domingo, 18 de janeiro de 2026

REGISTOS DE DOMINGO

DÉCIMO OITAVO DIA

TEMPO - Nublado pela manhã.

CHUVA - Experiências para este ano: ruins. As formigas não se mudaram ainda. Se mudam, é porque teremos chuvas. Se não chove entre o Natal e Ano Novo, não teremos chuvas.

MODO DE VIDA - Quem manda em mim sou eu. Nem sempre. Os viciados podem até dizerem que sim, mas na verdade eles, ou qualquer um de nós, se viciado em qualquer coisa, não manda em nada: é levado pela vontade do vício.

HISTORINHA - Gataí?

A historinha acima é verídica. Havia um homem conhecido por Gato. Um certo dia, chega em sua casa uma pessoa que o procurava. Ao aproximar-se da porta, pergunta:

- Gataí?

- Hein? Responde a pessoa dentro de casa.

- Gataí? Repete o homem.

- Como? Não entendi.

Pela terceira vez, o homem compreendeu que o Gataí estava difícil por causa da mistura das duas palavras. Assim, arriscou de outra maneira:

- Gato, tá aí?

- Não, respondeu, o morador. Gato saiu.

TURISMO - Upanema em Tibau. Já disseram que em janeiro Mossoró vai pra Tibau. Vejo que não é somente Mossoró que está naquela praia, mas muitas pessoas da região. Upanema se faz presente nos dias de veraneio. Algumas pessoas alugam casa e outras fazem o bate-e-volta.

DEFESA - As abelhas mordem. As abelhas modem ou picam como legítima defesa. O que elas entendem como legítima defesa? Se tem barulho próximo, elas sentem-se ameaçadas, ainda que as pessoas não tenham a menor intenção de atacá-las. Então, para elas, é melhor atacar as pessoas da forma mais cruel. Atacam em qualquer parte do corpo. O zumbido é ensurdecedor. Para imitá-lo, basta usarmos vários zês na escrita ou pronunciarmos zzzzzzzzzzzzzzz. Quanto à voz da abelha, nos ensina Silveira Bueno que a abelha azoina, sussurra, zoa, zumba, zumbe, zune ou zunzuna.

NOTÍCIA - Recentemente em Upanema dois cidadãos na zona rural foram atacados por abelhas. Elas ouviram barulho vindo de pés de manga. Partiram para o ataque. Os dois correram a tempo e foram medicados.

LINGUAGEM - Paisagem à janela (Flávio Venturini)

Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um voo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal.

Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal.

Você não escutou
Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar.

Eu apenas era
Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical.

Cavaleiro marginal, banhado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Quando olhava da janela lateral
Do quarto de dormir.

Comentário - Começando pelo título: uso da crase no A. 

A crase aí está em razão de subtender que haja uma preposição a (próximo a) e usar-se o artigo a diante de janela: a+a=à.

No terceiro verso da primeira estrofe temos a palavra voo, sem acento circunflexo. Até o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, o acento era obrigatório. Agora não é mais necessário.


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