segunda-feira, 9 de março de 2026

SEXAGÉSIMO OITAVO DIA

TEMPO - Sol bom durante o dia.

LINGUAGEM - Influência do latim

De vinum (latim), temos wine (inglês) e wein (alemão)

De strada (latim), temos street (inglês) e Strasse (alemão)

De genu (latim), temos knee (inglês) e Knie (alemão)


PROVÉRBIO

As desventuras que hão de ser logo trazem caminho.

domingo, 8 de março de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

SEXAGÉSIMO SÉTIMO DIA

TEMPO - Sol bom pela manhã.

CHUVA DE ONTEM PELA NOITE - 9 mm.

HUMOR

- Mamãe, mamãe, na escola me chamaram de mentiroso!

- Fique quieto, Juninho, você nem vai à escola ainda! (Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - Fevereiro/2026)

HISTÓRIA ANTIGA

Pedro Malasarte em "O grande pintor"

 Pedro Malasarte já andara por muitos empregos. Entre outras profissões, fora ajudante de uma célebre pintor. E, enquanto o via trabalhar, ia apendendo a misturar as tintas. Acabou sabendo também pintar alguma coisa.

A fome estava grande e não havia outro recurso. Por isso, mal chegou à cidade, despediu-se do alfaiate e do barbeiro e se dirigiu para o palácio do governador. Pretendia pintar-lhe o retrato e ganhar com isso alguns cobres.

Dois soldados barraram-lhe a entrada:

- Aonde pensa que vai com essa cara de faminto? - pergunto um.

- Sim, aqui não entram mendigos! - declarou o outro.

- Os artistas têm entrada livre onde querem - respondeu  Pedro Malasarte, com ares de importância.

Naquele tempo, os pintores, músicos, escultores eram muito considerados. Tinham livre acesso às casas mais ricas. Por isso os soldados passaram a tratar nosso herói com melhores modos.

- Quero falar com o governador - disse ele.

Num instante viu-se na sala do governador, diante do qual se desfez em mil mesuras.

- Tenho a honra de vir oferecer a Vossa Alteza os meus préstimos. Quero pintar seu retrato para a posteridade!

O governador ficou muito satisfeito. Tratou de mandar hospedar  Pedro Malasarte no melhor quarto do palácio e que lhe servissem comida e dessem roupas novas.

No dia seguinte, muito contente da vida,  Pedro Malasarte voltou a sua presença.

- Meu caro pintor, noto que a boa comida lhe caiu bem no estômago e que a boa roupa lhe caiu bem nos ombros. Está com ótima cara e ainda maior disposição, pelo que vejo!

- Tão bem tratado por Vossa Alteza, não poderia ser de outro modo - respondeu  Pedro Malasarte.

- Pois quero que comece hoje mesmo o seu trabalho. Está vendo aquela grande parede branca ali no fundo? Pois nela você vai pintar para a imortalidade a mim e a todas as damas, cavalheiros e oficiais da minha corte. Não quero que falte nenhum. Não poupe dinheiro. Pode ficar aqui o tempo que quiser.

- É coisa de trinta dias - replicou o nosso amigo.

- Mas faço uma exigência - prosseguiu o governador. - Quero que todo mundo fique igualzinho como é, feio ou bonito, gordo ou magro, direito ou aleijado. Senão, mando cortar a sua cabeça como se faz com um frango.

Saindo dali, pensativo, ia passando por um corredor quando alguém o puxou pelo braço. Era o Visconde de Boa Vista, que por sinal era caolho:

- Escute aqui, caro pintor - foi logo ameaçando. - Se não me pintar com boa cara e principalmente com os dois olhos no lugar, o que tenho e o que me falta, corto você em pedacinhos!

- E foi-se embora.

Ainda assustado com aquela ameaça, Pedro Malasarte continuou andando pelo corredor. Pretendia comprar as tintas para começar o seu trabalho.

De repente, a mulher do governador, que parecia uma trouxa, de tão gorda, apareceu-lhe na frente, com um sorriso:

- Ó meu amigo pintor - disse ela. - Vou querer aparecer no quadro magrinha como era aos vinte anos. Senão, faço uma intriga e o governador, meu marido, manda você para o fundo do calabouço, onde não faltam ratos para comer gente desobediente!

E desapareceu.

Suando frio com mais aquela ameaça, Pedro Malasarte continuou a andar até dar de cara com o capitão da guarda, um gigante mal encarado e com dois metros de altura. No meio do rosto, o capitão apresentava uma cicatriz medonha, conseguida combatendo na guerra.

- Então você é o famoso pintor que o governador contratou para fazer o nosso retrato, hein? - foi dizendo o capitão, com um sorriso mau. - Pois fique sabendo que se na minha cara houver o menor sinal desta cicatriz, quando o quadro ficar pronto, jogo você no fosso dos crocodilos!

Nos dias que se seguiram, Pedro Malasarte recebeu muitas outras ameaças, uma pior do que a outra. Todos queriam ficar mais bonitos no quadro do que eram na realidade. Mas aí seria Pedro Malasarte quem ficaria feio, pois o governador lhe aliviaria os ombros do peso da cabeça.

Finalmente, ele pediu ao governador que mandasse fechar o salão onde ficaria o quadro e cobrir a parede a ser pintada com cortinas, para protegê-la da poeira.

