domingo, 4 de abril de 2021

ENTRETENDO - EDIÇÃO DE DOMINGO

TEXTO ANTIGO

A rua das rimas         

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,
direita, estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e 
varais nos quintais;
e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,
douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas;
e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço baço e lasso;
e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,
mas brando e brando, soltando, de vez em quando,
na luz rala de opala de uma sala uma escala clara que embala;
e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde;
e de noite, no ócio capadócio,
junto aos lampiões espiões, os bordões dos violões;
e a serenata ao luar de prata (Mulata ingrata que mata...);
e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio...
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer, uma mulher 
que bem me quer;
É uma rua, como todas as ruas, com suas duas calçadas nuas,
mas correndo paralelamente, como a sorte diferente de toda gente, 
para a frente,
para o infinito; mas uma rua que tem escrito um nome bonito, 
bendito, que sempre repito
e que rima com mocidade, liberdade, tranquilidade: RUA DA
FELICIDADE. (Guilherme de Almeida - Do livro 7ª série, Português Dinâmico, Siqueira & Bertolin) 

SIGNIFICADO DOS NOMES (Fonte: Livro: O significado e a sorte dos nomes)

Aarão - O elevado, o sublime

CHUVA

Choveu 3mm ontem à noite.

AGUINALDO NO "SEIS E MEIA"

O cantor Agnaldo Timóteo é a atração da próxima edição do projeto Seis e Meia, dia 19, às 18h30, no Teatro Alberto maranhão. As honras da casa ficam por conta do grupo Oficina Potiguar de Choro. Os ingressos já estão à venda na bilheteria do TAM ao preço de R$ 10,00 (antecipado) e 20,00 na hora. Este é o último show do mês de julho. Seu 45° disco, "Em nome do amor" é uma homenagem a Roberto Carlos. Nesse disco, Agnaldo reuniu 14 sucessos do Rei, emprestando notável  interpretação a músicas como "Falando sério", "Como vai você", "Seu corpo". (Recorte do jornal Tribuna do Norte de 15 de julho de 2005)

O Seis e Meia era um projeto criado para trazer artistas renomados de todo o país. O Teatro Alberto Maranhão fica localizado em Natal.

ANTIGO CINEMA EM UPANEMA

Os filmes, como chamávamos, eram exibidos no mercado público. Eram exibidos como sem falta no período da Semana Santa, quando aproveitavam o momento e passavam na tela "Paixão de Cristo". Em outros momentos, Tarzan e O Incrível Hulk eram sucesso. A meninada que não podiam pagar a entrada utilizava algumas artimanhas, como ficar em cima de bancos da Praça Padre Adelino, ali nas imediações da Lanchonete de Ivan. Outros eram mais atirados a ponto de passarem pela portaria dando dinheiro de menos ou por debaixo das pernas dos porteiros.

FEIRA DO LIVRO

Quando voltaremos a ter "A Feira do Livro de Mossoró"?

BATEU SAUDADE

A saudade bate de tudo o que foi bom. A da escola é a que me vem sempre. Não sei qual é a que bate mais forte: Se a do primário, do secundário ou universitário. Hoje me lembro das aulas de Literatura Brasileira ministradas por Aluísio Barros na UERN. As aulas eram um show.

BALCONISTA DE ANTIGAMENTE

Já devo ter escrito aqui que o balconista de antigamente era o despachante do que o freguês queria. Ninguém tinha acesso às mercadorias.

MÚSICA NA MINHA VIDA

Lover why, música interpretada pelo grupo Century, banda francesa, é uma das muitas internacionais que me fazem relembrar os tempos da UERN. O falsete do "why lover why, rá, rá", é um dos trechos que não saem da memória.

Verdes campos da minha terra é uma música das antigas que me leva aos cinco ou seis anos de idade, lá onde eu morava, na zona rural, em tempo que rádio era um tesouro e único meio de comunicação de notícias que vinham de longe. Aguinaldo Timóteo - falecido ontem - era sucesso naquela época.

COMO DEVE SER ESCRITO: Aguinaldo é assim e não assim: Agnaldo. É o  que nos ensina Luiz Antônio Sacconi.

