domingo, 28 de março de 2021

ENTRETENDO - EDIÇÃO DE DOMINGO

QUEM SE LEMBRA?

Ferro em brasa é utensílio muito útil no passado que muita gente dessa geração de quinze anos de idade sequer viu uma vez. Um ferro de engomar, movido a brasa, balançado para acender as brasa é coisa do outro mundo para muita gente de hoje.

A VOZ DO BRASIL  Há mais de 80 anos no ar

Da Ebc

Com 85 anos, A Voz do Brasil é o programa de rádio mais antigo do país e do Hemisfério Sul ainda em execução. Essa marca lhe rendeu um espaço no Guinness Book, o Livro dos Recordes, em 1995. Em julho de 1935 foi criado o Programa Nacional, para divulgação dos atos do Estado novo, da era Vargas.

Três anos depois, o Programa Nacional deu lugar à Hora do Brasil, quando passou a ter veiculação obrigatória nas rádios do país, com o horário fixo das 19h às 20h. Em seus primeiros anos, o programa abria espaço para a arte, com execução de músicas e transmissão de radionovelas. Em 1961, o presidente Jânio Quadros costumava usar o programa para transmitir recados escritos por ele de última hora.

O nome A Voz do Brasil foi adotado a partir de 1971. Ao longo dos anos, passou por reformulações. Em 1998, por exemplo, foi incluída uma voz feminina na locução. A abertura do programa, quando uma voz masculina imponente dizia “em Brasília, 19 horas”, tornou-se marca de A Voz do Brasil. Aos poucos, o bordão foi sendo flexibilizado e foram incluídas novas frases de abertura, como “Está no ar a sua voz, a nossa voz, a Voz do Brasil”. 

O Guarani

Apesar de criada no século 19 e aclamada na ocasião de sua estreia, em 1870, em Milão, a ópera O Guarani, de Carlos Gomes, é mais conhecida como o tema de abertura de A Voz do Brasil. 

A VOZ DO BRASIL ENTRE NÓS

Durante muitos anos, "A voz do Brasil" era a única fonte de informação das pessoas, principalmente das que moravam no campo. Possuir um radinho de pilha era ter um tesouro de informação. As notícias ligadas ao governo não eram as únicas. Havia a voz dos deputados federais e senadores. Os ouvintes do país inteiro podiam ouvir seus deputados e senadores na tribuna. O homem do campo do Rio Grande do Norte ouvia os pronunciamentos do senador Agenor Maria, cujo assunto principal era a defesa da agricultura. 

CHUVA DE HOJE DE MADRUGADA - Apenas 7mm. No mês de março já choveu mais de setenta milímetros.

LITERATURA UPANEMENSE

Um protesto ao Regime Militar (Os versos do cordel foram compostos em 1982)

Por Inez Tavares

Eu sou um cara calado
Mas vou dizer meu sofrer
Pois tô ficando maluco
Não sei mais o que fazer.

Eu vou dizer meu sofrer
Nestes versos a seguir
Pois setores ditos básicos
Em nosso país vai falir.

Eu não sou economista
Como o gordo do escalão
Mas com projetos e pacotes
Não se enche panela não.

Eu não sei com que direito
Casa de pobre é embrião
Pros ricos é diferente
São palacetes, mansão.

Eu sei que saúde é pra todos
Mas este INPS é cruel
do jeito que a coisa tá
Só pobre vai pro beleléu.

Eu não sou homem letrado
Mas quem dirige a educação
Tem apenas costa larga
E muita pouca visão.

Eu não sou um general
Por isso não sei governar
Mas confio em dias melhores
Se me deixarem votar.

Eu sou é cabra da peste
E se não sair eleição
Vai dá cacete, dá bode
Metralhadora e canhão.

Eu também sou brasileiro
Pois conheço de carestia
E peço aos governantes
Retorno à democracia.

Sabe ainda o que eu sou?
Um homem escravizado
Eu quero dos opressores
Justiça, paz e liberdade.

O governo não ouve os clamores
De um povo que não tem pão
Se trabalha é obrigado
A engordar o patrão.

O governo não ouve os clamores
Do operário e seu dia a dia
Sua força força, seu trabalho
Só engrossa a mais-valia.

O governo não ouve os clamores
Dos camponeses desesperados
Pra dá vez a capim e boi
Dos campos são expulsados.

O governo não ouve os clamores
Das classes estudantis
Implantando o ensino pago
Só envergonha o país.

Mas governo eu queria
Ser apenas um cidadão
Trabalhar e produzir
Sem essa de escravidão.

Mas governo eu queria
Urgente uma reforma agrária
Trabalhar em terra nossa
Não do latifundiário.

Mas governo eu queria
Diálogo e participação
O reconhecimento da UNE
Nossa voz, nossa união.

Mas governo eu queria
O fim desta carestia
O veto às mordomias
A volta à democracia.

Não quero da abertura
Guerra, guerrilha, omissão
quero ensino gratuito
Mais verbas pra educação.

Não quero da abertura
Briga entre empregado e patrão
Quero salário justo
Viver como cidadão.

Não quero da abertura
Desemprego e exploração
Quero reforma agrária
Trabalhar no meu torrão.

Não quero da abertura
Viaduto, asfalto, mansões
Quero casas populares
Sem essa de embriões.