Pintaria de memória. Para isso desfilaram à sua frente o governador e toda a sua corte, em trajes de gala, assombrados com a capacidade do artista gravar os seus traços só com um olhar.

E toca a misturar tinta. Durante trinta dias, prazo que pedira, Pedro Malasarte comia e bebia à vontade, quando não estava dentro do salão onde pintava a obra-prima.

Findo o prazo, o governador mandou chamá-lo:

- Então, Malasarte, terminou o quadro?

- Está pronto, Alteza, mas só gostaria de mostrá-lo aos nobres que nele aparecem.

O governador mandou que todos os membros da corte se reunissem para ver a obra-prima. Quando o salão estava cheio, Pedro Malasarte, diante da cortina fechada, disse:

- Senhor governador, senhora governadora, ilustres damas, corajosos nobres e soldados! Somente vossos olhos privilegiados poderão ver as maravilhosas imagens pintadas sobre esta parede, que há trinta dias atrás não passava de uma parede branca e nua. Mas preciso preveni-los de que quem não for de sangue nobre nada verá a não ser a parede, como era antes. Isso porque usei tintas especiais, preparadas por um poderoso feiticeiro amigo meu. Abri bem os vossos olhos e contemplai esta obra-prima!

E, abrindo a cortina, mostrou-lhes a parede tão branca como sempre estivera.

Todos arregalavam os olhos e fingiam que viam, comentando detalhes, pois não queriam passar por plebeus sem sangue nobre.

- Que belo olhar tenho eu, vejam só - dizia o Visconde de Boa Vista, apontando para a parede, onde se via com os dois olhos no lugar, em vez de caolho, como era.

- E eu, então? Como estou esbelta! - exclamava a mulher do governador, vendo-se com o corpo dos vinte anos, em vez da bruaca que era agora.

- E que lindo rosto o meu! - gabava-se o capitão da guarda, que se via sem a feia cicatriz que ganhara na guerra.

Ninguém tinha coragem de dizer que só estava vendo uma parede branca e nua. É que, no fundo, se davam por muito satisfeitos por não terem sido apresentados com seus defeitos.

Mais tarde, o governador chamou Pedro Malasarte a sós:

- Aqui entre nós, seu malandro - foi-lhe dizendo - o que há atrás daquelas cortinas é só a parede branca que havia antes. Percebi isso desde o começo. Mas você foi de uma esperteza tão grande, e eu ri tanto de toda aquela gente fingindo se ver no quadro, que vou lhe pagar da mesma maneira como se você o tivesse pintado. Aqui estão mil moedas. Leve-as e desapareça antes que eu mude de ideia!

No mesmo dia, abandonando tintas e pinceis Pedro Malasarte partiu em busca de outros ares.

Realmente escapara daquele aperto por muito pouco.

(Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte", de Sérgio Augusto Teixeira).

"INTERNET" DE ANTIGAMENTE

Abetarda - Nome vulgar das aves pertencentes ao gênero Otis, da família dos otidídeos, ordem dos gruiformes.

Habitantes do Velho Mundo, têm corpo pesado, pernas altas e fortes, pé com três dedos, bico reto, curto e agudo. Vivem em bandos, habitando de preferência as planícies. São aves de caça, mas difíceis de apanhar, por serem muito cautelosas. Alimentam-se de sementes, frutas, ervas, insetos, sapos, lagartixas, etc. A espécie maior é a Otis tarda, de mais de 1 m de altura e 2,50 m de envergadura, pesando 15 kg. Possui colorido ferrugíneo no dorso, com manchas brancas e pretas, e brancacento no lado inferior; a cabeça e a garganta são cinzentas. O macho apresenta na mandíbula inferior uma barba de penas. É encontrada com maior frequência na Europa Oriental e na Ásia Ocidental e Central. Ocorre ainda, esparsamente, em algumas partes da Alemanha, da França, da Espanha e, até o século passado, também na Inglaterra. Uma espécie bastante menor, a Otis tetrax, de 45 cm de altura, é de colorido ferrugíneo, manchado de preto; o colar e o ventre são brancos. Tem as penas do pescoço eriçadas em forma de gola. Habita os países do Mediterrâneo e o norte da África. Espécies asiáticas, que raramente ocorrem na Europa Oriental, são: Otis macqueemi e Otis undulata. No sul e no leste da África ocorre uma espécie afim, a Choriotis kori, e, na Austrália, a Austrotis australis. (Enciclopédia Brasileira Globo, volume 1)






sábado, 7 de março de 2026

SEXAGÉSIMO SEXTO DIA

TEMPO - Sol forte pela manhã.

LINGUAGEM - Mas e mais

Elementar, mas muita gente boa ainda tropeça e não atenta para o uso correto das duas palavras.

QUE PALAVRA!

Concitar 

Incitar à desordem. Incitar, instigar. Concitar. (Aurélio)

sexta-feira, 6 de março de 2026

SEXAGÉSIMO QUINTO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã.

FALTA - Falta d'água é, mais uma vez, notícia.

LINGUAGEM - Questão de regência nominal

Regência é um dos assuntos de língua portuguesa mais difíceis, fascinantes e práticos da gramática. Opinião minha. Depois de entendermos um pouco, aprenderemos com facilidade.

