QUINQUAGÉSIMO TERCEIRO DIA
TEMPO - Nuvens esparsas. Amenidades no clima.
FRASE - "Serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente". (Sêneca, em conselhos a Lucílio)
HUMOR - Dois amigos:
- Mas você não se cansa de ficar sempre deitado, sem fazer nada?
- Não. Quando estou cansado, durmo um belo sono e descanso. (Seleção de Irmão José Rovani, FSC/ Toledo/PR - Da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - Fevereiro/2026)
HISTÓRIA ANTIGA
Pedro Malasarte, em "De quem é a terra que a gente pisa"?
Acontece que naquele tempo era proibido caçar nas terras do Barão Mâo-de-Ferro, onde viviam centenas dos mais gordos coelhos do reino, saltando de um lado para o outro à vontade. O barão era um fidalgo muito mal-humorado e tratava a todos com desprezo e arrogância.
Pois não é que Pedro Malasarte resolveu caçar justamente nas terras do barão?
Um belo dia, bem cedo, de espingarda ao ombro, lá se foi ele, disposto a trazer pelo menos uma dúzia dos melhores coelhos do barão. Afinal, na panela de Serafina, a mãe de Pedro Malasarte, havia muitos dias que não entrava nem um osso para fazer uma sopinha.
Nosso herói ia assobiando pelo caminho, certo de que seria fácil tapear o barão. Mas não contava com os guardas que o fidalgo espalhara pela floresta e que, tão logo o viram, foram logo contar ao barão que havia nada mais, nada menos do que um caçador nas suas terras.
Mas estavam lidando com um grande espertalhão. Logo que apanhou os dois primeiros coelhos, Pedro Malasarte saiu das terras do barão e chamou um lavrador que ia passando na estrada com sua velha carroça cheia de terra, propondo-lhe trocar os coelhos pela carroça e pela terra - e ainda dava a espingarda de lambujem. Não estava mesmo precisando dela, tantos coelhos havia pulando ao seu redor. Bastava apanhá-los pelas orelhas e metê-los no saco que trazia. O lavrador aceitou a troca e foi-se embora, muito feliz da vida com sua nova espingarda e seus dois coelhos.
Pedro Malasarte, mais que depressa, colocou um bonito molho de cenouras, tiradas de uma horta próxima, no alto da carroça e tornou a entrar com ela nas terras do impiedoso fidalgo.
Os coelhos têm um faro especial para cenouras. Logo que viram aquelas que estavam na carroça, tão lindas, começaram a pular para cima desta, às dúzias. Pedro Malasarte, encarapitado em cima da terra que estava na carroça, ia cantando:
- Um... dois... três... cinco... nove...
Quando chegou a quarenta e oito, ouviu-se um tropel de cavalos e o Barão Mão-de-Ferro apareceu, espumando de raiva:
- Com que então, miserável camponês, não sabes que é terminantemente proibido pôr os pés nas minhas terras? Serás enforcado por isso!
- Perdão, senhor, mas está havendo um engano - disse Malasarte sem se alterar.
- Como? Ousas me contradizer? Então não estou te vendo pisar nas minhas terras, cercado dos meus coelhos?
- Não - replicou Malasarte - O senhor está me vendo pisando nas minhas terras, cercado dos meus coelhos!
- Este camponês é um louco! - berrou o barão. - Peguem-no e enforquem-no!
Os soldados iam obedecer quando se ouviu uma trombeta.
- É o rei! É o Rei Gustavo que está chegando! - gritaram todos.
Era mesmo o rei, aquele mesmo rei que ficara muito amigo de Pedro Malasarte quando este era um meninote de sete anos. O rei já estava velhinho, mas continuava bondoso e bem-humorado. Aproximando-se com sua comitiva, perguntou o que estava acontecendo.
- Senhor - respondeu o barão, respeitosamente. - Surpreendi este camponês pisando nas minhas terras e cercado dos meus coelhos, quando todos sabem que isso é terminantemente proibido, sob pena de enforcamento!
- É verdade, Pedro Malasarte? - indagou o rei.
- Bem, Majestade - respondeu nosso herói. - No meu entender, estou pisando nas minhas terras e cercado dos meus coelhos.
- Como assim? - quis saber o rei, curioso de como aquilo iria acabar.
Gostaria de salvar seu amigo Malasarte das mãos do perverso barão, mas não sabia como.
- Acontece, Majestade, que troquei esta carroça cheia de terra pela minha espingarda ainda esta manhã. Quer dizer que estou pisando na minha terra.
Todos caíram na gargalhada, inclusive o bom Rei Gustavo, que deu razão a Pedro Malasarte:
Meu amigo barão, como podes querer enforcar um pobre camponês por estar pisando na sua própria terra? - perguntou ao furioso fidalgo, que foi o único a não achar aquilo nada engraçado.
Está bem, eu concordo - retrucou o Barão Mão-de-Ferro, mordendo os lábios. - Mas também é proibido caçar por aqui e a carroça do camponês está cheia de coelhos!
- Quando um coelho teu foge pela cerca e vai parar no terreno do vizinho, pertence a ele, não é verdade? - indagou o rei, sempre bem humorado.
Infelizmente, Majestade, quando meus coelhos fogem para terra alheia, são caçados sem que eu possa dar um pio! - concordou o barão.
- Pois então, do que estás te queixando? - concluiu o rei. - Teus coelhos pularam para dentro da carroça de Malasarte... Ou a terra que está na carroça também é tua?
Compreendendo que havia sido derrotado, o barão esporeou seu cavalo e partiu com os soldados de volta a seu castelo, soltando fumaça pelas orelhas, tamanha era sua raiva.
Pedro Malasarte, tranquilamente, pegou as rédeas do burrico que puxava a carroça e, depois de colocar seus quarenta e oito coelhos no saco, saiu das terras do barão.
O Rei Gustavo sorria para ele, como quem diz: "Desta vez te safaste de boa, meu bom amigo Malasarte..." (Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte", de Sérgio Augusto Teixeira).
"INTERNET" DE ANTIGAMENTE
Abélia - Botânica - Gênero de arbustos da família das caprifoliáceas, com 18 espécies oriundas da China e 2 do México. Atingem 1 - 2 metros de altura e apresentam folhas opostas, sem estípulas. Muito apreciadas pela beleza e pelo perfume de suas grandes flores brancas, róseas ou avermelhadas, agrupadas em cimeiras, são cultivadas, inclusive no Brasil. Entre elas sobressai a espécie Abelia chinensis, pela folhagem escura e luzente. (Enciclopédia Brasileira Globo, volume 1)
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