quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

UMA PÁGINA DE SAUDADE

Há exatamente quarenta e oito anos chegávamos na cidade, vindos do campo ou sítio - como chamávamos a zona rural.

Muito pequeno ainda, nem me lembro do transporte que nos trouxe. Alguém me disse que era o jeep de Galdino Carlos, vice-prefeito na época.

Era uma Upanema duas vezes menor, acho. Em 1973 nossa cidade ia até onde hoje é o cemitério. Dali pra lá era só árvores. 

Tínhamos o Alfredo Simonetti, escola estadual, como a escola que iria nos receber no ano seguinte. 

Um centro da cidade com uma praça já envelhecida, mas muito conservada. Lâmpadas com globos e muitos bancos, não somente para as pessoas sentarem, mas para a meninada brincar de pula-pula e tica, com direito a um refúgio num lugar determinado. Não havia um sequer que não tivesse um catombo na canela, devido as quedas sobre as quinas dos bancos.

A TV na praça virada para os lados do mercado era o lazer das noites, fosse novela ou futebol. Não me recorda quem cuidava do ligar e desligar do aparelho. Sei que havia pequenas desavenças na escolha do canal, apesar de ter dois ou três.

Era um mundo de muitas dificuldades, como hoje têm, mas o enfoque para elas era bem diferente. Vivíamos em guerra para superar os problemas. O trabalho braçal, o acordar cedo, eram motes paralelos com o estudo, se era isso que a criança ou jovem almejava.

Hoje temos um mundo de cabeça para baixo e difícil de se desvirar. Fala-se pouco em trabalho e muito em políticas públicas. O motor não está funcionando bem e nem tem perspectivas de mudança.

A saudade é somente do tempo bom, mas de luta pela sobrevivência. Saudade das coisas bonitas, como a velha paisagem e das pessoas que encontrei e já se foram, como os vizinhos que vi crescer junto e de outros que já eram adultos e não mais estão aqui entre nós.

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PROVÉRBIO

Quem faz o que pode, não fica a dever.