Euclides da Cunha, em "Os Sertões" utiliza da regência nominal de forma correta:

Não mais se ouviam ladainhas melancólicas entre os intervalos das fuzilarias; cessavam os ataques atrevidos às linhas". Referia-se ele à guerra de Canudos. O substantivo ataque é regido pelas preposições a, contra ou de, informa Francisco Fernandes em seu "Dicionário de Regimes e Substantivos e Adjetivos".

Outro exemplo do mesmo autor e obra: "O ataque contra o arraial era urgente". 

"Duas semanas durava o ataque à duna, e a duna parecia, como na véspera, imensa, bronca, inalterável".  (Aquilino Ribeiro, A Batalha sem Fim")

CHUVA - Ontem pela noite cedo tivemos uma pequena chuva: 5 mm.

PROVÉRBIO

As conversações comuns são ignorâncias comuns.

quinta-feira, 5 de março de 2026

SEXAGÉSIMO QUARTO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã, alternadamente com sol.

LINGUAGEM - Bastante e bastantes

Bastante é palavra invariável quando acompanha um verbo ou adjetivo. 

Se, porém, acompanhar um substantivo, poderá variar, para o plural - bastantes.

SAÚDE - As muriçocas, além de suas picadas, fazem um barulhinho insuportável que nos tiram a concentração e a paz.

CHUVA - Pela noite, uma chuva leve. Serviu, entre outras coisas, esfriar o tempo e espantar os insetos.


PROVÉRBIO

As consequências são largas e as mãos curtas.

quarta-feira, 4 de março de 2026

SEXAGÉSIMO TERCEIRO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã e chuvoso pela tarde. Neblina.

LINGUAGEM - Fonema e letra

Grande diferença entre uma e outra palavra. O fonema é som; a letra é uma representação material dos sons (fonemas).

Foi/boi.

Nas duas palavras temos três letras e três fonemas em cada. Mudando uma letra, muda-se o fonema e consequentemente, o significado.

APRENDENDO A VIVER - "Despreza tudo o que um trabalho supérfluo estabelece como enfeite e requinte; pensa que nada é extraordinário a não ser a alma e que, para uma alma grande, nada é grande". (Sêneca)

PROVÉRBIO

As coisas prósperas adquirem amigos e as adversas os aprovam.

PROVÉRBIO

As conjunções das coisas o tempo as dá.

terça-feira, 3 de março de 2026

SEXAGÉSIMO SEGUNDO DIA

TEMPO - Bom. Nublado. Alguns pingos depois das nove. Neblina na entrada da noite.

LINGUAGEM - Bibliônimos

Como devemos escrever os nomes de obras literárias? Com letras maiúsculas no início de cada palavra ou tanto faz?

O professor João Maria de Lima responde:

O primeiro elemento dos títulos de obras literárias é sempre com a inicial maiúscula; os demais elementos podem ser escritos com minúsculas, salvo nos nomes próprios neles contidos. Assim:

Memórias Póstumas de Brás Cubas ou Memórias póstumas de Brás Cubas; O Tronco do Ipê ou O tronco do ipê; Canção do Exílio ou Canção do exílio.


PROVÉRBIO

 As coisas muito gabadas não podem parecer bem.

segunda-feira, 2 de março de 2026

SEXAGÉSIMO PRIMEIRO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã.

CHUVA - Ontem na entrada da noite, ela não deu as caras, mas botou o nariz: quase chove por aqui. A lua estava encoberta, o que parecia, pelo tempo bom, uma chuva ainda no começo da noite.

LINGUAGEM - Beneficente

É comum a confusão da palavra beneficente com beneficiente, que não existe.


PROVÉRBIO

As coisas fingidas não duram muito e por si descobrem.

domingo, 1 de março de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

SEXAGÉSIMO DIA 

TEMPO - Nublado e frio pela manhã.

HUMOR

A professora fala pra Joãozinho:

- Diga três partes do corpo com a letra "z".

Ele respondeu:

- Zóio, zoreia e zovido.

Aí a professora fala:

- Adivinhe a sua nota! Também começa com "z".

- Ah, deve ser um zoito. 

(Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - Fevereiro/2026)

HISTÓRIA ANTIGA

Pedro Malasarte em "Malasarte pão e vinho"

Uma vez, caminhava Pedro Malasarte pela estrada, rumo à cidade, onde ia procurar emprego. Lá pelas tantas, encontrou o barbeiro Bonifácio e o alfaiate Jeroboão, que também iam na mesma direção. Eram dois espertalhões, o barbeiro e o alfaiate, sempre prontos a passar a perna nos outros. E não seria Pedro Malasarte quem iria escapar da lábia deles.

Imaginem que nenhum dos dois levava farnel, embora a viagem fosse longa. Tratava-se de uma senhora caminhada! Já estava escurecendo e daí a pouco teriam de parar para passar a noite em algum lugar.

Acontece que a noite caiu antes que encontrassem casa ou hospedaria onde pudessem pedir pousada. O jeito foi se acomodarem da melhor maneira à beira da estrada. Aí o barbeiro disse:

- Ai, que meu estômago já está colado nas costas! Tem alguma coisa na sacola que traz no ombro, amigo Malasarte?

- Só um pãozinho que minha mãe me deu antes de eu sair de casa - respondeu nosso herói. - E um pouco de vinho.

- Pão e vinho? - intrometeu-se o alfaiate. - É o quanto basta para nossa missa. Vamos repartir isso!

