quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

TRIGÉSIMO QUINTO DIA

TEMPO - Nuvens esparsas, com perspectivas de chuva. Trovões pela tarde. Cheiro de chuva. Chuva leve.

EXPERIÊNCIA DE CHUVA - Há mistérios com o bem-te-vi.

LINGUAGEM - "Ele tinha pego o ladrão". 

Errado! Proclama o grande Luiz A. P. Vitória. 

O único particípio do verbo pegar é pegado. Logo, diga-se: 

Ele tinha pegado o ladrão.

Ele tinha pegado o ladrão.

Ele tinha pegado o ladrão.

Três vezes é pouco diante das milhares de vezes que já foi repetido o pego por esse país afora.

PROVÉRBIO

Grandes males, grandes remédios.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

TRIGÉSIMO QUARTO DIA

TEMPO - Dia quente como os outros.

EXPERIÊNCIA DE CHUVA - Nada como a das formigas: quando elas mudarem de lugar, principalmente às margens de açudes, chuva na certa.

LINGUAGEM - Conglomerado verbal: "Apanhar  com a boca na botija": Pegar em flagrante.



PROVÉRBIO

Ninguém morre na véspera, só peru antes da festa.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

TRIGÉSIMO TERCEIRO DIA

TEMPO - Céu azul. Folhas imóveis.

EXPERIÊNCIA DE CHUVA - Não chover nos dois primeiros dias do mês: chuva ao longo do mês.

LINGUAGEM - Ela mesmo: erro flagrante, nos ensina Luiz A. P. Vitória. Sendo mesmo e próprio demonstrativos de identidade, concordam com o termo a que se referem. Exs: Ela mesma se castigou; eles mesmos...; nós próprios...

ESCOLA - As matrículas para os alunos novatos das escolas estaduais - aqui em Upanema - Calazans Freire e Alfredo - terão início no dia 09/02.

PROVÉRBIO

Não presta velho mudar de casa. Morre.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

TRIGÉSIMO SEGUNDO DIA

HUMOR

- Joãozinho, por que seu pai não veio à reunião?

- Porque ele está com a canela quebrada, professora!

- Não é canela que s e fala, Joãozinho, é perna! E sua mãe, por que não veio?

- É que ela fez arroz-doce e foi comprar perna em pó pra colocar nele. (Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - Janeiro/2026)

FITOTERAPIA 

O livro "Medicina rústica", de Alceu Maynard Araújo traz o que as pessoas de Piaçabuçu, Alagoas, usam para curar algumas doenças.

Abacateiro: Nome científico: Persea gratissima, Gaertn. A folha do abacateiro para soltar a urina e curar as doenças dos ris e bexiga. Faz-se chá, toma-se frio todas as vezes que tiver sede, substituindo a água pura. 

LINGUAGEM - O que se diz, o que se entende 

Quer deixar uma pessoa assustada, diga que o mercado público da cidade está no chão ou que deseja que caia uma chuva que a água passe na torre da igreja!

Quem não sabe da pegadinha, logo vai imaginar que o mercado público caiu e que a pessoa deseja que a água acumule um volume que chegue até o topo da torre da igreja.

AGRICULTURA

Calendário agrícola: Plantam-se abobrinha, acelga, amendoim, batatinha, banana, cebola, cenoura, espinafre, feijão. (Da Folhinha/2026)

Obviamente, os legumes acima, poucos há que se plantam por aqui. Destaco a banana e o feijão. O feijão é plantado quando aparecem as primeiras chuvas. Há quem plante no seco, num ato de grande fé.



sábado, 31 de janeiro de 2026

TRIGÉSIMO PRIMEIRO DIA

TEMPO - Quente, como quase sempre. Pela tarde, riscos de nuvens enfeitam o céu.

PROVÉRBIO DE LÚLIO - Quanto mais frequentemente lembrares e entenderes Deus, mais frequentemente o amarás e o temerás.

DESAFIO

Em uma destas frases, o artigo definido está empregado erradamente. Em qual?

