você.

- Quem... quem é o senhor? - perguntou o garoto, já sem medo, pois simpatizara com seu primeiro admirador.

- Sou o rei Gustavo, meu filho. Cheguei hoje, disfarçado em camponês, para ver como vive o meu povo. Perdi o circo, que passou ontem pela cidade, mas foi o mesmo que vê-lo: você deu um espetáculo completo. E quer saber do que mais? Tome esta linda moeda de cobre pelo seu trabalho.

E atirou ao garoto uma moedinha.

- Agora os camponeses querem se fazer passar pelo rei - disse Pedro Malasarte, olhando para a pequena moeda.

- Como? - indagou o estranho que se dizia rei.

- É mesmo - reafirmou o garoto. - Um rei de verdade nunca daria a um artista só uma moeda de cobre.

O rei disfarçado em camponês coçou a cabeça. 

- Tem razão, meu filho. Tome esta moeda de prata.

Pedro Malasarte apanhou a moeda que o rei lhe atirara e foi devolvê-la a ele.

- Perdão, senhor, mas não posso aceitar.

- Não pode aceitar?

- Meus pais não são nada bobos. Se eu lhes disser que apareceu um desconhecido por cima da cerca, dizendo que era o rei, e que me deu uma moeda de pra, vou levar é uma bruta surra de vara de marmelo. Não vão acreditar. Vão pensar é que roubei a moeda.

Vendo que estava lidando com um garoto mais esperto do que uma raposa, o Rei Gustavo meteu a mão em sua bolsa e tirou de dentro dela a mais reluzente moeda de ouro.

- Muito bem, meu menino, você venceu. Ao verem esta linda moeda de ouro, seus pais não poderão deixar de acreditar que o rei esteve aqui em pessoa e aplaudiu um pequeno artista. E mais: esta moeda tem o meu retrato, se é que você ainda duvida que eu sou eu.

Pedro Malasarte agarrou a moeda, olhou o retrato nela gravado e viu que estava falando com o rei em pessoa. Abriu a boca para agradecer, mas pondo um dedo sobre os lábios para lhe pedir silêncio, o soberano afastou-se dizendo:

- Fique com a moeda de cobre pelo seu esforço, com a de prata pela sua honestidade e com a de ouro pela sua esperteza. E, quando quiser me ver no palácio, basta dizer o seu nome ao guarda da entrada. Por falar nisso, como é o seu nome?

- Pedro Malasarte, Majestade.

Pedro Malasarte?...Acho que seremos bons amigos, meu filho - disse o rei, já de longe, acenando.

O garoto ficou olhando por cima da cerca, boquiaberto, até aquele personagem, usando as roupas modestas de um lavrador, desaparecer ao longe, em direção ao palácio real. (Do livro "As  aventuras de Pedro Malasarte" - organizado por Sérgio Augusto Teixeira)

INTERNET DE ANTIGAMENTE 

Abacaxis - Rio do Estado do Amazonas, nasce perto do limite dos Estados do Pará e Mato Grosso e deságua no Paraná-Mirim; comprimento: 300km. (Da Grande Enciclopédia Larousse Cultural)


sábado, 7 de fevereiro de 2026

TRIGÉSIMO OITAVO DIA

TEMPO - Frio. Nuvens tomam todo o céu. Tarde e manhã agradáveis.

CHUVA - Madrugada com chuva leve: 5mm.

FILOSOFIA - A repetição é uma arma importante tanto para a aprendizagem quanto para a plantação de uma mentira.

UPANEMÊS - Quibebe: Uma comida triturada ou qualquer coisa dissolvida feito mingau.

QUE PALAVRA!

Gárrulo

Tagarela. (Aurélio)

Tagarela, palrador. (Silveira Bueno)

Que ou aquele que fala demais e geralmente sobre coisas triviais, sem nenhuma importância; tagarela chato e enfadonho; falante: os demagogos costumam ser gárrulos. O nordestino tem a tendência de ser gárrulo. Vago e prolixo: discurso gárrulo. 