Malasarte, porém, sabia que ainda teriam, na manhã seguinte, muito que andar - só chegariam à cidade por volta do meio-dia - e por isso respondeu:

- Meus bons amigos, tenho uma ideia melhor. Dizem que o sono é o melhor alimento. Estamos cansados, não estamos? Então vamos aproveitar e ferrar no sono agora mesmo. Amanhã de manhã, assim que acordarmos, repartimos o meu farnel e logo nos sentiremos bem dispostos para prosseguir a viagem. 

Meio a contragosto, seu companheiros de viagem tiveram de concordar, mas cada um já pensando em como haveria de se apoderar do farnel de Malasarte enquanto este dormia.

Dito e feito. Trocaram boas noites, cada um virou para seu lado e, mal ouviram nosso herói ressonar, barbeiro e alfaiate trataram de espichar a mão para a sacola.

Só que, como não haviam combinado entre si, ficou um puxando de cada lado, com todas a força, e a sacola não se mexia. No escuro, começaram a ficar com medo: estaria aquela sacola encantada? Não saía do lugar, por mais que puxassem! E não era Pedro Malasarte quem a estava segurando, pois ele nem havia acordado com aquilo tudo.

Finalmente, no meio de um sonho, o dono da sacola passou o braço por cima dela e os dois malandros ficaram a noite inteira esperando que ele tirasse o braço para tentar novamente.

Já quase amanhecendo, com os olhos muito vermelhos, o barbeiro olhou para a cara do alfaiate:

- Amigo Jeroboão, estamos fritos se daqui a pouco tivermos de repartir por três o farnel deste pateta que está roncando aí no chão. Precisamos dar um jeito de ficar com a refeição só para nós.

- Bonifácio, meu caro - retrucou o alfaiate - pode deixar comigo. Tenho uma ideia. Tratemos de dormir um pouco. De manhã, vamos propor ao Malasarte o seguinte: quem contar o melhor sonho, fica com tudo, o pão e o vinho. É claro que se for um de nós, repartirá com o outro.

O barbeiro concordou e ambos trataram de dormir, pois, até então, com o estômago roncando, não haviam pregado olho. E como dormiram!

Ao acordar, com o sol nascendo, Pedro Malasarte deu com os dois ressonando alto, profundamente adormecidos. E disse para si mesmo:

- O sono é o melhor alimento. O negócio é deixá-los dormir. Quanto a mim, que estou acordado, vou tratar de comer, que a fome é grande.

E com muita satisfação devorou o seu pãozinho e o regou, depois, com o vinho que trazia.

Em seguida, como ainda era cedo, deitou-se novamente e acabou cochilando.

Naquela modorra, viu quando Bonifácio e Jeroboão despertaram e tiveram esta conversa:

- Como é, amigo Bonifácio? Sonhou alguma coisa que se aproveitasse? - perguntou o alfaiate.

- Puxa, se sonhei! - respondeu o barbeiro. - Imagine que eu estava no céu, fazendo a barba de todos os santos! Que felicidade. E você, Jeroboão?

- E eu, então? - retrucou o alfaiate. - Pois mal fechei os olhos me vi direitinho, mas no inferno, cara a cara com o Diabo. E quer saber do que mais? Ele queria uma roupa nova, bem vermelha! Estava tirando as medidas, quando acordei. Que cheiro de enxofre.

- Duvido que o pateta do Malasarte tenha sonhado alguma coisa que preste - disse o barbeiro. - Vamos tratar de acordá-lo e fazer a ele a nossa proposta!

E mais do que depressa deram duas ou três sacudidelas no companheiro, que continuava abraçado com sua sacola.

Fingindo que acordava de um sono profundo, Pedro Malasarte esfregou os olhos e com cara de tolo ouviu a proposta dos dois espertalhões. Quem contasse o melhor sonho comeria o farnel todo. Mas Malasarte perguntou, soltando um enorme bocejo:

- Farnel? Que farnel?

- Ora, esse aí que você carrega na sacola! - exclamaram Bonifácio e Jeroboão.

- Meus amigos, o farnel já era - disse Malasarte. - Acabei de comê-lo indagora! E chorando!

- Chorando? - repetiram os dois malandros, entre perplexos e desapontados.

- E como não haveria de chorar? - continuou Malasarte. - Pois sonhei que havia perdido meus pobres companheiros! Imaginem só que vocês dois haviam morrido. O meu bom amigo aqui, o barbeiro Bonifácio, uma alma pura, tinha sido levado para o céu, por um anjo, para fazer a barba de todos os santos. Como estava feliz! Já o meu ainda melhor amigo aqui, o alfaiate Jeroboão, que deve estar devendo alguma coisa a São Pedro, estava com dois olhos assim arregalados porque foi parar direitinho no inferno - e  com a incumbência de fazer imediatamente uma roupa nova para o Diabo!

Bonifácio e Jeroboão se entreolharam, boquiabertos.

- Bem, meus amigos - prosseguiu Malasarte. - Eu nunca soube que alguém tivesse ido parar no céu ou no inferno e depois voltado para este mundo. Por isso, muito tranquilamente, ainda com lágrimas nos olhos, abri minha sacola e tratei de comer o meu pãozinho, regando-o depois com minha meia garrafa de vinho. Foi o jeito que achei de me consolar.