A velha Roma está sendo modernizada;

A "Paraíba" é uma velha fragata;

Não reconheço agora a Lisboa de meu tempo;

O gato escaldado tem medo de água fria;

O Havre é um porto de muito movimento.

QUE PALAVRA!

Patuá 

Cesta de palha; bolsa de couro dos sertanejos, também chamada patrona; balaio; bentinho; amuleto. (Silveira Bueno)

Espécie de amuleto que se dependura ao pescoço para se livrar de malefícios; bentinho. Cesto grande de bambu ou de palha; balaio. (Dicionário escolar da Academia Brasileira de Letras)

Com o significado de bentinho ou amuleto, o estudioso Maynard Araújo define o verbete da seguinte maneira:

Pequeno invólucro que contém uma oração escrita num pedaço de papel, mas que não precisa ser lida para surtir efeito, basta estar em contato com o corpo da pessoa para protegê-la, é a sua função animista. Enrola-se muito bem o papel da oração (impressa, geralmente poucas vezes copiada, manuscrita); em seguida coloca-se dentro de um saquinho de pano e dependura-se no pescoço. O patuá também é conhecido por bentinho, quando traz lascas de santo cruzeiro, farrapos da batina de "Meu Padrim Cirço". Algumas pessoas mais antigas fazem a seguinte distinção: bentinho é o que traz oração escrita, é dependurado no pescoço e relique o que traz pedacinho de dente de jacaré, presa de aranha. Afirma Porfírio Santana que a gente de hoje não faz distinção entre patuá, bentinho e relique, para ela tudo é patuá. Difere, porém, e com o qual não se confunde pelo fato de ser maior a mochilinha, trazendo, no entanto, no interior também uma oração. Ela não virá numa correntinha ao pescoço como acontece com o relique e patuá e sim presa a alguns fios, barbante ou faixa ficando, para surtir efeito, encostada ao corpo, geralmente sobre a região lombar do portador. A mochilinha às vezes é feita de couro o que jamais acontece com o patuá ou relique que são de pano. é muito comum comprarem no raizeiro, que também é vendedor de literatura de cordel, as orações impressas que serão usadas tanto no patuá como na mochilinha. (...) São dobradas em três, costuradas num pequeno envoltório de pano e presas a seguir ao pescoço (patuá) ou na cintura (mochilinha), por barbante. Com o uso elas se tornam sujas, e assim depois de certo tempo são lançadas à água corrente, pelas costas, sem olhar o fim que teve. A duração destas mochilinhas varia muito, de pessoas para pessoa.("Medicina rústica", de Alceu Maynard Araújo).

Em upanemês, patuá é algo que dá azar.

Há até entre nós um cidadão que além de ser conhecido pelo seu nome, tem por alcunha Patuá. O apelido foi adquirido quando está aperuava um jogo de baralho. Um dos jogadores disse: você é um patuá. Sai daí, patuá!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

TRIGÉSIMO DIA

TEMPO - Pequeno registro de chuva ontem no começo da noite. Registro tão pequeno que não deu pra registrar nada no copinho do aparelhinho chamado pluviômetro. 

CHUVA - Um ouvinte - um senhor - numa rádio AM de Mossoró dava seu palpite hoje pela manhã, quando indagado pelo apresentador sobre as chuvas desse ano:

"O senhor acha que neste ano teremos um bom inverno"?

"Nunca vi um ano com terminação 6, 7 e 8 para não ser desmantelado", sentenciou o ouvinte.

LINGUAGEM - Conglomerado verbal: Andar sobre brasas é "ter graves preocupações".

A expressão acima é assaz desconhecida de grande parte dos falantes e escreventes da nossa língua. Fato é que o falar formalmente é coisa difícil de ser manejada. Mais uma razão para estudarmos todos os dias se quisermos entender um pouco sequer da linguagem.

PROVÉRBIO

Não comas cru, nem caminhes com pé nu.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO NONO DIA

TEMPO - Nublado.

ESCOLA - Escola, lugar do saber.

LINGUAGEM - Como pronunciar certas palavras.

