domingo, 31 de março de 2024

DOMINGO

TARDE DE DOMINGO

Uma tarde fria, num pinga-pinga, num chove e molha e tira muita gente das ruas, que não são picolé, mas preferem ficar em casa e fazer outro programa.

FINAL DE SEMANA

Tivemos um final de semana que nos fez relembrar os grandes momentos chuvosos do passado.

Um espetáculo - Logo após o término da chuva de oitenta milímetros em um pedaço da cidade, cento e cinco, noutros, muitas pessoas voltam a visitar as margens do rio, principalmente na Passagem Molhada, para verem o espetáculo das águas. Desta vez, não tanto quanto a do ano passado.

Nas redes sociais - O registro fotográfico e através de pequenos vídeos deixa para a posteridade esses momentos lindos, diria o poeta.

Crianças de várias idades veem pela primeira vez aquele rio tomando água. As que entendem, ouvem relatos dos mais velhos sobre as grandes enchentes da cidade, bem como dos afogamentos fatais e dos banhos perigosos das crianças e adolescentes que deixavam as mães com o coração na mão.

Os pulamentos dentro d'água eram a sensação daqueles momentos. Muitas vezes os banhistas saíam da água sangrando, seja por causa de um tronco, seja um caco de vidro. 

Por essa razão é que muitos - inclusive este escrevente - preferia não pular da barreira, mas entrar dentro da água com muito cuidado e sair nadando.

Reclameira - As reclamações são grandes no tocante aos alagamentos de ruas, praças e até ameaças de invasão de casas.

Problema antigo - O problema é antigo, mas não deixam de ter razões aqueles que reivindicam melhorias. O que falta mesmo é um planejamento do reordenamento urbano como um plano diretor.

sábado, 30 de março de 2024

CHUVA DA TARDE

Nosso marcador de chuva mediu nesta tarde oitenta milímetros.

BOA CHUVA DA TARDE

Uma boa chuva banhou nossa cidade nesta tarde.

Foi daquelas que enche bueiros, alaga praças, avenidas, becos e vielas.

O alagamento é recorrente. 

Em cada grande chuva, a mesma coisa acontece.

É isso. Fazer o quê?

TRINTA E SEIS

Choveu trinta e seis milímetros entre a noite de ontem e madrugada.

Sessenta e dois entre ontem de tarde e madrugada de hoje.

VINTE E SEIS

A boa chuva de ontem pela tarde foi de vinte e seis milímetros.

QUE PALAVRA!

Umbuzeiro

Encontramos em "Os Sertões", de Euclides da Cunha, quando descreve a terra onde houve a histórica Guerra de Canudos, o umbuzeiro:

É a árvore sagrada do sertão. Sócia fiel das rápidas horas felizes e longos dias amargos dos vaqueiros. Representa o mais frisante exemplo de, adaptação da flora sertaneja. Foi, talvez, de talhe mais vigoroso e alto - e veio descaindo, pouco a pouco, numa intercadência de estios flamívomos e invernos torrenciais, modificando-se à feição do meio, desinvoluindo, até se preparar para a resistência e  reagindo, por fim, desafinado as secas duradouras, sustentando-se nas quadras miseráveis mercê  da energia vital que economiza nas estações benéficas, das reservas guardadas em grande cópia nas raízes.

E reparte-as com o homem. Se não existisse o umbuzeiro aquele trato de sertão, tão estéril que nele escasseiam os carnaubais tão providencialmente dispersos nos que o convizinham até ao Ceará, estaria despovoado. O umbu é para o infeliz matuto que ali vive o mesmo que a mauritia, para os garaúnos dos llanos.

Alimenta-o e mitiga-lhe a sede. Abre-lhe o seio acariciador e amigo, onde os ramos recurvos e entrelaçados parecem de propósito feitos para a armação das redes bamboantes. E ao chegarem os tempos felizes dá-lhe os frutos de sabor esquisito para o preparo da umbuzada tradicional.

O gado, mesmo nos dias de abastança, cobiça o sumo acidulado das suas folhas. Realça-se-lhe, então, o porte, levantada, em recorte firme, a copa arredondada, num plano perfeito sobre o chão, à altura atingida pelos bois mais altos, ao modo de plantas ornamentais entregues à solicitude de práticos jardineiros. Assim decotadas semelham grandes calotas esféricas. Dominam a flora sertaneja nos tempos felizes, como os cereus melancólicos nos paroxismos estivais.