E notando a cara desapontada dos dois, concluiu:

- Mas que caras são essas? Então vocês escapam de ir desta para a melhor e não ficam alegres? Vamos cantar e dançar, minha gente!

Começou a cantar e a bater palmas, enquanto Bonifácio e Jeroboão, muito sem jeito, mas para disfarçar, ensaiavam dois ou três passos.

Depois, com a barriga roncando, prosseguiram a viagem. Malasarte ia lépido, na frente. Seus companheiros, trocando as pernas, nal podiam acompanhá-lo. Mas afinal chegaram, mais mortos do que vivos, à cidade.

(Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte", de Sérgio Augusto Teixeira).

LINGUAGEM - Arguir

Além do sentido de fazer perguntas a aluno, o verbo tem muitos outros, encontráveis em qualquer dicionário. Precisamente a acepção tão corrente na linguagem escolar é que falta na memória dos léxicos. Só Francisco Fernandes a consignou, abonando-se com o seguinte exemplo de Rui Barbosa, tomado à sua tradução das "Lições de Coisas".

"Nesta fase do ensino, argua o mestre os alunos, com perguntas deste gênero". 

Arguir também quer dizer acusar, no sentido de censurar. Constrói-se com "de".

No período de D. Silvério, anotado pelo consulente, significa, por igual, acusar, mas na acepção de revelar, denotar, inculcar. Diz assim:

"Minha presença nesta respeitável assembleia das letras pátrias argui em mim uma temeridade pouco explicável em meus anos..." (Aires da Mata Machado Filho)

Arguir é uma entre muitas palavras desconhecidas desta geração.

PROVÉRBIO DE LÚLIO - A justiça reluz no o príncipe e a lealdade do povo.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

QUE PALAVRA!

Blandicioso

Carinhoso, caricioso. (Silveira Bueno)

Carinhoso; terno; meigo. "Vamos, sente-se aqui, disse a mãe, blandiciosa". (Dicionário UNESP)

"Quando sabia que um lavrador ou criador estava em dificuldades financeiras, procurava-o, blandicioso, e oferecia-lhe um empréstimo, pedindo como garantia terras ou gado num valor que em geral correspondia ao dobro ou ao triplo do capital emprestado". (Aguinaldo Silva, personagem de  "O tempo e o vento", de Érico Veríssimo, que aportou em Santa Fé)


QUINQUAGÉSIMO NONO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã.

DESAFIO

Assinale a alternativa correta que está na ordem direta: "Serviu Jacó os primeiros sete anos a Labão". 

a) Serviu os primeiros sete anos Jacó a Labão

b) A Labão serviu os primeiros sete anos Jacó

c) Os primeiros sete anos serviu Jacó a Labão

d) Jacó serviu a Labão os primeiros sete anos

e) Os primeiros sete anos Jacó serviu a Labão

SAÚDE - O cuidado com as moscas nesse período deve ser dobrado.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

QUINQUASÉSIMO OITAVO DIA

TEMPO - Nublado e frio.

CHUVA - De ontem pelo fim da noite para a manhã de hoje tivemos uma neblina de 3 mm. Pouco, mas o necessário para esfriar o tempo e animar todo mundo.

LINGUAGEM - Conglomerado verbal

Apanhar mosca: vadiar

PROVÉRBIO

As coisas feitas com ordem chegam-se à perfeição.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO SÉTIMO DIA

TEMPO - Pela manhã, nuvens formadas por uma bela barra a leste.

HOJE - Dia do comediante

LINGUAGEM - Bahia, baía e baia: três palavras parecidas, mas com significados idferentes.

Bahia: todo mundo sabe - um Estado do Brasil.

Baía: pequeno golfo.

Baia: Compartimento ou espaço de um estábulo onde se guardam animais.

PROVÉRBIO

As coisas duras quebrantam-se com ferro e as moles desfazem-se com os dedos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMMO SEXTO DIA

TEMPO - Céu limpo, sol forte, temperatura amena pela manhã.

LINGUAGEM- Barbarismo 

Não é embigo como muitos dizem. Umbigo é o correto.

Barbarismo, segundo Luiz A. P. Vitória em seu livro "Tira-dúvidas de Português", é qualquer palavra estranha ao vernáculo, qualquer erro de grafia, de prosódia, etc. Ocorre, portanto, em embigo-umbigo um barbarismo gráfico.

PROVÉRBIO

As coisas dos amigos não enfadam.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO QUINTO DIA

TEMPO - Céu limpo. Calor pela tarde.

LINGUAGEM - "Frente a"

Embora muito utilizada no "economês", sobretudo quando se fala do mercado de câmbio ("O dólar frente ao real"), a expressão "frente a" não é acolhida no padrão culto da língua. Nesse registro e nesse contexto, a expressão corrente é "em relação a":

O dólar se desvalorizou em relação ao real. (Dicas de Pasquale)

TRÂNSITO - Colho de "Smalville - As aventuras do Superboy" a seguinte lição: Lex Luthor sofre um grave acidente e o herói o salva. Lex pergunta ao pai do herói a maneira de retribuir pelo o que ele fez. O pai responde: "Dirija mais devagar". 

SAÚDE - Estudiosos alertam para algo relacionado ao nosso coração: levantar bruscamente não é saudável e até perigoso. Tomar café logo depois de acordar também não é bom.