Acerbo - Deve ser pronunciada como se tivesse um acento agudo na letra e: acérbo.

Acerbo é de sabor amargo, azedo: fruta acerba. Duro, severo: tomar atitudes acerbas contra a impunidade; ser um crítico acerbo do governo. (Dicas de Luiz Antonio Sacconi)



PROVÉRBIO

Quem no copo se detém, amigos não tem.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO OITAVO DIA

TEMPO - Nuvens esparsas, brancas. Venta. Sol forte pela manhã. Pela tarde, uma breve neblina.

LINGUAGEM - "Ele disse para mim". Construção detestável. Diga-se:

"Ele me disse".

(Dica de Luiz A. P. Vitória)

PROVÉRBIO

Velho que se cura, cem anos dura.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO SÉTIMO DIA

ECONOMIA - Nem todo mundo necessita ser economista, mas todo mundo precisa saber alguma coisa. Pelo menos economizar nas compras, como na pechincha.

CHUVA - Um pequeno registro pluviométrico ontem pela tarde: 3mm. O primeiro do ano. Tarde nublada e leves pingos.

TIPOS DE PESSOAS - Adulador

Adular é do latim adulor, que significa "acariciar". Mas a "carícia" do adulador é venenosa: ele explora sistematicamente a vaidade alheia, supervaloriza os atos e qualidades da sua vítima, com o fim único de obter favores e benefícios. Mas é raro o adulador sistemático, calculista, de todo consciente de seus atos. A adulação desenvolve-se, quase sempre, no indivíduo malformado psicologicamente, fruto de uma educação defeituosa. Ou foi obrigado à subserviência por excessiva autoridade paterna, sempre "dobrado" à custa de pancadas irracionais, ou se desenvolveu carente de compreensão e afeto, ao abandono moral, donde a insegurança interior. No primeiro caso, ele projeta nos seus superiores hierárquicos, e, por extensão, naqueles que pretende explorar, a imagem do pai autocrático, a cujos pés tinha de se lançar para obter favores. No segundo caso, a adulação é a manha, a manobra de que sempre precisou usar para o mesmo fim. Em qualquer  caso, o adulador acaba por se transformar num ser repelente, que todos evitam. Conhecer-se bem a si mesmo é tarefa que se impõe ao jovem, e ao adulto também. A adulação, em última análise, é um hábito pernicioso que pode e deve ser erradicado da personalidade. (Professor Ubiratan Rosa, em Moderna Enciclopédia Brasileira de Direitos Humanos, Educação, Sociologia, Moral e Civismo)

UPANEMÊS

Chuva de matar sapo afogado: uma chuva bem grande de cem milímetros para cima. Uma expressão hiperbólica.

PROVÉRBIO

Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO SEXTO DIA

CHEGANDO - Já chegando ao vigésimo sexto dia do mês. Tempo de espera pelas chuvas. E ela veio. 

TEMPO - Próximo das cinco da tarde, leve chuva, depois de um forte calor. Trovões.

LINGUAGEM - Tempo dos troféis? Ou seria tempo dos troféus?

A entrega dos troféus nas maratonas de corrida tem exigido dos locutores o saber de uma regra simples do plural das palavras de nossa língua.

A regra geral do plural das palavras em língua portuguesa diz que as palavras terminadas em "u", obviamente, terão o plural com acréscimo de "s".

Degrau, baú, museu, troféu, céu.


PROVÉRBIO

Quem caminha cedo, pela tarde já vai longe.

domingo, 25 de janeiro de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

VIGÉSIMO QUINTO DIA

TEMPO - Sol quente. Sunday: dia do sol.

MÚSICA NA MINHA VIDA - Meu primeiro amor (interpretada por José Augusto - autores: José Augusto, Miguel e Paulo Coelho)

Foi numa festa outro dia
Que eu te encontrei a dançar
Namoradinha de infância
Sonhos da beira do mar
Você me olhou de repente
Fingiu que tinha esquecido
E com um sorriso sem graça
Me apresentou ao marido.