("Tudo sobre Português prático", de Luiz Antônio Sacconi)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

TRIGÉSIMO SÉTIMO DIA

TEMPO - Frio. Manhã chuvosa. Chove desde cedo. Copiosamente.

MILÍMETROS - A chuva da madrugada até as 7:30 da manhã foi de 95mm, uma das maiores que registrei.

BARRAGEM - A Barragem "Jessé Pinto Freire", de Umari, está com um volume de 50,86%.

LINGUAGEM - O que é metalinguagem?

Um bom exemplo de metalinguagem está na canção "Samba de uma nota só" de Tom Jobim:

Eis aqui esse sambinha
Feito de uma nota só
Outras notas vão entrar
Mas a base é uma só.

Essa outra é consequência
Do que acabo de dizer
Como eu sou a consequência inevitável de você.

Quanta gente existe por aí
Que fala tanto e não diz nada
Ou quase nada.

Já me utilizei de toda escala
E no final não sobrou nada
Não deu em nada.

E voltei pra minha nota
Como eu volto pra você
Vou contar com a minha nota
Como eu gosto de você.

E quem quer todas as notas
Ré-mi-fá-só-lá-si-dó
Fica sempre sem nenhuma
Fique em uma nota só.

Ocorre uma metalinguagem quando o código é utilizado para explicar ou referir-se ao próprio código. Em "Samba de uma nota só", o poeta, em uma canção, fala da própria canção.




PROVÉRBIO

 Dor de barriga não dá uma vez só.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

TRIGÉSIMO SEXTO DIA

TEMPO - Pela manhã, nublado. Trovões. Leve neblina.

Ontem pela tarde, trovões e cheiro bom de chuva.

ÁGUA NAS TORNEIRAS - Tudo normal.

CHUVA - Leve ontem pela tarde.

Acúmulo de ontem e hoje pela manhã: 19 milímetros.

LINGUAGEM - Pronúncia certa

Amistoso - amistosos: A letra ó deve ser pronunciada com som aberto como se tivesse um acento agudo.

PROVÉRBIO

 Em ferida aberta não se põe sal.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

TRIGÉSIMO QUINTO DIA

TEMPO - Nuvens esparsas, com perspectivas de chuva. Trovões pela tarde. Cheiro de chuva. Chuva leve.

EXPERIÊNCIA DE CHUVA - Há mistérios com o bem-te-vi.

LINGUAGEM - "Ele tinha pego o ladrão". 

Errado! Proclama o grande Luiz A. P. Vitória. 

O único particípio do verbo pegar é pegado. Logo, diga-se: 

Ele tinha pegado o ladrão.

Ele tinha pegado o ladrão.

Ele tinha pegado o ladrão.

Três vezes é pouco diante das milhares de vezes que já foi repetido o pego por esse país afora.

PROVÉRBIO

Grandes males, grandes remédios.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

TRIGÉSIMO QUARTO DIA

TEMPO - Dia quente como os outros.

EXPERIÊNCIA DE CHUVA - Nada como a das formigas: quando elas mudarem de lugar, principalmente às margens de açudes, chuva na certa.

LINGUAGEM - Conglomerado verbal: "Apanhar  com a boca na botija": Pegar em flagrante.



PROVÉRBIO

Ninguém morre na véspera, só peru antes da festa.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

TRIGÉSIMO TERCEIRO DIA

TEMPO - Céu azul. Folhas imóveis.

EXPERIÊNCIA DE CHUVA - Não chover nos dois primeiros dias do mês: chuva ao longo do mês.

LINGUAGEM - Ela mesmo: erro flagrante, nos ensina Luiz A. P. Vitória. Sendo mesmo e próprio demonstrativos de identidade, concordam com o termo a que se referem. Exs: Ela mesma se castigou; eles mesmos...; nós próprios...

ESCOLA - As matrículas para os alunos novatos das escolas estaduais - aqui em Upanema - Calazans Freire e Alfredo - terão início no dia 09/02.