Quando trata do "Homem", Euclides da Cunha fala sobre suas tradições, como as cavalhadas e mouramas e o consumo da umbuzada pelos vaqueiros:

Volvem os vaqueiros ao pouso e ali, nas redes bamboantes, relatando as peripécias da vaquejada ou famosas aventuras de feira, passam as horas matando, na significação completa do termo, o tempo, e desalterando-se com a umbuzada saborosíssima, ou merendando a iguaria incomparável de jerimum com leite.



EM OUTROS TEMPOS

Impaludismo

Ao descrever o homem do Norte, Euclides da Cunha em "Os Sertões" expõe as doenças que aparecem frequentemente:

"... aliado ao meio vence-o, esmaga-o, anula-o na concorrência  formidável ao impaludismo, ao hepatismo, às pirexias esgotantes, às canículas abrasadoras, e aos alagadiços maleitosos."

Em outros tempos, o impaludismo era frequente e levava muitas pessoas precocemente.


quinta-feira, 28 de março de 2024

QUADRINHAS POPULARES

Aritmética

O nove dizia ao seis,
Direito como o bambu:
- Segundo a lei da contagem
Eu valho mais do que tu.

O seis, que não era idiota,
Ouvindo isto, reprova:
Dá logo uma cambalhota
E fica valendo nove.

(Aires da Mata Machado Filho)

TEMPESTADE

- Menino, vem para dentro,
Olha a chuva lá na serra,
Olha como vem o vento!

- Ah! Como a chuva é bonita
E como o vento é valente!

-Não sejas doido, menino,
Esse vento te carrega,
Essa chuva te derrete!

-Eu não sou feito de açúcar
Para derreter na chuva.
Eu tenho forças nas pernas
Para lutar contra o vento!

E enquanto o vento soprava
E enquanto a chuva caía,
Que nem um pinto molhado,
Teimoso como ele só:

- Gosto de chuva com vento,
Gosto de vento com chuva!

(Henriqueta Lisboa)

OS MAIS VELHOS

Devemos aprender com os mais velhos. São eles que têm mais experiência de vida.

Na contramão dessa ideia, deparamo-nos constantemente com o ser jovem saber mais e ser mais eficiente, etc coisa e tal.

Quantos aos mais velhos, devem fazer jus à idade experiência: ser a cada dia mais cauteloso e sábio no trato com as pessoas e coisas.

São eles que devem sentir mais vergonha pelos erros que cometem. Na história da mulher adúltera, foram os mais velhos que primeiro saíram quando perceberam que também tinham pecado.

O episódio está no livro de João capítulo 8,9.

PROVÉRBIO

A cada um se dê o seu.

quarta-feira, 27 de março de 2024

SEMANA MENOR

Estamos dentro de uma semana menor do que as outras: dois dias a menos. Pelo menos para alguma repartições públicas como a Educação, dois dias a menos de trabalho e estudo. 

Amanhã não funcionará aquela pasta - um imprensão (ou ponto facultatibvo) - somado com a sexta-feira, que no calendário, é dia feriado.

OITO

Oito milímetros de chuva nesta madrugada.

PROVÉRBIO

A cada um sua estrela está guardada.

segunda-feira, 25 de março de 2024

AS CINZAS

As cinzas do carnaval já há muito que não existem mais.

As chuvas as levaram. Agora levam qualquer sujeira que exista nos esgotos.

Chuva boa é como o vento norte:

O vento sacode levanta poeira
Varrendo com força a sujeira a preguiça.

E todas as mazelas.

MAIS ANTÍTESES

O poeta cantava:

Embora triste, vivo sorrindo
Pra não lembrar o que passou
Se algo existe, dou como findo
Pra não chorar, cantando vou.



PROVÉRBIO

A cada idade deu Deus seu ofício.

domingo, 24 de março de 2024

DOMINGO

ESCOLA DE ANTIGAMENTE

Escola e bolo

Por não ter merenda escolar como no formato de hoje, havia a venda de mingungas na porta da escola e até dentro.

O bolo era o principal "prato". Havia a maria-maluca era um bolinho especial preferido pela maioria. Prova disso é que se fazia fila para comprar aquela iguaria. O bolo de milho e de farinha de trigo também era muito requisitado ao lado de alguns docinhos.

Outros bolos

Havia uns bolos que nenhum estudante apreciava. Havia em casa e na escola.

Em casa, era a mãe que dava. Na escola, podia ser o professor ou o colega. 