E o resto da noite dançou pra valer
Se teus olhos me olharam fingiram não ver
No meu canto eu fiquei entre o riso e a dor
Lembrando do primeiro amor.

Pra me beijar precisava
Ficar na ponta dos pés
Eu tinha então oito anos
Mas te menti que eram dez
Lembro você orgulhosa
Da minha calça comprida
Vínhamos juntos da escola
Sem qualquer medo da vida.

Sábado tinha dinheiro
Pra te levar ao cinema
Onde com medo pegava
Tua mãozinha pequena
Nossos castelos de areia
Sonhos perdidos no ar
Jogo de bola de meia
E um refrigerante no bar.

Alguns destaques da música - Retrata, pelo menos três práticas do tempo dos autores da música:

- A calça comprida era um indumentária sagrada quando o menino ficava crescidinho. 

- Ir ao cinema não era pra todo mundo, visto que em muitas cidades só passava filme, como chamávamos, uma vez em alguns meses. Às vezes apenas uma vez ao ano, como "Paixão de Cristo", "McGyver" ou "O Incrível Hulk".

- A bola de meia era o que tínhamos para brincar. Quando muito, uma canarinho ou dente de leite.

LINGUAGEM - Algumas palavras que sofreram mudanças no português do Brasil. Pesquisa feita por Amadeu Amaral publicada em seu livro "Dialeto Caipira":

Capado: porco castrado
Despotismo: enormidade
Fumo: tabaco
Loja: armazém de fazendas a retalho
Pião - domador
Pinga: aguardente de cana
Pinho: viola
Rancho: cabana de campo
Sítio: propriedade agrícola menor que a fazenda
Tabaco: rapé


sábado, 24 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO QUARTO DIA

TEMPO - Quente.

LINGUAGEM - Pleonasmo: Dormir um sono. 

QUE PALAVRA!

Cravo 

Os dicionários trazem vários significados para a palavra cravo:

Flor. Ponto escuro na pele. Tipo de pregos para prender ferradura. Prego com que se fixavam as mãos e os pés dos condenados à morte na cruz. Calo profundo e doloroso localizado na planta do pé. 

Instrumento com cordas e teclado, que precedeu o piano e um tanto similar a este, mas cujas cordas emitem som ao serem pinçadas, quando se premem as teclas correspondentes. (Aulete)

O terceiro tocava uma valsa vienense no cravo, enquanto outro, debruçado no instrumento, acompanhava-o cantando.

(Trecho de "Guerra e paz," de Tolstoi)



sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO TERCEIRO DIA

TEMPO - Nuvens esparsas. Brancas. Céu azul.

LINGUAGEM - A gente vai ou a gente vamos?

Muito fácil:

A gente vai à escola. Nós vamos à escola.

Só é prestar atenção. 

A expressão a gente substitui o pronome nós e pede o verbo no singular.

O pronome nós pede o verbo no plural.

PROVÉRBIO

 As boas cautelas ganham pouco, mas asseguram muito.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO SEGUNDO DIA

TEMPO - Sol firme, céu limpo e azuzinho, azuzinho.

HISTÓRIA - Seja como disciplina escolar, seja como registro do tempo, tem uma serventia enorme na sociedade. Ela documenta o passado e torna-se uma espécie de senhora. Ensina aos presentes o que deu e o que não deu certo no passado. Erra quem quiser ou for muito teimoso.

LINGUAGEM - Superlativos absolutos sintéticos e superlativos absolutos analíticos

Os superlativos dos adjetivos estão quase no esquecimento a não ser aqueles que circulam nas colunas sociais como os paupérrimos, lindérrimos, etc.

Fora disso, pouco é explorado na escola, tendo em vista que os atuais livros didáticos pouco ou nunca trazem o assunto.

O absoluto analítico é o que obedece a uma soma da palavra "muito" com o adjetivo: muito civilizados. Se transpormos para o absoluto sintético, fica: civilizadíssimos.

