TEMPO - Nublado pela manhã.
CHUVA - Chuva rápida ontem pela noite: 3 milímetros.
ECONOMIA - Os mercados
Os mercados sempre existiram, desde até onde chega nosso conhecimento da História. As Tábuas de Tel-el-Amarna mencionam um comércio ativo entre os faraós e os reis Levantinos, em 1400 a. C.: ouro e carros de guerra eram trocados por escravos e cavalos. Mas embora a ideia da troca deva ser quase tão antiga quanto o homem, assim como em relação à ideia do lucro, não devemos cometer o erro de concluir que o mundo inteiro tinha a propensão para negociar que tem o estudante americano do século vinte. Apenas a título de curiosidade, sabe-se que entre os maoris da Nova Zelândia não se pode indagar quanta comida um anzol para pescar um bonito vale, pois esse tipo de comércio jamais é feito e essa pergunta seria considerada ridícula. Em compensação, em algumas comunidades africanas é perfeitamente legítimo perguntar quantos bois vale uma mulher - troca esta que consideramos tão ridícula quanto os maoris consideram ridícula a troca de alimentos por anzóis (se bem que ainda existam entre nós remanescentes da tradição do dote, o que diminui o abismo que nos separa dos africanos). (A História do Pensamento Econômico, de Robert Heilbroner).
TEXTO ANTIGO
As andorinhas de Campinas, de Rui Barbosa
Pelo límpido céu, já sem sol, antes que se lhe esvaia de todo o ouro dos seus átomos de luz, mas quando o crepúsculo entra a desmaiar do seu brilho a safira celeste, um ponto retinto, perdido nos longes mais remotos, se acentua em negro na cúpula do firmamento, lá, bem no alto, bem em cima, como se a ponta de uma seta, desfechada perpendicularmente de além varasse ali a redondeza anilada.
Era um; e, logo após, já são muitos, já vêm surgindo inumeráveis, já parecem infinitos; já se cruzam; se recruzam; já se encontram e circulam, já se condensam e escurecem. Eram um grupo; e já formam um bando, já vem crescendo em longas revoadas, já refervem em enxames e enxames, já se estendem numa vasta nuvem agitada. Toldaram o céu, encheram o ar, vêm-nos ondeando sobre as cabeças. Agora, afinal, com os movimentos de uma grande vaga sombria, ponteada de branco, a librar-se entre a terra e a imensidade, baixa, a massa inquieta, rumorejando, oscilando, flutuando, rasga-se na coroa das palmeiras, açoita os fios telegráficos, resvala pelos tetos do casario, e ao cabo, arfando e remoinhando, turbilhonando e restrugindo, com o estrépito de uma cascata argentina, de uma cachoeira de cristais que despedaçam, chilreada imensa de vozes e grasnidos às dezenas de milhares, pendem, mergulham e desaparecem, numa imensa curva borbolhante, por sobre o largo telheiro abandonado, que essa aérea multidão erradia elegeu entre nós para abrigo do seu descanso, nas cálidas noites de verão.
(Extraído da Revista de Língua Portuguesa)
Nenhum comentário:
Postar um comentário