PROVÉRBIO

Não presta velho mudar de casa. Morre.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

TRIGÉSIMO SEGUNDO DIA

HUMOR

- Joãozinho, por que seu pai não veio à reunião?

- Porque ele está com a canela quebrada, professora!

- Não é canela que s e fala, Joãozinho, é perna! E sua mãe, por que não veio?

- É que ela fez arroz-doce e foi comprar perna em pó pra colocar nele. (Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - Janeiro/2026)

FITOTERAPIA 

O livro "Medicina rústica", de Alceu Maynard Araújo traz o que as pessoas de Piaçabuçu, Alagoas, usam para curar algumas doenças.

Abacateiro: Nome científico: Persea gratissima, Gaertn. A folha do abacateiro para soltar a urina e curar as doenças dos ris e bexiga. Faz-se chá, toma-se frio todas as vezes que tiver sede, substituindo a água pura. 

LINGUAGEM - O que se diz, o que se entende 

Quer deixar uma pessoa assustada, diga que o mercado público da cidade está no chão ou que deseja que caia uma chuva que a água passe na torre da igreja!

Quem não sabe da pegadinha, logo vai imaginar que o mercado público caiu e que a pessoa deseja que a água acumule um volume que chegue até o topo da torre da igreja.

AGRICULTURA

Calendário agrícola: Plantam-se abobrinha, acelga, amendoim, batatinha, banana, cebola, cenoura, espinafre, feijão. (Da Folhinha/2026)

Obviamente, os legumes acima, poucos há que se plantam por aqui. Destaco a banana e o feijão. O feijão é plantado quando aparecem as primeiras chuvas. Há quem plante no seco, num ato de grande fé.



sábado, 31 de janeiro de 2026

TRIGÉSIMO PRIMEIRO DIA

TEMPO - Quente, como quase sempre. Pela tarde, riscos de nuvens enfeitam o céu.

PROVÉRBIO DE LÚLIO - Quanto mais frequentemente lembrares e entenderes Deus, mais frequentemente o amarás e o temerás.

DESAFIO

Em uma destas frases, o artigo definido está empregado erradamente. Em qual?

A velha Roma está sendo modernizada;

A "Paraíba" é uma velha fragata;

Não reconheço agora a Lisboa de meu tempo;

O gato escaldado tem medo de água fria;

O Havre é um porto de muito movimento.

QUE PALAVRA!

Patuá 

Cesta de palha; bolsa de couro dos sertanejos, também chamada patrona; balaio; bentinho; amuleto. (Silveira Bueno)

Espécie de amuleto que se dependura ao pescoço para se livrar de malefícios; bentinho. Cesto grande de bambu ou de palha; balaio. (Dicionário escolar da Academia Brasileira de Letras)

Com o significado de bentinho ou amuleto, o estudioso Maynard Araújo define o verbete da seguinte maneira:

Pequeno invólucro que contém uma oração escrita num pedaço de papel, mas que não precisa ser lida para surtir efeito, basta estar em contato com o corpo da pessoa para protegê-la, é a sua função animista. Enrola-se muito bem o papel da oração (impressa, geralmente poucas vezes copiada, manuscrita); em seguida coloca-se dentro de um saquinho de pano e dependura-se no pescoço. O patuá também é conhecido por bentinho, quando traz lascas de santo cruzeiro, farrapos da batina de "Meu Padrim Cirço". Algumas pessoas mais antigas fazem a seguinte distinção: bentinho é o que traz oração escrita, é dependurado no pescoço e relique o que traz pedacinho de dente de jacaré, presa de aranha. Afirma Porfírio Santana que a gente de hoje não faz distinção entre patuá, bentinho e relique, para ela tudo é patuá. Difere, porém, e com o qual não se confunde pelo fato de ser maior a mochilinha, trazendo, no entanto, no interior também uma oração. Ela não virá numa correntinha ao pescoço como acontece com o relique e patuá e sim presa a alguns fios, barbante ou faixa ficando, para surtir efeito, encostada ao corpo, geralmente sobre a região lombar do portador. A mochilinha às vezes é feita de couro o que jamais acontece com o patuá ou relique que são de pano. é muito comum comprarem no raizeiro, que também é vendedor de literatura de cordel, as orações impressas que serão usadas tanto no patuá como na mochilinha. (...) São dobradas em três, costuradas num pequeno envoltório de pano e presas a seguir ao pescoço (patuá) ou na cintura (mochilinha), por barbante. Com o uso elas se tornam sujas, e assim depois de certo tempo são lançadas à água corrente, pelas costas, sem olhar o fim que teve. A duração destas mochilinhas varia muito, de pessoas para pessoa.("Medicina rústica", de Alceu Maynard Araújo).

