domingo, 12 de julho de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

HISTÓRIA ANTIGA

Pedro Malasarte em "Malasarte e o Papa"

Um belo dia, Pedro Malasarte foi parar em Roma. E logo que ali chegou se lembrou do provérbio: "Não se vai a Roma sem ver o Papa."

Mas como veria o Papa? Não queria vê-lo de longe, como todo mundo fazia, mas olhá-lo de perto e conversar com ele. Poderia passar algumas moedas a algum empregado de Sua Santidade, mas estava sem um vintém. Que haveria de fazer?

Na primeira hospedaria em que entrou, encontrou a dona da casa exclamando:

- Sou uma pecadora! Sou uma pecadora! Só o Papa poderá me perdoar!

Pedro Malasarte, que já estava com uma ideia na cabeça, perguntou:

- Quando é que Sua Santidade vai rezar missa?

- Amanhã de manhã - respondeu a mulher.

- Pois então amanhã nós vamos ver o Papa.

- Você está maluco! Como é que eu, que nasci aqui, nunca pude ver o Papa de perto? E você, um recém-chegado, vai conseguir isso?

- Quer apostar duzentas moedas como veremos o Papa amanhã mesmo?

- Estão apostadas!

Na manhã seguinte, Pedro Malasarte foi o primeiro a chegar à igreja onde o Papa rezaria missa. Era um templo imponente, revestido de ouro até o teto.

Logo a igreja estava cheia. Pedro Malasarte ficou bem na frente.

Não demorou e entrou o Sumo Pontífice, rodeado pelos altos príncipes da igreja.

A missa era solene.

Entretanto, no momento em que o Papa levantava o cálice com a hóstia, Pedro Malasarte lhe deu as costas, para espanto de todos os presentes.

E ao sair da igreja, tomou um banho de água benta dos pés à cabeça, enquanto as outras pessoas se contentavam em molhar os dedos e fazer o pelo-sinal.

Não havia dúvida: tratava-se de um herege. No mesmo dia Pedro Malasarte foi levado `presença do Papa.

- Com se explica - perguntou-lhe o Sumo Pontífice - que você tenha me dado as costas quando levantei o cálice com a hóstia?

- Sua Santidade - explicou Pedro Malasarte, respeitosamente. - Tudo que fiz foi por me sentir um grande pecador, indigno de contemplar a sagrada hóstia. E se o fiz foi a conselho da minha hospedeira, que é uma santa!

- E o banho de água benta? - quis saber o Papa.

- A água benta não serve para lavar os pecados? - replicou Pedro Malasarte. - Como eu iria me contentar em molhar a ponta dos dedos e fazer o pelo-sinal? Só com um banho de corpo inteiro poderia me purificar! Mas fiz o que fiz a conselho da minha hospedeira, que é uma santa!

Não precisou dizer mais nada para que o Papa mandasse buscar a dona da hospedaria, que se jogou aos seus pés. E antes que ela dissesse uma palavra, abençoou-a e lhe disse que estavam abertas para ela as portas do céu.

Depois abençoou também Pedro Malasarte e despediu-os desejando-lhes muitas felicidades.

Quando Pedro Malasarte deixou Roma, levava na bolsa duzentas belas moedas que a dona da hospedaria lhe pagara de muito bom grado.

(Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte", de Sérgio Augusto Teixeira).

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