Enquanto o outro bolo era o substantivo comum, concreto e bom, o outro era abstrato e desagradável. Para "comer" aquele bolo, passava por um instrumento concreto, que em algumas regiões tinha até nome, segundo relata Raimundo Nonato em seu Calepino Potiguar: Maria Vitória - Nome dado à palmatória na escola de outro tempo. Também Santa Luzia-dos-cinco-olhos.

Nos relatos sobre a escola de antigamente, há um belíssimo de Viriato Corrêa em "Cazuza". Quando o narrador-personagem principal insinua a um colega que fosse estudar, o outro responde:

 - Eu? Cruz! Não nasci para levar bolo. A palmatória de lá trabalha na mão da gente... O Hilário me disse que bolo de palmatória dói muito mais do que bolo de chinela. 

O bolo de chinela era dado pelas mães nos filhos desobedientes.

Mais bolos

Bolo também significa:

Confusão;

Logro;

Total das entradas de um jogo.


sábado, 23 de março de 2024

CHUVA

Chuva de ontem pela noite: doze milímetros.

QUE PALAVRA!

Umbu

Imbu. Árvore silvestre de fruto sumarento. (Silveira Bueno)

Fruto do umbuzeiro. Umbuzeiro: o mesmo que imbuzeiro. (Antenor Nascentes)

Variante de imbu. Do tupi im'bu. O fruto do imbuzeiro: Arvoreta muito copada, da família das anacardiáceas (Spondias tuberosa), própria da caatinga, de folhas penadas, flores minutas, , e cujas raízes têm grandes tubérculos reservadores de água, sendo os frutos (imbus) bagas comestíveis, bastante apreciadas. Variante: umbuzeiro; sinônimo: jique. (Aurélio)

Por aqui trocamos o u pelo i. Chamamos essa frutinha de imbu. Fruto do imbuzeiro.

Em "Cazuza", Viriato Corrêa conta, entre muitos fatos da infância, o que viu no sítio de Tia Mariquinhas:

Havia de tudo no sítio: araçás, goiabas, sapotis, jacas, tangerinas, jenipapos, atas, abius, umbus, cambucás, todo um mundo de gulodices que endoidecem as crianças. 

sexta-feira, 22 de março de 2024

SOL E CHUVA

Sol e chuva.

Um calcifica o solo. Outro deixa-o maleável. 

Precisamos dos dois, diz a boa ciência. 

O primeiro, nós dessas bandas, temos pra dar e emprestar. É até vetor de energia. Coisa boa. Das mais boas. Queima, esquenta, causa calor. Nasce para todos, cantou o grupo The Fevers:

E se entrega com amor
Não distingue as fronteiras
Nem quem nasce de outra cor
Nasce para todos
Como nasce uma canção
Quando a noite se acaba
Para todos nasce.

O outro, pertencente ao gênero feminino, esfria, relaxa, limpa. É vetor da produção. Sem ela, a energia cai de produção e seca os lençóis e os reservatórios. A crise se instala e todos sofrem.

Foi poetado por vários intérpretes. Alguém chegou a dizer que o nosso planeta é todo ela.

São coisas da natureza que vêm de graça e na hora necessária.

PROVÉRBIO

A cabra e o leão nunca podem fazer guerra.

quinta-feira, 21 de março de 2024

O QUE MAIS ILUMINA A CIDADE

O que mais ilumina a cidade são as lâmpadas?

Não. O sol é o que mais ilumina a cidade. Ou: astro-rei é o que mais ilumina a cidade. Isso constitui-se, numa linguagem mais refinada, um exemplo, entre tantos, de perífrase. É o emprego de muitas palavras, quando se poderia usar poucas. Faz-se um rodeio de palavras.

A perífrase é também chamada de circunlóquio, pois faz uma espécie de círculo para chegar ao fim.

Outros exemplos de perífrase:

O rei da selva assusta o caçador. (leão)

A Cidade Maravilhosa é maravilhosa. (Rio de Janeiro)

No País do Sol Nascente o sol aparece diferente. (Japão)

A Cidade Luz é a mais iluminada de todas as cidades do mundo.(Paris)

A Águia de Haia é escritor brasileiro e famoso. (Rui Barbosa)

Há gramáticos que chamam a perífrase de antonomásia. Há outros que distinguem a antonomásia da perífrase. Esta é quando refere-se a coisas e animais e aquela quando refere-se a humanos.