E qual o correto? É levantar-se devagar, tomar um copo d'água e caminhar ou correr, se for o caso.

Como um motor de carro ou moto - No nosso corpo tem um motor muito importante e até indispensável à vida. Um motor, sendo acionado a ponto de fazer o automóvel correr sem aquecer, pode parar de vez. Eis a similaridade.



PROVÉRBIO

As coisas dos amigos hão de ser comuns.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO QUARTO DIA

TEMPO - Céu sem nuvens. Nuvens pela tarde. Nenhuma previsão para chuva.

ESCOLA - É hoje

Início das aulas na rede estadual de ensino.

Em Upanema, as escolas Calazans Freire e Alfredo Simonetti iniciam as aulas. O Calazans, do Ensino Médio; o Alfredo, Ensino Fundamental.

LINGUAGEM

Cacofonia - É o encontro de de fonemas de diferentes vocábulos, dando origem a uma terceira palavra, às vezes obscena: Boca dela.

Eufonia - É o oposto de cacofonia.

SAÚDE - Tem que se mexer, é o slogan dos profissionais da saúde e educação física.

PROVÉRBIO

As coisas contrárias postas a par melhor aparecem.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

QUINQUAGÉSIMO TERCEIRO DIA

TEMPO - Nuvens esparsas. Amenidades no clima.

FRASE - "Serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente". (Sêneca, em conselhos a Lucílio)

HUMOR  - Dois amigos:

- Mas você não se cansa de ficar sempre deitado, sem fazer nada?

- Não. Quando estou cansado, durmo um belo sono e descanso. (Seleção de Irmão José Rovani, FSC/ Toledo/PR - Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - Fevereiro/2026)

HISTÓRIA ANTIGA 

Pedro Malasarte, em "De quem é a terra que a gente pisa"?

Acontece que naquele tempo era proibido caçar nas terras do Barão Mâo-de-Ferro, onde viviam centenas dos mais gordos coelhos do reino, saltando de um lado para o outro à vontade. O barão era um fidalgo muito mal-humorado e tratava a todos com desprezo e arrogância.

Pois não é que Pedro Malasarte resolveu caçar justamente nas terras do barão?

Um belo dia, bem cedo, de espingarda ao ombro, lá se foi ele, disposto a trazer pelo menos uma dúzia dos melhores coelhos do barão.  Afinal, na panela de Serafina, a mãe de Pedro Malasarte, havia muitos dias que não entrava nem um osso para fazer uma sopinha.

Nosso herói ia assobiando pelo caminho, certo de que seria fácil tapear o barão. Mas não contava com os guardas que o fidalgo espalhara pela floresta e que, tão logo o viram, foram logo contar ao barão que havia nada mais, nada menos do que um caçador nas suas terras.

Mas estavam lidando com um grande espertalhão. Logo que apanhou os dois primeiros coelhos, Pedro Malasarte saiu das terras do barão e chamou um lavrador que ia passando na estrada com sua velha carroça cheia de terra, propondo-lhe trocar os coelhos pela carroça e pela terra - e ainda dava a espingarda de lambujem. Não estava mesmo precisando dela, tantos coelhos havia pulando ao seu redor. Bastava apanhá-los pelas orelhas e metê-los no saco que trazia. O lavrador aceitou a troca e foi-se embora, muito feliz da vida com sua nova espingarda e seus dois coelhos.

Pedro Malasarte, mais que depressa, colocou um bonito molho de cenouras, tiradas de uma horta próxima, no alto da carroça e tornou a entrar com ela nas terras do impiedoso fidalgo.

Os coelhos têm um faro especial para cenouras. Logo que viram aquelas que estavam na carroça, tão lindas, começaram a pular para cima desta, às dúzias. Pedro Malasarte, encarapitado em cima da terra que estava na carroça, ia cantando:

- Um... dois... três... cinco... nove...

Quando chegou a quarenta e oito, ouviu-se um tropel de cavalos e o Barão Mão-de-Ferro apareceu, espumando de raiva:

- Com que então, miserável camponês, não sabes que é terminantemente proibido pôr os pés nas minhas terras? Serás enforcado por isso!

- Perdão, senhor, mas está havendo um engano - disse Malasarte sem se alterar.

- Como? Ousas me contradizer? Então não estou te vendo pisar nas minhas terras, cercado dos meus coelhos?

- Não - replicou Malasarte - O senhor está me vendo pisando nas minhas terras, cercado dos meus coelhos!

- Este camponês é um louco! - berrou o barão. - Peguem-no e enforquem-no!

Os soldados iam obedecer quando se ouviu uma trombeta.

- É o rei! É o Rei Gustavo que está chegando! - gritaram todos.

Era mesmo o rei, aquele mesmo rei que ficara muito amigo de Pedro Malasarte quando este era um meninote de sete anos. O rei já estava velhinho, mas continuava bondoso e bem-humorado. Aproximando-se com sua comitiva, perguntou o que estava acontecendo.

- Senhor - respondeu o barão, respeitosamente. - Surpreendi este camponês pisando nas minhas terras e cercado dos meus coelhos, quando todos sabem que isso é terminantemente proibido, sob pena de enforcamento!

- É verdade, Pedro Malasarte? - indagou o rei.

- Bem, Majestade - respondeu nosso herói. - No meu entender, estou pisando nas minhas terras e cercado dos meus coelhos.

