domingo, 6 de novembro de 2022

ENTRETENDO - EDIÇÃO DE DOMINGO

A LITERATURA NA VIDA DE UM POVO

Um povo instruído e lido é povo forte. O quê se lê também é muito importante. Um bom vocabulário construído na base escolar é feito através de leituras substanciais como os contos, crônicas e romances de autores consagrados pelos críticos ao longo dos tempos.

Quando falo em vocabulário, refiro-me àqueles que é adquirido principalmente através da prosa literária produzida pelos machados e éricos.

Eles escreviam bem porque liam muito e tinham sempre ao lado ou debaixo da cabeceira grandes escritores, boas enciclopédias e bons dicionários.

Registre-se o fato de que as enciclopédias de antigamente não chegavam aos pés da que temos hoje. Hoje ela está no bolso, na mão e quase no nunca no cérebro. Declaro isso com muita dor e tristeza.

ANTROPOFAGIA - O termo foi usado pela primeira vez, em relação à Literatura, por Oswald de Andrade, um dos nomes mais significativos do Modernismo brasileiro.

A ideia da antropofagia surgiu de um jantar em que foram saboreadas algumas rãs; presentes Oswald de Andrade, a pintora Tarsila e alguns amigos. Ao fim do jantar, Tarsila sugeriu que eles estavam se tornando uns antropófagos. (Vocabulário Técnico de Literatura, de Assis Brasil).

Assim, a antropofagia passou a simbolizar o comimento da literatura estrangeira e o digerimento em literatura nacional, subvertida, enfim.

ARTE E POLÍTICA -  Duas posturas se objetivam: a arte como "instrumento" para alcançar  um determinado fim político e arte como simples manifestação do fervor patriótico de um poeta, por exemplo, como foi o caso de alguns poemas de Castro Alves e de Olavo Bilac. A tal ponto foi o "alinhamento" deste último, que ficou como patrono do Exército brasileiro. Mas nestes dois aspectos, o que deve perdurar é o resultado artístico: um dia, passados a impregnação ideológica e política, o que vai ser julgado é a obra de arte, o que já tem acontecido em todos os tempos (Dicionário do Conhecimento Estético, de Assis Brasil).

Ontem e hoje, além da literatura, as músicas são fortes instrumentos à serviço da política. Os artistas e intérpretes, muitos deles, engajam-se na arte de misturar política e carreira artística.

Castro Alves produziu alguns poemas que tratavam da escravidão:

'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta. 

(Primeira estrofe de "Navio Negreiro")

Passou a escravidão, ficou a obra literária.

GRAMÁTICA - Ruído: Tudo o que prejudica a transmissão de uma mensagem é considerado ruído. São geralmente causas de ruído: a má transmissão do emissor, a falta de atenção do receptor, o conhecimento insatisfatório do código. Uma buzina alta durante um diálogo é um ruído, assim como uma gíria desconhecida do receptor é também um ruído (Nossa gramática, de Luiz Antonio Sacconi).

Sacconi nos ilumina sobre os ruídos que podem ocorrer no pesado quotidiano. E acrescento outros: 

Numa sala de aula, o ruído é presente em quase todas as aulas. Muitas vezes os alunos não prestam atenção à aula e "arrocham" na tão costumeira conversa fora de tempo. Outras vezes é o professor que não atenta que seu linguajar não está adequado ao dos alunos. 

Em palestras, o ruído é constante. Não deixa de faltar na plateia pessoas que não estão captando uma ideia do palestrante. Muitas vezes o assunto está sendo transmitido com um nível técnico acima da compreensão de alguns receptores. Então, é ruído na certa.








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AGORA FALTAM VINTE E DOIS

Ainda faltam vinte e dois centímetros para o transbordamento das águas da barragem de Umari. Tem sido uma luta medonha a sangria daquela bar...