Numa espécie de exercício escolar, mude do analítico para o sintético:

Os canivetes são muito perigosos - 

O irmão da portaria é muito bravo - 

Vivemos num país muito curioso - 

O passeio à chácara foi muito interessante -

Há, dentro dos sintético, os eruditos, ligados às formas latinas:

acre - acérrimo

amargo - amaríssimo

amigo - amicíssimo

antigo - antiquíssimo

áspero - aspérrimo

benéfico - beneficentíssimo

benévolo - benevolentíssimo

célebre - celebérrimo

célere - celérrimo

cristão - cristianíssimo


PROVÉRBIO

As boas árvores dão bom fruto.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

VIGÉSIMO PRIMEIRO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã.

CHUVAS - A salvação vem de cima. Segundo uma pessoa que cria ou compra gado e criação em geral, se não chover logo, o gado vai perder o valor. E acrescentou: ninguém mais vai querer nem de graça.

Agora pela tarde, um leve neblina.

LINGUAGEM - Conglomerado verbal:

Bater asa: fugir.



PROVÉRBIO

As amoras e os trigos vêm no tempo dos melões.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

PROVÉRBIO

As águias não geram pombas.

VIGÉSIMO DIA

TEMPO - Nublado.

LINGUAGEM - Trás ou traz?

Ambas as formas são corretas. 

Para trás com essas conversas fiadas.

Trás é preposição. Ser preposição talvez não interessa ao leitor. Basta diferenciar de traz, do verbo trazer.

Ele sempre traz presentes para os filhos.

Definir as palavras - dar conceitos a elas, como dizíamos, é uma maneira prática e fácil de entendermos as coisas. 


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

DÉCIMO NONO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã.

EXPERIÊNCIAS SOBRE CHUVA - Muitos não arriscam mais em dizer se o ano vai ser bom ou não acerca das chuvas. No lugar disso, se alguém interroga sobre o assunto, a pessoa diz: "Você deseja que chova este ano?" Se a resposta for positiva, então ele dirá: "Então vamos pedir a Deus que chova."

LINGUAGEM - Uso da vírgula

Apesar de parecer fácil, há algumas regrinhas práticas. Uma delas é esta: quando há omissão (elipse) de termo ou palavra, coloca-se uma vírgula para preencher o espaço.

Pelas ruas havia muita gente. Pelas ruas, muita gente.

Pelas esquinas havia pessoas pedindo esmola. Pelas esquinas, pessoas pedindo esmolas


PROVÉRBIO

Árvore boa dá bom fruto.

domingo, 18 de janeiro de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

DÉCIMO OITAVO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã.

CHUVA - Experiências para este ano: ruins. As formigas não se mudaram ainda. Se mudam, é porque teremos chuvas. Se não chove entre o Natal e Ano Novo, não teremos chuvas.

MODO DE VIDA - Quem manda em mim sou eu. Nem sempre. Os viciados podem até dizerem que sim, mas na verdade eles, ou qualquer um de nós, se viciado em qualquer coisa, não manda em nada: é levado pela vontade do vício.

HISTORINHA - Gataí?

A historinha acima é verídica. Havia um homem conhecido por Gato. Um certo dia, chega em sua casa uma pessoa que o procurava. Ao aproximar-se da porta, pergunta:

- Gataí?

- Hein? Responde a pessoa dentro de casa.

- Gataí? Repete o homem.

- Como? Não entendi.

Pela terceira vez, o homem compreendeu que o Gataí estava difícil por causa da mistura das duas palavras. Assim, arriscou de outra maneira:

- Gato, tá aí?

- Não, respondeu, o morador. Gato saiu.

TURISMO - Upanema em Tibau. Já disseram que em janeiro Mossoró vai pra Tibau. Vejo que não é somente Mossoró que está naquela praia, mas muitas pessoas da região. Upanema se faz presente nos dias de veraneio. Algumas pessoas alugam casa e outras fazem o bate-e-volta.