- Como assim? - quis saber o rei, curioso de como aquilo iria acabar.

Gostaria de salvar seu amigo Malasarte das mãos do perverso barão, mas não sabia como.

- Acontece, Majestade, que troquei esta carroça cheia de terra pela minha espingarda ainda esta manhã. Quer dizer que estou pisando na minha terra. 

Todos caíram na gargalhada, inclusive o bom Rei Gustavo, que deu razão a Pedro Malasarte:

Meu amigo barão, como podes querer enforcar um pobre camponês por estar pisando na sua própria terra? - perguntou ao furioso fidalgo, que foi o único a não achar aquilo nada engraçado.

Está bem, eu concordo - retrucou o Barão Mão-de-Ferro, mordendo os lábios. - Mas também é proibido caçar por aqui e a carroça do camponês está cheia de coelhos!

- Quando um coelho teu foge pela cerca e vai parar no terreno do vizinho, pertence a ele, não é verdade? - indagou o rei, sempre bem humorado.

Infelizmente, Majestade, quando meus coelhos fogem para terra alheia, são caçados sem que eu possa dar um pio! - concordou o barão.

- Pois então, do que estás te queixando? - concluiu o rei. - Teus coelhos pularam para dentro da carroça de Malasarte... Ou a terra que está na carroça também é tua?

Compreendendo que havia sido derrotado, o barão esporeou seu cavalo e partiu com os soldados de volta a seu castelo, soltando fumaça pelas orelhas, tamanha era sua raiva.

Pedro Malasarte, tranquilamente, pegou as rédeas do burrico que puxava a carroça e, depois de colocar seus quarenta e oito coelhos no saco, saiu das terras do barão.

O Rei Gustavo sorria para ele, como quem diz: "Desta vez te safaste de boa, meu bom amigo Malasarte..." (Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte", de Sérgio Augusto Teixeira).

"INTERNET" DE ANTIGAMENTE

Abélia - Botânica - Gênero de arbustos da família das caprifoliáceas, com 18 espécies oriundas da China e 2 do México. Atingem 1 - 2 metros de altura e apresentam folhas opostas, sem estípulas. Muito apreciadas pela beleza e pelo perfume de suas grandes flores brancas, róseas ou avermelhadas, agrupadas em cimeiras, são cultivadas, inclusive no Brasil. Entre elas sobressai a espécie Abelia chinensis, pela folhagem escura e luzente. (Enciclopédia Brasileira Globo, volume 1)



sábado, 21 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO SEGUNDO DIA

TEMPO - Nuvens esparsas. Sol forte pela manhã.

LINGUAGEM - Os sons da fala

Os sons de nossa fala resultam quase todos da ação de certos órgãos sobre a corrente de ar vinda dos pulmões.

Para a sua produção, três condições se fazem necessárias:

a) a corrente de ar;

b) um obstáculo encontrado por essa corrente de ar;

c) uma caixa de ressonância.

Estas condições são criadas pelos órgãos da fala, denominadas, em seu conjunto, aparelho fonador.

De que é constituído o aparelho fonador?

Em outra postagem, compartilharei com os leitores essa informação. (Contribuição de Celso Cunha)

SAÚDE - Ela voltou a nos perturbar. Em cada canto da cidade ela está presente. Falo da gripe de todos os anos. Até parece que o mesmo vírus fica à espreita esperando chegar o tempo de atacar. 

Canetas - As ditas canetas emagrecedoras estão fazendo mais mal do que bem.

Há outras formas de se perder peso, como as dietas e exercícios físicos.

Entretanto, muitos preferem as canetas.


QUE PALAVRA!

Féria

Importância das  vendas realizadas por uma casa comercial num dia, numa semana, num mês, num ano. (Antenor Nascentes)

Dia semanal. Salário de trabalhador. Soma dos salários da semana. Em casa comercial, a quantia  apurada mediante vendas. (Aurélio)

Encontramos a palavra "féria", desconhecidíssima de muitas pessoas, em Fernando Sabino, em seu livro "A cidade Vazia":

Bandidos armados deram ultimamente para assaltar os motoristas de ônibus nos fins de linha, roubando-lhes a féria do dia.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO PRIMEIRO DIA

TEMPO - Céu azul e ligeira nublagem. Risco no ar. Céu aberto, com sol, pela tarde.

QUEM SABE O SIGNIFICADO?

Quem sabe o que significa "féria"?

SAÚDE - Senhoras moscas

Nem precisamos gastar o verbo para expressarmos acerca dos males das moscas. Diremos apenas que o período de seu senhorio é este. Em todo canto que estamos, lá estão elas. Por mais que as afugentemos, elas não nos largam. Morrem em curto período, mas não faltam ao nosso redor. A reprodução é rápida talvez igual à extinção.

LINGUAGEM - Locução adjetiva

Em geral, a locução adjetiva é formada por uma preposição e por um substantivo:

líquido sem cheiro: líquido inodoro
paixão sem freio: paixão desenfreada
material de escola: material escolar.

Outra são formadas com preposição e advérbio:

notícia de hoje
casa de antigamente
conversa de sempre.

SAÚDE - Dicas para um bem-estar saudável

Para um melhor bem-estar, primeiramente você deve:

Começar bem o dia: Levante, se espreguice, pois espreguiçar ajudar a alongar toda a musculatura corporal. Sempre procure tomar líquidos pela manhã para manter o seu organismo hidratado. 