LITERATURA UPANEMENSE

Dois alcoólatras convictos

Por Antônio Evaldo*

Caro leitor nordestino
É grande a satisfação
Que embrulha o intestino
Solta no peito o coração.

Enche a barriga de alegria
Caem as lágrimas de emoção
Por que vou contar a história
Dos cabras lá do sertão.

Feios pela genética
Medrosos de natureza
Alcoólatras por faltar ética
Discípulos da pobreza.

João "Bafo de Cachaça"
E Pedro "Suor de Cana"
Viviam na desgraça
Da sociedade mundana.

Me bate um calafrio
Ao falar destes "malditos"
Pois escapei por um fio
Do causo aqui descrito.

Bafo de Cachaça fazia
De tudo pra beber
Até as cuecas vendia
Preste atenção, vou dizer.

Que do suor de cana
Também não posso esquecer
Faltando ficava de cama
Chorando feito um bebê.

Vou falar num instante
Que João até parecia
Um alambique ambulante
Escute o que ele fazia.

Arrotava cachaça enlatada
Isto ninguém merecia
Bufava cana engarrafada
Maldito o ar poluía.

O desgraçado do Pedro
Não ficava para trás
Chegava botava medo
Pois ele era capaz.

Suava pura caninha
Um odor de satanás
Pitu em forma de gotinha
Mijava aquele rapaz.

Quando passavam na rua
Causavam muita aflição
Ninguém riscava fósforo
O cigarro aceso na mão.

Amassavam depois engoliam
Com medo de uma explosão
Temidos mais que Bin Laden
Viva, viva o Afeganistão!

Bafo e suor de cana
Eram pobres de lascar
Não tinham nenhum real
Bebiam sem nada pagar.

Passavam o dia bebendo
A noite lá no "Spar"
Vendo o sol nascer quadrado
Com uma ressaca de matar.

Certo dia da semana
Na Churrascaria Encanto
Bebia cerveja e cana
Também nunca foi santo.

Quando chegaram os dois
Pedindo uma ao gerente
Que disse: voltem depois
Daqui sete anos pra frente.

Saíram tão perturbados
Sem ter que tomar
Como "Teixeira do Rádio"
E ouvindo "Amado" cantar.

Então João olhou para Pedro
Dizendo vamos agora apelar
Um cochichando para o outro
Nada mais pude escutar.

Saí correndo apertado
Imprensando o cabeção
Deixei os dois pares sentados
Pedro a falar com João.

Nós vamos é pra cadeia
Esse assalto não dá certo
Calma, que tenho uma ideia
Calma, que o plano é perfeito.

João, não temos nada
Nem armas e nem capuz
Já me sinto na cela apertada
Comendo só mortadela e cuscuz.

Pedro, faça o que digo
Deixe de aperreio, abestado!
Pois tenho aqui comigo
Um par de trinta e oito zerado.

Ora João, não esconda, me diga
Desde quando anda armado
Não tens um centavo pra pinga
De onde roubou os zerados?

Isto não lhe interessa
Você quer ou não quer beber?
"Havia", que estou com pressa
Se eu não beber vou morrer.

Pedro, vai lá pra fora
Que eu vou a luz apagar
Eu grito quando for hora
Pra janela tu pular.

Com essa lanterna na mão
Tu vai entrar e acender
Na cara do gerente bufão
Que não irá nos reconhecer.

Enquanto isto eu estava
Relaxando no banheiro
Sem fila, sem pressa ficava
Toda a cerveja do joelho.

Mas o desgraçado do João
Apagou foi a chave geral
E eu naquela escuridão
Já tava passando mal.

Foi quando então começou
Ouvi um grito lá de fora
Isto é um assalto, doutor
Passe tudo e sem demora.

E eu que fui ao banheiro
A fim então de mijar
O medo é tão traiçoeiro
Que a necessidade vem já.

Quando pensei em tirar
Já não havia mais tempo
Pois a minha roupa
Estava repleta de excremento.

E eu já encabulado
Barroei no zelador
Lembrei do meu estado
Saí correndo pelo corredor.

Abri a porta errada
Fui parar lá no porão
Desci rolando na escada
E meti a cara no chão.

Estava eu desmaiado
E o assalto corria à tona
João muito bem armado
Gritava passe a cana!

