domingo, 31 de outubro de 2021

ENTRETENDO - EDIÇÃO DE DOMINGO

Ruas da Infância - Elias José

A professora dizia que a rua tinha aquele nome em homenagem a um grande homem, digno de ser imitado. nós a ouvíamos meio duvidosos. Para nós, a rua era do pipoqueiro, do sorveteiro, do vendedor de algodão doce, do velho contador de estórias. De alguém que nos significasse muito, era o nome da rua. A praça não tinha nome, era da molecada toda. No futebol a coisa mudava: Rua de Baixo x Rua de Cima. As peladas eram na praça, atrás da igreja velha. Quando uma das turmas perdia na bola, tinha que ganhar no braço.

Minha rua era a de baixo. Casas velhas, sem pintura, algumas sem reboco. Cidadezinha que não coube no mapa, mas que transborda no meu coração. 

Depois da rua de baixo, a cidade se acabava e o rio nascia. No rio nadávamos, pescávamos. Para aprender a nadar bem, comíamos peixinhos vivos, Quando matavam porco, púnhamos restos da barrigada no balaio e os peixes vinham comer. Um dia, um cágado entrou no balaio e foi o nosso maior dia. Desfilamos com ele por todas as ruas. Depois passou a novidade e ele passou a morar só em nossa rua, uma semana em cada casa, até morrer. 

Depois a gente cresceu e ficava feio a gente brincar de esconder, jogar bolinha de vidro na toca, fazer açudinho com água da chuva, nadar pelado. Já se falava em namoradas. 

O tempo passou, a turma se dissolveu. Caminho por movimentadas ruas de uma cidade grande, mas levo comigo as ruas da infância. Me disseram que estão cheia de buracos, viraram pastos, as casas estão caindo de velhas. Mentiras! Feias são minhas ruas de hoje, tristes ruas de adultos, sem mistério ou esperança.

HUMOR  - Foi Deus

Um diretor de hospício resolveu acabar com a mania que vários malucos tinham de se apresentarem como Napoleão Bonaparte. Pôs toda a turma no pátio e berrou:
- Vamos ver agora: quem é Napoleão Bonaparte aí?
Muitos braços se ergueram.
- Você aí, vem cá! Quem foi que lhe disse que você é Napoleão?
- Ora, foi Deus.
Aí alguém gritou lá do fundo:
- É mentira dele! Não fui eu, não!
(Do livro "Português Dinâmico", 6ª série)


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PROVÉRBIO

Quem faz o que pode, não fica a dever.