domingo, 25 de abril de 2021

ENTRETENDO - EDIÇÃO DE DOMINGO

TEXTO

A arte de ser feliz - Cecília Meireles

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz. Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. à sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não a podia ouvia, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto. e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros, e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes , um galo canta, Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que erras coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim. (Do livro Português dinâmico, 7ª série, Siqueira & Bertolin)

BRINCADEIRA DE CRIANÇA

Canivitinho

De pintainho
Entrou pela barra
De vinte e cinco
Mingorra, mingorra
Tire essa forra.

Os versos acima eram ditos por uma pessoa que comandava a brincadeira. O outros punham as duas mãos sobre a mesa ou chão e deixavam que a pessoa dissesse os versos. Para cada mão, uma sílaba do verso. E assim, no final da estrofe, a última mão que fosse tocada, teria que sair da roda. A mão que tivesse a sorte de ficar no final, ganharia. Nunca ganhava nada em prêmio, mas ganhar é sempre bom.

Algumas palavras dos versos acima nunca consegui desvendar seus significados, mas continuo na busca.

LITERATURA UPANEMENSE

História de Upanema

Upanema: a história dos três poderes (de distrito a cidade) é um opúsculo publicado em setembro de 2003 por Inez Tavares e seu sobrinho José Wilson.

É um livreto de apenas vinte e oito páginas, mas contém dados importantes sobre o município de Upanema. Começa com a história da fundação de Upanema, seus prefeitos, vereadores, até o ano de 2004. Cita os nomes dos juízes que passaram por Upanema desde 1971 até 2003. Também são lembrados os oficiais de justiça, os cartórios e os delegados até 2001. A pesquisa é baseada em consultas aos livros de atas da Câmara Municipal e Fórum Desembargador Wilson Dantas, aos documentos existentes na Prefeitura Municipal e informações pessoais com upanemenses que vivenciaram o seu desenvolvimento.

A pesquisa foi feita pela Assistente social Inez Tavares e sistematizada pelo engenheiro agrônomo José Wilson Tavares Bezerra. 

HUMOR

Um prefeito resolveu fazer uma visita ao hospício da cidade. Chegando na biblioteca do hospício, percebe que tem um louco, cabeça para baixo, pendurado no teto. Preocupado, comenta com o diretor do hospício:

-O que é que esse louco tá fazendo aí no teto?

- Ele pensa que é um lustre.

Mas é muito perigoso, ele pode cair e se machucar. Por que vocês não o tiram do teto?

- Mas e à noite? Como é que a gente vai fazer para ler no escuro? (Folhinha do Coração de Jesus, 2001)


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PROVÉRBIO

O vento ajunta a palha e depois espalha.