Cuidar da alimentação: Uma boa alimentação é essencial para se ter bem-estar, pois ajuda na prevenção de doenças nutricionais que impedem uma boa saúde física e mental. 

Movimente-se: Fazer exercício físico regularmente colabora para atingir e manter o peso saudável, além de ser um dos segredos da longevidade. 

Controle seu estresse: Saber administrar o estresse é algo muito importante para manter o auto-c0ntrole. Um grau elevado de estresse pode causar, em muitos casos, acidentes, além de variados problemas em sua saúde. (Dicas de Ricardo Bulat - Caçador/SC - Folhinha Sagrado Coração de Jesus/2026)

Todas as dicas a cima são conhecidas do leitor e até de quem não sabe ler. O problema está no fato que nós humanos somos indisciplinados e não observamos o que se deve.



PROVÉRBIO

As coisas contrárias com as contrárias se curam.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

QUINQUAGÉSIMO DIA

TEMPO - Nublado e frio pela manhã. Trovões pela tarde.

CHUVAS - Estão escassas e já desperta nos agricultores uma suspeita de que não teremos um bom inverno. 

LINGUAGEM - Origem da nossa língua portuguesa

A língua portuguesa provém do latim, que se entronca, por sua vez, na grande família das línguas indo-europeias, representada hoje em todos os continentes.

De início, simples falar de um povo de cultura rústica, que vivia no centro da Península Itálica, a língua latina veio, com o tempo, a desempenhar um extraordinário papel na história da civilização ocidental, "menos por suas virtudes do que pelo êxito político do povo que dela se servia". Edouard Bourciez. (Comentário de Celso Cunha, em "Gramática da Língua Portuguesa")

A língua - Como mãe da nossa língua, deveria acompanhá-la no currículo das nossas escolas. Caberia e cabe no lugar de muitas outras que em nada ajudam na formação intelectual dos nossos alunos.

PROVÉRBIO

As coisas bem cuidadas, se não sucedem, não perecem.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

QUADRAGÉSIMO NONO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã. O calor grassa.

CHUVAS - Sumiram. 

LINGUAGEM  - Onde está o amor? (The Fevers)

Uma bela prosopopeia

Onde está o amor?
Eu preciso encontrar
Onde está o amor?
Ninguém sabe explicar.

O amor é ternura e carinho
É o motivo da gente viver
Em seus olhos eu vejo a verdade
O amor só existe em você.

Onde está o amor?
Ninguém sabe responder
Onde está o amor?
Alguém tem que me dizer.

Perguntei às estrelas e à lua
E até ao mar perguntei
Mas a brisa que passa me avisa
Que o amor eu ainda acharei.

Onde está o amor?
Onde está o amor?
Uô-uô-uô, uh-uh-uh, hmm.

Onde está o amor?
Não consigo descobrir
Onde está o amor?
Já lutei, não consegui.

Dizem que só o amor vale a vida
Mesmo que seja ilusão
Hoje eu sei que eu vivo sonhando
Com o amor junto ao meu coração.

Onde está a prosopopeia?

Está na estrofe:

Perguntei às estrelas e à lua
E até ao mar perguntei
Mas a brisa que passa me avisa
Que o amor eu ainda acharei

As estrelas, a lua e o mar não responderam onde estaria o amor. A brisa é que avisou que o eu lírico ainda acharia o amor.

Seres inanimados falam, pensam e sugerem.




PROVÉRBIO

As coisas bem concertadas, às pedras parecem bem.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

PROVÉRBIO

As coisas árduas e lustrosas se alcançam com trabalho e fadiga.

QUADRAGÉSIMO OITAVO DIA

TEMPO - Sol forte pela manhã.

O carnaval dos animais - Pausa

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se.

Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:

- Vais sair de novo, Samuel?

Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fonte calca; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.

- Todos os domingos tu sais cedo  - observou a mulher com azedume.

- Temos muito trabalho no escritório.

Ela olhou os sanduíches:

- Por que não vens almoçar?

- Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.

A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga, Samuel pegou o chapéu:

- Volto de noite.

As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes imóveis, as barcaças atracadas. 

Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotelzinho velho e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:

- Ah! seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...

- Estou com pressa, seu Raul - atalhou Samuel.

- Está bem, não vou atrapalhar - Estendeu a chave. - É o de sempre.

Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. 

Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:

- Aqui, meu bem! - uma gritou, a outra riu.

Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha-de-cabeceira.

Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fecho os olhos.

Dormir.

Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.

Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.

Samuel dormia. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas,, corriam, perseguidor e perseguido.

Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhado de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois fez-se silêncio.

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. 

Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista. 

- Já vai, seu Isidoro?

- Já - disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu  troco em silêncio. 

- Até domingo que vem, seu Isidoro - disse o gerente.

- Não sei se virei - respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.

- O senhor diz isto, mas volta sempre - observou o homem, rindo.

Samuel saiu. 

Guiou lentamente ao longo do cais. Parou um instante para olhar os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois seguiu para casa.

SEXAGÉSIMO OITAVO DIA

TEMPO - Sol bom durante o dia. LINGUAGEM - Influência do latim De vinum (latim), temos wine (inglês) e wein (alemão) De strada (latim), temo...