Não quero da abertura
Projetos pra barão
Piscina, esporte, lazer
Se falta alimentação.

Não quero da abertura
Terrorismo e repressão
Quero direitos humanos
Cumprindo sua missão.

Não quero da abertura
Promessas e badalação
Quero a Constituinte
E do povo participação.

Não quero da abertura
Ver o país em recessão
Quero eleições diretas
Sua democratização.

É desumano um estado
De um povo desamparado
Tudo a ele é negado
Trabalho e educação
Comida e habitação
O povo á não aguenta
Apertar o cinturão.

É desumano o estado
Com milhões desempregados
Famílias desesperadas
Com o alto custo de vida
Com esta tal carestia
O povo já não aguenta
Viver nessa agonia.

É desumano o estado
Em tamanha mordomia
Para uma minoria
De ministros e generais
Senhores e capataz
O povo não aguenta
Esta gang de satanás.

É desumano um estado
Com a previdência fraudada
Os chefes com enrolada
Depois de roer o osso
Burlando os pobres, os trouxas
O povo já não aguenta
Pagar tudo na sua bolsa.

É desumano o estado
De agricultores sem terra
O latifundiário ainda berra
Mantendo-os no cativeiro
Todo dia o ano inteiro
O povo já não aguenta
Viver neste atoleiro.

É desumano o estado
Onde a massa operária
enriquece o empresário
Faz crescer o capital
É uma coisa brutal
O povo não aguenta
E se organiza pra tal.

É desumano o estado
Que tortura, mata, trai
Protege apenas uns tais
Duvidar ninguém devia
Da volta a democracia
O povo não aguenta
Vai saber poder um dia.

É desumano o estado
Com um chefe sem visão
Nega água, nega pão
Se no seu candidato não votar
Mas deixe a eleição chegar
O povo não aguenta
E na oposição vai votar.

Brasil de mão estendida
Disse o presidente à nação
Não entendo o tal gesto
O tal aperto de mão
O povo? Tá apertado
Sem casa, escola, feijão.

Brasil da democracia
Bem prometida por João
Mistura de casuísmos
Pacotes e vinculação
E o povo na espera
Sem casa, escola, feijão.

Brasil, pra frente Brasil
Já dizia uma canção
Num país de carestia
Pra frente tá a inflação
E o povo na miséria
Sem casa, escola, feijão.

Brasil da austeridade
Retrato da corrupção
Rombo na previdência
Mandioca em ação
E o povo desesperado
Sem casa, escola, feijão.

Brasil país da fartura
Com seca cá no sertão
Dinheiro pra Itaipu
Governo constrói mansão
E o povo sem ter direito
A casa, escola, feijão.

Brasil encontrou a saída
Com essa de exportação
A saída? Tá nas urnas
Quando falará o povão
Que está amargurado
Sem casa, escola, feijão.

Brasil do plante garante
Proterra, proagro, promelão
Projetos que beneficiam
Os donos da terra, o patrão
Quem planta tá atolado
Sem casa, escola, feijão.

Brasil feito por nós
É a grande badalação
Nós somos uma nação pobre
E os poderosos ricão
É desumano ver um povo
sem casa, escola, feijão.

Brasil país da igualdade
Com fome, doença, opressão
Mas para publicidade
Tem dinheiro em rojão
E o povo desamparado
Sem casa, escola, feijão.

Brasil pendão da esperança
Espera chegar a eleição
O povo vai ter voz e vez
Com lápis e papel na mão
Será 15 de novembro
O dia da redenção.

Já tá chegando novembro
Na espera tá o povão
Pra calar o PDS
E seu famoso pacotão
82 é o ano do troco
Vou votar na oposição.

O desemprego aumentando
Salário virando tostão
É ato do PDS
Defensor da revolução
82 é o ano do troco
Vou votar na oposição.

Implantar o ensino pago
Que vergonha pra nação
Ideia do PDS
Dos generais em educação
82 é o ano do troco
Vou votar na oposição.

O rombo pela previdência
Foi uma esculhambação
Sem escrúpulo o PDS
Lesou o seu coirmão
82 é o ano do troco
Vou votar na oposição.

E os recursos pra seca?
Cadê os tais bolsão?
E os homens do PDS
Banqueteiam-se no sertão
82 é o ano do troco
Vou votar na oposição.

É brutal o custo de vida
É escandalosa a inflação
O governo inventa pacotes
Pra complicar a situação
82 é o ano do troco
Vou votar na oposição.

Sobe a água, sobe a luz
Sobe a farinha, o feijão
Fruto do PDS
Retrato da desumanização
82 é o ano do troco
Vou votar na oposição.

Tem umas tais mordomias
Pra gente do escalão
Mas cuidado PDS
No voto somos irmãos
82 é o ano do troco
Vou votar na oposição.

O clima é de desconforto
De grande inquietação
E o partido PDS
Quer mesmo ganhar a eleição
O povo vai dar o troco
Votando na oposição.

Mesmo no desconforto
Dias melhores virão
Cale a boca PDS
Ouça as urnas em apuração
Mudar é o nosso troco
É a nossa redenção.

HUMOR

A recém-casada ao marido:

- Por que você ronca tanto quando dorme?

- Ora, simplesmente porque não posso roncar quando estou acordado.



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