Em upanemês, patuá é algo que dá azar.

Há até entre nós um cidadão que além de ser conhecido pelo seu nome, tem por alcunha Patuá. O apelido foi adquirido quando está aperuava um jogo de baralho. Um dos jogadores disse: você é um patuá. Sai daí, patuá!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

TRIGÉSIMO DIA

TEMPO - Pequeno registro de chuva ontem no começo da noite. Registro tão pequeno que não deu pra registrar nada no copinho do aparelhinho chamado pluviômetro. 

CHUVA - Um ouvinte - um senhor - numa rádio AM de Mossoró dava seu palpite hoje pela manhã, quando indagado pelo apresentador sobre as chuvas desse ano:

"O senhor acha que neste ano teremos um bom inverno"?

"Nunca vi um ano com terminação 6, 7 e 8 para não ser desmantelado", sentenciou o ouvinte.

LINGUAGEM - Conglomerado verbal: Andar sobre brasas é "ter graves preocupações".

A expressão acima é assaz desconhecida de grande parte dos falantes e escreventes da nossa língua. Fato é que o falar formalmente é coisa difícil de ser manejada. Mais uma razão para estudarmos todos os dias se quisermos entender um pouco sequer da linguagem.

PROVÉRBIO

Não comas cru, nem caminhes com pé nu.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO NONO DIA

TEMPO - Nublado.

ESCOLA - Escola, lugar do saber.

LINGUAGEM - Como pronunciar certas palavras.

Acerbo - Deve ser pronunciada como se tivesse um acento agudo na letra e: acérbo.

Acerbo é de sabor amargo, azedo: fruta acerba. Duro, severo: tomar atitudes acerbas contra a impunidade; ser um crítico acerbo do governo. (Dicas de Luiz Antonio Sacconi)



PROVÉRBIO

Quem no copo se detém, amigos não tem.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO OITAVO DIA

TEMPO - Nuvens esparsas, brancas. Venta. Sol forte pela manhã. Pela tarde, uma breve neblina.

LINGUAGEM - "Ele disse para mim". Construção detestável. Diga-se:

"Ele me disse".

(Dica de Luiz A. P. Vitória)

PROVÉRBIO

Velho que se cura, cem anos dura.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO SÉTIMO DIA

ECONOMIA - Nem todo mundo necessita ser economista, mas todo mundo precisa saber alguma coisa. Pelo menos economizar nas compras, como na pechincha.

CHUVA - Um pequeno registro pluviométrico ontem pela tarde: 3mm. O primeiro do ano. Tarde nublada e leves pingos.

TIPOS DE PESSOAS - Adulador

Adular é do latim adulor, que significa "acariciar". Mas a "carícia" do adulador é venenosa: ele explora sistematicamente a vaidade alheia, supervaloriza os atos e qualidades da sua vítima, com o fim único de obter favores e benefícios. Mas é raro o adulador sistemático, calculista, de todo consciente de seus atos. A adulação desenvolve-se, quase sempre, no indivíduo malformado psicologicamente, fruto de uma educação defeituosa. Ou foi obrigado à subserviência por excessiva autoridade paterna, sempre "dobrado" à custa de pancadas irracionais, ou se desenvolveu carente de compreensão e afeto, ao abandono moral, donde a insegurança interior. No primeiro caso, ele projeta nos seus superiores hierárquicos, e, por extensão, naqueles que pretende explorar, a imagem do pai autocrático, a cujos pés tinha de se lançar para obter favores. No segundo caso, a adulação é a manha, a manobra de que sempre precisou usar para o mesmo fim. Em qualquer  caso, o adulador acaba por se transformar num ser repelente, que todos evitam. Conhecer-se bem a si mesmo é tarefa que se impõe ao jovem, e ao adulto também. A adulação, em última análise, é um hábito pernicioso que pode e deve ser erradicado da personalidade. (Professor Ubiratan Rosa, em Moderna Enciclopédia Brasileira de Direitos Humanos, Educação, Sociologia, Moral e Civismo)