Cana! Vamos roubar é cachaça?
Pensei que fosse dinheiro
Já estava vendo até Graça
Comigo lá no estrangeiro.

Graça é quenga e não presta
Pegue logo esta pitu
Coloque dez litros na cueca
E corre pra Baixa de Tatu.

Estás confundindo, amigão
Eu nem sou deputado
Nem sei o que é mensalão
Tu estás é precipitado.

Olha, o cuecão não é meu
E vou logo lhe avisando
Nunca vi dólar, amigo meu
Por que estás me acusando?

Largue de se burro, jumento
Deixe de falar besteira
E pare de tremer um momento
Sente aqui nesta cadeira.

De tanto tu resmungar
Estou é ficando rouco
Você não para de suar
Eu vou já é ficar louco!

Coloque logo a cachaça
Em cima deste balcão
Levante e pegue a caixa
Leve a lanterna na mão.

Porque se ele se mexer
O mando lá pro inferno
Vais visitar, podes crer
Lampião, o "eterno".

De onde João tirou, rapaz
Tanta coragem assim?
Está se mostrando capaz
Um cara mau, muito ruim.

Mas foi por pouco tempo
O gerente  começou a falar
Esta catinga eu me lembro
Este fedor de matar.

Está generalizado
Já sei, é Pedro e João
Ah! malditos desgraçados
Quase me matam do coração.

João tremia, coitado
E Pedro afoito gritou
Atire neste safado
em mim não - o zelador.

Que acendeu uma lanterna
Bem na cara de João
Poderia atirar-lhe na perna
Mas riu com a situação.

João estava parado
Acredite se quiser
Ele nem estava armado
Chorava feito mulher.

Pois os três oitões zerados
Eram duas havaianas
De número 38 e roubado
De sua irmã, dona Ana.

Nesta hora Pedro e João
Meteram o pé na carreira
Naquela grande escuridão
O que foi de mesa e cadeira.

Foram parar lá na rua
Os dois levaram no peito
E no clarão da rua
O gerente virou prefeito.

Chamou logo a polícia
E disse: cana neles
Não quero ver malícia
Corte a alimentação deles.

Cana, sim! Quero muito
Cinco litros só pra mim
João, jamais seremos defuntos
Vamos beber até que enfim.

Pedro cale essa boca
Você só fala besteira
Tu tens é a cabeça oca
Nós vamos é pra cadeia.

E eu acordei no hospital
Só soube porque me contaram
E desde que passei mal
Nem bebi quando pagaram.

Acredita se eu lhe disser
Que tudo que me aconteceu
Foi praga da minha mulher
Desde que ela morreu.

Nada mais aconteceu
Também não vi Pedro e João
Só soube que viajaram
Após saírem da prisão.

Caro amigo meu e leitor
Escutem com atenção
O álcool em excesso é causador
De dependência química, irmão.

Por isso escute o que digo
Beba com moderação
E viva bem, meu amigo
Com paz e amor no coração.

*Antônio Evaldo Wanderley da Rocha é filho de José Severino da Rocha e Luzia Lúcia Leal. É natural de Campo Grande, tendo nascido no dia 24 de fevereiro de 1980. Concluiu o Ensino Médio pela Escola Estadual "José Calazans Freire, em Upanema-RN. É desportista defendendo o gol. Na época da publicação, Evaldo pensava em continuar nos estudos e cursar Letras.
O texto acima foi publicado em novembro de 2006 em formato cordel. Teve o apoio do jornal de Upanema e do então secretário da Prefeitura de Upanema, Gilvandro Fernandes.
O texto tem 60 estrofes. Teve a coordenação do professor Antônio Eudes Barbosa e Silva Júnior e nossa revisão e apresentação gramatical do texto.

HUMOR

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Mesmo lotado, o ônibus demorava demais a sair do ponto final. Até que, para a alegria dos passageiros, Começou a descer a ladeira. De repente, todos percebem um homem idoso, correndo desesperado atrás do ônibus. Um dos passageiros grita:

- Esquece, coroa! Você nunca vai conseguir alcançar a gente!

E o senhor, ofegante, grita para todos:

- Não posso desistir! Eu sou o motorista! (Seleções, junho 2009)


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