TEMPO - Nublado. Manhã chuvosa.
LITERATURA - A lesão
Estava certo. Era preciso passar pelo menos um ano em lugar de bom clima e meu decidira mandar-me para Vila da Mata onde os Pereira, nossos primos, me ofereciam a fazenda do Córrego Fundo. O doutor dissera que eu tinha uma lesão de primeiro grau no pulmão direito. Sua luneta de tartaruga, de cordão preto atrás da orelha, dava-lhe um ar de sábio infalível. Eu não acreditava na lesão, mas acreditava no doutor.
À noite, meu pai, já conformado com a ideia da moléstia e da minha próxima ausência, veio ver-me no quarto, fingindo bom humor:
- Então, seu chefe, as malas estão prontas?
Nem estavam prontas, nem eu tinha vontade de prepará-las para tal viagem. Francamente ir meter-me naquela remota Vila da Mata? Que ideia! Muito mais divertido seria tratar-me na Europa... Na Suíça, por exemplo. Sim, por que não na Suíça? Realmente! (Cabocla, de Ribeiro Couto)
A narrativa trata de uma doença muito comum e cruel na época em que foi escrito o romance. A cura ou paliativo era o paciente tomar alguns antibióticos e isolar em lugares de ares puros. Vila da Mata era ideal.
O narrador fala da tuberculose sem se referir diretamente a ela. Usa um recurso linguístico chamado eufemismo: minimiza o problema.
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