domingo, 7 de agosto de 2022

ENTRETENDO - EDIÇÃO DE DOMINGO

O LUSTRE (Thiers Martins Moreira)

Entre os lustres, porém, havia o lustre (assim o chamavam) como se fora o único da casa. Todo de cristal translúcido, com centenas de pingentes e contas, saía de uma rosácea presa ao centro do teto de painéis cobertos de lona pintada, no salão nobre.

Durante anos, a impressão luminosa da casa foi comunicada por ele, que parecia conter todas as cores e brincar com os reflexos, como num jogo. Nas tardes claras, uma luz azul o envolvia, e de manhã, quando o sol entrava no salão, , os pingentes pareciam iluminar-se por dentro, lançando pelas paredes as mesmas  cores do arco-íris. Ainda que inteiramente branco, transmitia a sensação de colorido luminoso, de fantasia de caleidoscópio, cores que se quebram e se reúnem em nova forma.

Quando o lustre se projetava no grande espelho oval que estava na parede dos fundos do salão, e mais ao longe se refletia também uma das janelas com a cortina de rendas entreaberta e depois a linha da sacada de ferro, tudo se dispunha como num quadro de que sua forma e brilho fossem o tema e o centro da composição.

Fidalgo das coisas, o Menino o considerava amo e senhor dos objetos.

VELHA ORTOGRAFIA - Algumas palavras do texto acima eram acentuadas. Qual a razão disso? É que o texto de onde tirei foi publicado em 1972 num livro didático de 5ª e 6ª séries primária organizado por Celso Cunha. Naquela época palavras como presa, ele, todas, jogo, cores, eram acentuadas. Não demorou para que elas perdessem o acento.

QUADRINHA POPULAR

Mais vale uma tosca palhoça,
Onde nela o riso mora, 
Do que palácios dourados
Onde no ouro se chora.

(Do Manual de Português, Curso de Admissão - Celso Cunha)

ESCOLA QUE DÁ CERTO - Nos velhos tempos de escola, havia o Exame de Admissão para que o aluno entrasse no Ginásio. Como tudo, ou quase tudo nesse mundão há dois lados, o lado ruim da coisa era que o exame deixava alguns pelo caminho, pelo menos naquele ano. O lado bom da coisa era que a transposição da barreira já ensinava o aluno a enfrentar problemas na vida e incitava-o a estudar mais.

Os que estudassem mais, teriam um prêmio logo cedo: ir para outro nível de ensino, e ainda de quebra, mais preparado para enfrentar as dificuldades

O que fizeram, então? Tiraram todas as barreiras, dando aprovação automática num nível de ensino, e o pagamento de matérias. Dessa maneira, nenhum estímulo houve para ninguém, mas tornou-os mal-acostumados e preguiçosos para o estudo.






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PROVÉRBIO

Quem faz o que pode, não fica a dever.