UPANEMÊS

Chuva de matar sapo afogado: uma chuva bem grande de cem milímetros para cima. Uma expressão hiperbólica.

PROVÉRBIO

Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO SEXTO DIA

CHEGANDO - Já chegando ao vigésimo sexto dia do mês. Tempo de espera pelas chuvas. E ela veio. 

TEMPO - Próximo das cinco da tarde, leve chuva, depois de um forte calor. Trovões.

LINGUAGEM - Tempo dos troféis? Ou seria tempo dos troféus?

A entrega dos troféus nas maratonas de corrida tem exigido dos locutores o saber de uma regra simples do plural das palavras de nossa língua.

A regra geral do plural das palavras em língua portuguesa diz que as palavras terminadas em "u", obviamente, terão o plural com acréscimo de "s".

Degrau, baú, museu, troféu, céu.


PROVÉRBIO

Quem caminha cedo, pela tarde já vai longe.

domingo, 25 de janeiro de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

VIGÉSIMO QUINTO DIA

TEMPO - Sol quente. Sunday: dia do sol.

MÚSICA NA MINHA VIDA - Meu primeiro amor (interpretada por José Augusto - autores: José Augusto, Miguel e Paulo Coelho)

Foi numa festa outro dia
Que eu te encontrei a dançar
Namoradinha de infância
Sonhos da beira do mar
Você me olhou de repente
Fingiu que tinha esquecido
E com um sorriso sem graça
Me apresentou ao marido.

E o resto da noite dançou pra valer
Se teus olhos me olharam fingiram não ver
No meu canto eu fiquei entre o riso e a dor
Lembrando do primeiro amor.

Pra me beijar precisava
Ficar na ponta dos pés
Eu tinha então oito anos
Mas te menti que eram dez
Lembro você orgulhosa
Da minha calça comprida
Vínhamos juntos da escola
Sem qualquer medo da vida.

Sábado tinha dinheiro
Pra te levar ao cinema
Onde com medo pegava
Tua mãozinha pequena
Nossos castelos de areia
Sonhos perdidos no ar
Jogo de bola de meia
E um refrigerante no bar.

Alguns destaques da música - Retrata, pelo menos três práticas do tempo dos autores da música:

- A calça comprida era um indumentária sagrada quando o menino ficava crescidinho. 

- Ir ao cinema não era pra todo mundo, visto que em muitas cidades só passava filme, como chamávamos, uma vez em alguns meses. Às vezes apenas uma vez ao ano, como "Paixão de Cristo", "McGyver" ou "O Incrível Hulk".

- A bola de meia era o que tínhamos para brincar. Quando muito, uma canarinho ou dente de leite.

LINGUAGEM - Algumas palavras que sofreram mudanças no português do Brasil. Pesquisa feita por Amadeu Amaral publicada em seu livro "Dialeto Caipira":

Capado: porco castrado
Despotismo: enormidade
Fumo: tabaco
Loja: armazém de fazendas a retalho
Pião - domador
Pinga: aguardente de cana
Pinho: viola
Rancho: cabana de campo
Sítio: propriedade agrícola menor que a fazenda
Tabaco: rapé


QUADRAGÉSIMO QUINTO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã. Pela, pingos de chuva. Trovões. LINGUAGEM - Acrografia - O que é? Walmírio de Macedo responde: É a representação...