PROVÉRBIO

A cabra de minha vizinha é mais que gorda que a minha.

quarta-feira, 20 de março de 2024

BANHO

Penso na escola como um lugar de se tomar banho.

Apesar da deusa tecnologia, deusa rede internética e outros deuses e deuses, lá ainda é lugar de cultura.

Tem professores e mestres que orientam acerca do bem estudar e bem aprender.

Tem livros, biblioteca, laboratório. Interação. Socialização. Meeting. Feedback.

Com tudo isso aí acima, o estudante tem a escolha de querer tomar banho de saber, de cultura. 

Se porém, não interessar, voltará para casa do jeito que entrou.


RAIOS EM UPANEMA E REGIÃO

O RN foi atingido por mais de 28 mil raios nos dois primeiros meses de 2024

O número, compilado pela Neoenergia Cosern a partir de informações da plataforma Climatempo, representa uma redução de 27,94 % em relação aos dois primeiros meses de 2023, quando 39.367 raios atingiram o solo potiguar. 

As maiores incidências foram registradas em Apodi (1.415), Assú (1.329), Santana do Matos (1.154), Upanema (1.119) e Mossoró (1.026). 

Orientações de segurança:

Busque abrigo tão logo veja nuvens carregadas no céu ou escute um trovão;

Evite colher frutas, legumes ou verduras, abrigar-se ou caminhar perto de árvores;

Não fique próximo a animais e nem ande a cavalo;

Não fique próximo a cercas de arame;

Não fique próximo a objetos metálicos pontiagudos como enxadas, pás e facões;

Não se abrigue debaixo de varandas, barracos e celeiros;

Não caminhe em áreas descampadas;

Não fique parado em rodovias, ruas ou estradas;

Não suba em locais como telhados, terraços e montanhas;

Não tome banho em praia, rio, açude ou piscina durante uma tempestade;

Não utilize equipamentos elétricos ligados à rede elétrica;

Não fale ao telefone com fio ou utilizar o celular conectado ao carregador;

Não tome banho utilizando o chuveiro elétrico.

(Do Mossoró Hoje de 05/03/2024).

ONZE

Foi de onze milímetros a chuva de ontem pela noite depois das oito.

PROVÉRBIO

A cabeça não corra mais que os pés.

terça-feira, 19 de março de 2024

segunda-feira, 18 de março de 2024

POESIA

O que disse o luar

Ao contemplar o luar
Naquelas alturas
Indaguei-o sério
Sobre o que fazia
Naquela longe lonjura.

Apenas continuou
Naquela contemplação
Do mundo aqui embaixo
De tudo o que se faz
Todo sim e todo não.


PROVÉRBIO

Da árvore do silêncio pende o seu fruto, a tranquilidade. (Provérbio árabe citado por Machado de Assis em "A Semana I").

domingo, 17 de março de 2024

DOMINGO

NOS TEMPOS DE CRIANÇA

Num tempo não tão distante, as crianças viviam sua criancice muito diferente dos tempos atuais. As cantigas de roda estavam incrustadas nos costumes. Criança que não cantasse "Ciranda, cirandinha" não era criança de seu tempo ou não gostava de brincar. O mundo mudou. Para pior. Quem viveu aquele tempo concorda com isso e canta:

Ciranda Cirandinha
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar.

O anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou.

Por isso dona Rosa
Entre dentro desta roda
Diga um verso bem bonito
Diga adeus e vá se embora.

TEMPO

O dia foi só calor. Chuva que é bom e todos esperavam, não veio.

A noite brinda com uma bela lua entre nuvens.

COMPORTAMENTO

As pessoas do país têm comido pratos diferentes nesses primeiros dias de março. São pratos provados de tempos em tempos.

LINGUAGEM

Palavras que não mais ouvimos hoje com facilidade e eram usadas no tempo dos nossos avós: 

Tabefe, cacareco e fuzaca.

Como as pessoas, as palavras também têm nascimento, vida e morte. Umas estão só arquejando como as três acima.


sábado, 16 de março de 2024

QUE PALAVRA!

Mutirão

Apesar de muitos escreventes colocarem um l depois do u, não cola.

Mutirão é uma reunião de pessoas que prestam a realizar um trabalho conjunto. (Soares Amora).

Mutirão é um auxílio que se prestam mútua e gratuitamente os pequenos agricultores no tempo de fazer roças, plantações ou colheitas. (Antenor Nascentes).

PROVÉRBIO

Bolsa cheia, amor em águas vivas.