domingo, 19 de abril de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

CENTÉSIMO NONO DIA

CHUVA DE ONTEM - 40 milímetros.

CHUVA - Chove pela manhã uma agradável chuva.

HISTÓRIA ANTIGA 

Pedro Malasarte em "Pedro Malasarte soldado"

Como estava sem vintém, Pedro Malasarte resolveu ser soldado. É verdade que se tratava de uma profissão arriscada, mas, pelo menos, pensava ele, garantiria o pão nosso de cada dia. E assim pensando, tratou de se apresentar a um rico fidalgo, oferecendo-se para fazer parte de suas tropas. Naquele tempo, os nobres mantinham seus próprios exércitos, que se destinavam a proteger os seus castelos e a população dos arredores contra os invasores. 

Mas como eu ia dizendo, Pedro Malasarte entrou para o serviço de um fidalgo. Deram-lhe uma trombeta e mandaram-no para o alto de uma torre, de onde devia ficar olhando o horizonte e tocar a trombeta quando visse o inimigo se aproximando.

Acontece que a torre era muito alta e todo dia, quando chegava a hora do almoço e do jantar, se esqueciam dele lá em cima. E o pobre coitado mal encontrava o que comer quando descia de lá, trocando as pernas de tanta fome.

Tantas fizeram com ele que, um dia, as tropas inimigas chegaram, puseram em fuga os camponeses e levaram todo o gado sem que Pedro Malasarte tocasse a trombeta.

Logo se lembraram dele. Foi levado à presença do fidalgo.

- Com que então você estava lá na torre e não viu o inimigo se aproximar? - perguntou-lhe o nobre.

- Não, senhor - respondeu Pedro Malasarte.

- Mas como não?

- Acontece que eu só via na minha frente grandes pratos de comida, tal era a minha fome. Além disso, mesmo que quisesse, não teria forças para tocar a trombeta, pois há vários dias que não almoço nem janto.

Depois disto Pedro Malasarte passou a ser lembrado e todos os dias, na hora do almoço ou do jantar, mandavam-lhe um prato fundo de comida.

"Agora está tudo bem", pensou ele.

Começou até a engordar.

Mas o tempo traz o esquecimento.

Como as tropas inimigas não apareciam há muitos meses, ninguém mais se preocupava com o vigia da torre e mais dia, menos dia, o pobre Pedro Malasarte acabou esquecido novamente.

Até que chegou o dia da festa.

O fidalgo, todos os anos, no dia do seu santo padroeiro, oferecia um grande banquete a todos os seus soldados. Matavam-se novilhos e cabritos, para assar no espeto, e serviam-se os melhores vinhos.

É claro que ninguém pensou em Pedro Malasarte.

Este, vendo lá de cima o que se passava, matutou um instante e, quando o banquete estava no melhor, tocou a trombeta com toda a força dos pulmões.

Imediatamente o fidalgo e seus soldados pularam de seus lugares, largando a comida e bebida, e foi um corre-corre geral para se armarem e procurarem seus postos de combate.

Aproveitando a confusão, Pedro Malasarte desceu correndo da sua torre e foi direto para a mesa do banquete, onde tratou de encher a barriga do bom e do melhor.

Lá pelas tantas, cansados de tanto esperar pelo ataque que não vinha, o fidalgo e seus capitães voltaram e deram com Pedro Malasarte refestelado em almofadas e roncando a bom roncar. Ainda tinha na mão um pedaço de cabrito assado.

- Que história é essa? - foi berrando o nobre, furioso com a peça que lhe haviam pregado.

- Hein? Hein? - respondeu Pedro Malasarte, que acordou meio desorientado.

- Sim - continuou o dono do castelo. - Que história é essa? Com que então você não toca a trombeta quando o inimigo nos ataca e toca a trombeta quando não há nem sinal dele?

- Era o único jeito de conseguir comer e beber - respondeu Pedro Malasarte.

- Está bem, está bem! - concordou o fidalgo, a contragosto. - Mas de hoje em diante você vai ficar aqui por baixo mesmo. E enfrentar o inimigo quando ele aparecer.

Trocaram a corneta de Pedro Malasarte por uma espada e todas as vezes que as tropas do fidalgo iam se defrontar com as tropas inimigas, lá tinha de sair em campo o nosso herói, de espada na mão, para lutar.

Acontece que Pedro Malasarte nunca dera para soldado. Era sempre o último a sair do castelo e o primeiro a entrar. E, enquanto todos voltavam suados e feridos da refrega, ele estava sempre limpinho e sem arranhão.

É que deixava os brigões combaterem e ia se deitar na relva para melhor pensar na casa de seus pais, tão distante, e nas muitas trapalhadas por que já passara.

Quando acabava a batalha, juntava-se de novo à tropa e era o primeiro a sentar-se à mesa para comer.

Sabendo disso, o fidalgo mandou-o tomar outros ares, pois não era pai de pançudo.

Era o que Pedro Malasarte queria, pois já estava cansado daquela vida de soldado.

Largando lanças e espadas, tornou a meter o pé na estrada.

(Do livro "As aventuras de Pedro Malasarte", de Sérgio Augusto Teixeira).

PROVÉRBIO DE LÚLIO - O povo dividido dá poder ao príncipe malvado.

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BLOG - Temos um novo blog na cidade: o da Rádio Independência, do professor Edgar Lopes. Entre outras funções, irá divulgar os acontecimentos da cidade e região. Servirá também para divulgar a rádio.

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