sexta-feira, 16 de setembro de 2022

CRÔNICA

O encontro

Depois de viajar muitos quilômetros, léguas e léguas, tendo vindo para uma missão até então não revelada e entendida, aquele sujeito, já na maioridade, mas com cara de jovem, se depara com um alguém.

E quem era?

Uma jovem, que sem nunca o ter visto, nem ouvido falar, mas somente de sua terra longínqua, poderosa e muito conhecida pelas notícias que saíam na TV, o recebe de braços abertos.

A princípio, tanto ele como a jovem - que tinha apenas quinze anos - ficaram olhando um para o outro, sem saber nem ter o que dizer. Ele, por não conhecer bem o vocabulário da interlocutora, ficou observando e ao mesmo tempo ouvindo o que ela tinha para dizer. Ela, às vezes gritava, às vezes falava tentando fazer com que o interlocutor entendesse. Algumas vezes chegou a rir da perplexidade do estrangeiro, que fixava o olhar nela, em sua simplicidade e total desconhecimento do objetivo por que ele estava ali, diante dela.

- Veio para ficar? O que está fazendo aqui? De onde és tu, estrangeiro?

Ela sabia que ele era estrangeiro, pois a fala era bem diferente da dela. Eram apenas balbucios, frases soltas, desarticuladas e faltando palavras para completá-las.

E aos poucos, depois de se explicar, começou a dizer a ela o que estava fazendo ali. O básico foi entendido no primeiro encontro. 

Passou o tempo. Agasalhou-se. Adaptou-se aos seus costumes e suas comidas. Aprendeu o "tá cedo", depois de algumas mancadas. Aprendeu também que podia recusar uma comida se já estivesse de barriga cheia. Prestou algum serviço a ela. Depois de cumprida a missão, despediu-se e voltou para sua terra. Ele já tinha mais de vinte anos.

Será que ele algum dia voltaria a revê-la? Talvez. 

E voltou. Encontrou-a bem mais velha, assim como ele. Agora se despede de novo dela, faltando menos de um mês para os 69 anos, mas promete voltar outra vez.

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PROVÉRBIO

Quem faz o que pode, não fica a dever.