DEFESA - As abelhas mordem. As abelhas modem ou picam como legítima defesa. O que elas entendem como legítima defesa? Se tem barulho próximo, elas sentem-se ameaçadas, ainda que as pessoas não tenham a menor intenção de atacá-las. Então, para elas, é melhor atacar as pessoas da forma mais cruel. Atacam em qualquer parte do corpo. O zumbido é ensurdecedor. Para imitá-lo, basta usarmos vários zês na escrita ou pronunciarmos zzzzzzzzzzzzzzz. Quanto à voz da abelha, nos ensina Silveira Bueno que a abelha azoina, sussurra, zoa, zumba, zumbe, zune ou zunzuna.

NOTÍCIA - Recentemente em Upanema dois cidadãos na zona rural foram atacados por abelhas. Elas ouviram barulho vindo de pés de manga. Partiram para o ataque. Os dois correram a tempo e foram medicados.

LINGUAGEM - Paisagem à janela (Flávio Venturini)

Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um voo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal.

Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal.

Você não escutou
Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar.

Eu apenas era
Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical.

Cavaleiro marginal, banhado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Quando olhava da janela lateral
Do quarto de dormir.

Comentário - Começando pelo título: uso da crase no A. 

A crase aí está em razão de subtender que haja uma preposição a (próximo a) e usar-se o artigo a diante de janela: a+a=à.

No terceiro verso da primeira estrofe temos a palavra voo, sem acento circunflexo. Até o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, o acento era obrigatório. Agora não é mais necessário.


sábado, 17 de janeiro de 2026

DÉCIMO SÉTIMO DIA

TEMPO - Agora pela manhã o céu está tomado de nuvens, que prometem chuvas para logo.

AINDA - Ainda não registramos chuva neste dois mil e vinte e seis.

ENQUANTO ISSO - Enquanto isso, o copinho espera.

LINGUAGEM - De encontro, ao encontro.

Coisas da linguagem! 

Há uma sutil diferença entre "de encontro" e "ao encontro".

As duas expressões acima geralmente pertencem ao campo das ideias e não do encontro de pessoas ou coisas.

Seu pensamento veio ao encontro do meu: está de acordo com o meu.

Seu pensamento veio de encontro do meu: está em desacordo com o meu.

QUE PALAVRA!

Camionete, camioneta, caminhonete

Veículo automóvel de passageiros e pequena carga, de quatro ou seis rodas. (Aurélio)

Pequeno caminhão. (Silveira Bueno)

Veículo motorizado, próprio para o transporte de passageiros e pequenas cargas. (Geraldo Mattos)

Veículo automotor, de quatro ou seis rodas, , com boleia e pequena carroceria, para transporte de passageiros e pequenas cargas. (Dicionário UNESP)

São três maneiras de dizer a mesma coisa.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O QUE É?

Um veículo automóvel de passageiros e pequena carga, de quatro ou seis rodas?

DÉCIMO SEXTO DIA

TEMPO - Nuvens carregadas pela manhã. 

Numa bela prosopopeia, algumas nuvens, pela tarde, exibem sua beleza, mas nada dizem sobre o tempo chuvoso. Trovoadas e cheiro de chuva ao cair da tarde.

LINGUAGEM - Estada, estadia. Qual o certo?

As duas maneiras estão certas, mas em momentos diferentes. Qualquer demora de alguém em algum lugar, é estada.

A estadia é permanência de carro, navio, avião em algum lugar. 

Simples, mas complexo para muitas pessoas fora do círculo letrado.

DINHEIRO - Na mão é vendaval. Dinheiro na mão é solução e solidão. (Trechos da música "Pecado capital", interpretado por Paulinho da Viola, também autor da música).

Fala da relação que devemos ter com o dinheiro.

VIDA - Uma luta medonha para mantê-la viva e com dignidade.


PROVÉRBIO

Arrobas não são quintais, nem as coisas são iguais.

TRIGÉSIMO QUINTO DIA

TEMPO - Nuvens esparsas, com perspectivas de chuva. Trovões pela tarde. Cheiro de chuva. Chuva leve. EXPERIÊNCIA DE CHUVA - Há mistérios com...